O frio que passou permanece na memória,... Jeremias Edson Cardoso

O frio que passou permanece na memória,

tardinha que se instala suave no sul silencioso.

As galinhas, quietas, empoleiradas no terreiro,

guardam o segredo do silêncio profundo.

Ao longe, as rodinhas de chimarrão desenham círculos de histórias,

enrolado até o pescoço, me perco em lembranças que sussurram.

Saudade dos tempos de ciranda, de pique-esconde,

onde o mundo era feito de risos e sonhos simples.

Na distância do tempo, só o doce permanece,

o sabor da esperança que ainda repousa no peito.

Vejo, nas crianças, a alegria que não se apaga,

juntas, cantando, rodando, tecendo futuros invisíveis.