O Amor de Vitrine (Reflexão) Celebra-se... Islene Souza
O Amor de Vitrine (Reflexão)
Celebra-se o amor em calendários, mas nega-se o afeto no cotidiano. O que vemos hoje é o amor estático: um amontoado de palavras sem movimento, um sentimento sem entrega, uma promessa que não sobrevive ao primeiro defeito ou à primeira tempestade. É o amor sem ação, uma escultura de gelo que derrete ao sol da realidade.
Dizer "amar ao próximo como a si mesmo" tornou-se uma divagação poética, enquanto, na prática, o amor nasce e morre no espelho. O afeto esfriou. Criamos uma barreira onde a dor alheia não nos pertence; se não me dói a carne, por que haveria de me doer o espírito? Sob o império do egoísmo e da arrogância, o que resta é o eco de pessoas vazias.
Vazias de fé. Órfãs de Deus.
Até os templos, que deveriam ser refúgios de cura, tornaram-se praças de conveniência. Busca-se o status, o compromisso social de "estar presente" e o selo de "boa pessoa" através de trabalhos externos. Mas o coração permanece fechado para o compartilhamento real.
A verdadeira Igreja — aquela feita de carne, osso e espírito — está desbotada, sem vida e coberta pela poeira da indiferença. Há muito sacrifício ritual, mas pouco entendimento espiritual. No fim, o povo padece, pois prefere o conforto da ignorância ao peso transformador do verdadeiro amor.
Texto: Islene Souza
