A Máquina do Tempo Se existisse uma... Saulo Santiago

A Máquina do Tempo

Se existisse uma máquina do tempo, muita gente a usaria para voltar.
Voltar ao dia em que não falou.
Ao dia em que falou demais.
Ao dia em que ficou.
Ou ao dia em que foi embora cedo demais.

Mas a verdade é que ninguém quer mudar o passado por curiosidade histórica.
Quer mudar por dor.

A gente não sente falta do tempo.
Sente falta de quem éramos quando ainda acreditávamos mais, quando doía menos, quando não sabíamos tanto porque saber demais também pesa.

O passado costuma parecer mais bonito porque já passou.
Ele não discute mais com a gente.
Não exige decisões.
Não cobra coragem.

E o futuro… o futuro assusta.
Porque ainda não tem forma.
Ele pede escolha.
Pede risco.
Pede responsabilidade.

Talvez por isso tanta gente viva tentando apertar um botão invisível de “voltar”, enquanto a vida insiste em seguir para frente.

Mas e se eu te disser que a máquina do tempo existe?

Ela não tem alavanca.
Não faz barulho.
Não atravessa décadas em segundos.

Ela funciona em silêncio.

Toda vez que você aprende com um erro, você voltou ao passado sem precisar revivê-lo.
Toda vez que perdoa, você altera uma linha da sua história.
Toda vez que escolhe diferente, você reescreve o que parecia destino.

O nome disso não é viagem no tempo.
É consciência.

O ontem não pode ser mudado.
Mas pode ser compreendido.
E quando o passado perde o poder de doer, ele deixa de mandar no presente.

O amanhã também não está garantido.
Mas pode ser construído um gesto de cada vez, uma escolha de cada vez, um passo honesto de cada vez.

No fim das contas, a máquina do tempo mais poderosa que existe é esta:
o agora.

É nele que você decide quem não será mais.
É nele que você escolhe quem está disposto a se tornar.

O resto…
é só lembrança tentando ensinar
ou futuro pedindo coragem.