A vida ruim que você acha que tem… A... Saulo Santiago

A vida ruim que você acha que tem…

A vida ruim que você acha que tem é o sonho de muita gente.
Mas quase ninguém acorda pensando nisso.

A gente acorda pensando no que falta.
No salário que parece pouco.
Na comida que poderia ser melhor.
No calor que incomoda, no frio que irrita.
No dia que pesa, no corpo que cansa, na sensação silenciosa de não ser suficiente.

E está tudo bem.

Não há problema em se cansar.
Não há problema em sentir dor.
Não há problema em achar que é mal remunerado.
Não há problema em sentir que não é valorizado.
Não há problema em desejar uma comida melhor.

Sentir isso não te torna ingrato.
Te torna humano.

Você reclama porque conhece as próprias dores. Porque vive dentro delas. A dor ocupa espaço. O sofrimento estreita o olhar. Quem está no meio da própria tempestade dificilmente enxerga o horizonte dos outros.

Ainda assim, existe um contraste que insiste em existir.

Enquanto você se frustra com o salário, existe alguém que não tem salário algum.
Enquanto você critica o almoço simples, você conseguiu se alimentar — e alguém não teve nada para comer.
Enquanto você reclama do calor ou do frio, alguém está deitado em uma cama de UTI, sem saber que horas são, sem saber onde está, sem saber se volta.

Isso não invalida o seu cansaço.
Não diminui a sua luta.
Não apaga a sua dor.

Apenas amplia o olhar.

Porque a mesma vida que te esgota… sustenta.
A mesma rotina que te sufoca… mantém.
O mesmo chão que você pisa sem notar… é o teto que falta em outra história.

E há algo ainda mais silencioso que você talvez nunca tenha percebido.

Muita gente se espelha em você — e você nem faz ideia disso.
Muita gente te tem como referência — enquanto você acredita que apenas está sobrevivendo.

Você enxerga falhas.
Quem te observa enxerga resistência.
Você vê peso.
Alguém vê constância.

Mesmo achando que a vida é dura, você virou exemplo.
Mesmo achando que está falhando, você virou força.
Mesmo achando que não aguenta mais, você virou esperança para alguém.

Por isso, seguir em frente não é só sobre você.
É também sobre quem precisa te ver caminhando para acreditar que é possível.

Você não precisa ser perfeito.
Não precisa estar inteiro.
Não precisa acreditar em si o tempo todo.

Só precisa continuar.

E, quando der — sem culpa, sem cobrança —
seja grato.
Agradeça.

Agradeça pelo que sustenta, pelo que permanece, pelo que ainda está de pé.
Agradeça porque, mesmo em meio ao cansaço, há uma ordem maior que te mantém vivo, respirando, seguindo.

Deus — o Grande Arquiteto do Universo —
não constrói vidas sem sentido.
Mesmo quando você não entende o desenho,
mesmo quando as linhas parecem tortas,
há um propósito sendo erguido onde seus olhos ainda não alcançam.

Não porque sua vida seja perfeita.
Mas porque, mesmo imperfeita,
ela ainda é o sonho de muita gente.

E isso, por si só,
já é motivo suficiente para continuar caminhando.