A mente, cativa de grades antigas e... Islene Souza
A mente, cativa de grades antigas e ausentes,
Despreza o agora, fingindo um futuro curado;
Mas como colher o amanhã, se as mãos negligentes
Carregam o peso doente de um corpo parado?
O medo do erro, raiz que no peito se entranha,
Faz da autossabotagem o seu mastro e guia.
A vontade de ir se perde na voz que estranha
O brilho do sol que o presente anuncia.
Mentes que transbordam um lixo de águas turvas,
Ocupadas de sombras que chamam "passado".
Seguimos a estrada em retas e curvas,
Buscando o saber, mas de si, exilados.
Nascer é mistério, morrer é o eterno aprender,
Em uma busca cega pelo que o mundo contém.
Triste é o homem que cansa de tanto saber,
Mas morre sem nunca saber quem ele é também.
— Islene Souza
