⁠Pai, se não puderes passar de mim... Alessandro Teodoro

⁠Pai, se não puderes passar de mim esse cálice, permita-me ao menos cuidar dos meus antes de sucumbir-me ao cansaço da alma. Há momentos em que a fé não implora... Frase de Alessandro Teodoro.

⁠Pai, se não puderes passar de mim esse cálice, permita-me ao menos cuidar dos meus antes de sucumbir-me ao cansaço da alma.


Há momentos em que a fé não implora o milagre da retirada do cálice, mas a misericórdia de adiá-lo por amor.


Não é a negação do sofrimento, mas o reconhecimento de que há responsabilidades que ainda pesam mais do que a própria dor.


Quando a alma se vê exausta, não é rebeldia suplicar por tempo; é humanidade.


É dizer: Pai, eu aceito o peso, mas deixa que minhas mãos ainda sirvam, que meu olhar ainda proteja, que minha presença ainda seja abrigo.


Pois, há dores que não escolhem hora, mas há amores que não aceitam partir sem antes cumprir o cuidado.


Cuidar dos seus, mesmo à beira do esgotamento, também é uma forma silenciosa de oração.


É fé traduzida em gesto, em permanência e renúncia…


Não se trata de heroísmo, mas de fidelidade: a fidelidade de quem sabe que o fim pode esperar alguns instantes quando o amor ainda precisa ficar.


E talvez seja nesse intervalo — entre o cálice e a rendição — que Deus mais se revele.


Não como quem afasta a dor, mas como quem sustenta o coração para que ele não se torne empedernido.


Porque às vezes, a maior graça não é ser poupado do sofrimento, mas não deixar de amar enquanto se sofre.