Há quem não se pergunte o motivo pelo... Vinícius Dionizio

Há quem não se pergunte o motivo pelo qual suas pernas não assumem as funções de seus braços. Há quem o faça – pasmem, um completo acrobata. Há quem veja sua vida à espreita de uma janela empoeirada, coberta de passado e carente de futuro. Há quem viva intensa e sabiamente – pasmem, este último encontrou da vida o sentido. Há quem nade por águas profundas e se afogue em banheiras quentes de seus próprios confortos. Há quem, por não ter experiência alguma com água, sinta-se aflito frente à imensidão azul. Há, também, quem sonhe profundamente enquanto viaja no ônibus das seis da manhã enquanto vai ao trabalho. Mas há quem durma horas a fio sem nunca ter passado por experiências oníricas de cavalos com asas. Este último, sente medo da imensidão de si próprio, vive à margem de suas aspirações e não se lança aos questionamentos que o engrandeceriam se de outro modo vivesse. Assuma, desde cedo, o entendimento de si próprio, acredite-se, enxergue-se, viva-se.