REVELAÇÃO PROGRESSIVA E FELICIDADE... Marcelo Caetano Monteiro
REVELAÇÃO PROGRESSIVA E FELICIDADE POSSÍVEL.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
O pensamento exposto na obra “A Gênese” no capítulo 01 item 8 estabelece um princípio axial da razão espiritual. Toda revelação surge condicionada ao tempo histórico e à estrutura moral dos povos que a recebem. Não se trata de erro nem de fraude. Trata-se de ensinamento providencial. A verdade não se impõe de uma vez. Ela educa.
A experiência sempre compreendeu que o espírito humano necessita de mediações graduais. As religiões antigas cumpriram função civilizatória. Organizaram costumes. Disciplinaram instintos. Criaram horizontes de sentido possíveis àquela etapa da consciência coletiva. Exigir delas a totalidade da verdade seria anacrônico. A revelação plena seria incompreensível a espíritos ainda imersos no símbolo e no temor.
Esse mesmo princípio aparece com clareza rigorosa na questão 922 de “O Livro dos Espíritos”. A felicidade terrestre não é absoluta. Ela varia conforme a posição moral e intelectual de cada consciência. O que satisfaz um pode oprimir outro. O texto dissocia com precisão a vida material da vida moral. Na primeira basta o necessário. Na segunda exige-se consciência tranquila e fé no porvir.
Aqui reside a unidade profunda entre as duas passagens. A revelação é relativa ao grau evolutivo. A felicidade também. Ambas obedecem à mesma lei de progressividade. Não há contradição. Há continuidade.
A visão racional sempre afirmou que o homem amadurece pela experiência e pelo tempo. A razão espírita apenas sistematiza esse dado antigo. Não existem saltos na educação da alma. Existem degraus. Cada doutrina cada símbolo cada revelador ocupa o lugar exato que lhe corresponde na economia moral da história.
Quando se compreende isso cessam os conflitos estéreis entre crenças. Cessa também a ansiedade por uma felicidade total no plano material. A serenidade nasce do entendimento de que cada época recebe o que pode sustentar. Cada espírito goza da paz que consegue elaborar dentro de si.
Essa leitura preserva a dignidade do passado e ilumina o presente. Honra os que vieram antes sem absolutizá-los. Convida os de agora à responsabilidade interior. E reafirma que a verdadeira evolução não é ruptura. É fidelidade dinâmica à lei do progresso.
