A Vida é Feita de Saudade. A vida... Kepler Machado
A Vida é Feita de Saudade.
A vida começa sem saber o nome das coisas,
e já ali nasce a saudade
do ventre quente que nos guardava em silêncio.
Choramos não por dor,
mas porque algo ficou para trás.
Na infância, a saudade tem cheiro de terra molhada,
joelhos ralados e mãos sujas de sonho.
Sentimos falta do dia que acaba cedo,
da tarde que nunca deveria terminar,
do colo que sempre estava ali.
Na juventude, a saudade aprende a amar.
Ela se veste de promessas, de partidas,
de pessoas que passam rápido demais.
É quando descobrimos que nem todo amor fica,
mas todo amor ensina.
Na vida adulta, a saudade pesa.
Ela mora nas escolhas não feitas,
nos caminhos que exigiram coragem,
nos abraços adiados pelo cansaço.
Aqui, aprendemos que o tempo não espera.
Quando os filhos crescem, a saudade muda de casa.
Ela passa a morar nos quartos vazios,
nos brinquedos guardados,
no silêncio depois do “boa noite”.
E entendemos que amar é também deixar ir.
Na velhice, a saudade se torna companhia.
Ela senta ao lado, sem pressa,
folheia memórias como quem reza.
Já não dói tanto — ensina.
Mostra que tudo valeu a pena.
No fim, percebemos que a saudade
não é ausência,
é prova de que vivemos.
E que cada fase da vida,
se vivida com presença,
vira eternidade dentro do coração.
