O silêncio me olha de volta como um... Jorgeane Borges

O silêncio me olha de volta
como um espelho sem moldura.


Nele, o que cala fala mais alto:
pensamentos em desordem,
sentimentos sem abrigo,
palavras que aprenderam a sobreviver mudas.


A mente vagueia onde o corpo não foi,
repete cenas, refaz diálogos,
insiste em perguntas que não querem resposta.


E quando tudo ao redor descansa,
há um ruído íntimo e persistente
não é medo, nem dor exata,
é a alma pedindo escuta.


Talvez o silêncio não seja ausência,
mas o lugar onde a verdade
respira sem pedir permissão.