Madrugada Na madrugada, meus olhos não... R. Cunha

Madrugada

Na madrugada,
meus olhos não se fecham.

Deito —
o corpo cansado,
o dia ainda preso em mim.

Pés gelados.
Olhos marejados de saudade.

Solidão.

O sono vem pesado,
profundo,
mas breve.

Cinco minutos.
Desperto.

Solidão.

Os olhos se enchem outra vez.
A boca seca.

Levanto.
O silêncio da casa
é um vulto —
assusta,
me reprime,
a alma quase abandona o corpo.

Deito.
Levanto.
Deito.

Repetição.

A madrugada passa.
E nasce
um novo dia.