Há dois viventes no mesmo chão, Unidos... Raimundo Santana

Há dois viventes no mesmo chão,
Unidos no laço, divididos na visão.
Um vive de eco, de colo, de opinião,
Choraminga alto pra esconder o coração.
Esse precisa de plateia pra existir,
De aplauso, de mão estendida pra seguir.
Se ninguém escuta, ele cai,
Se ninguém chama, ele não vai.
Do outro lado, existe a força crua,
Determinada, firme, alma nua.
Não vai atrás, não corre na frente,
Caminha no passo exato, consciente.
Não pede apoio, não implora sinal,
Carrega nas costas o próprio ideal.
Aprendeu cedo que a estrada ensina,
E que excesso de muleta enfraquece a sina.
Unidos por destino, não por igualdade,
Um vive de carência, o outro de verdade.
Enquanto um grita pedindo direção,
O outro segue em silêncio, dono da decisão.
Não é orgulho, é sobrevivência,
Não é frieza, é resistência.
No fim da estrada a conta é igual:
Quem vive de si, chega.
Quem vive dos outros… fica no sinal.