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Apenas amar
Quem escreve que o amor
é fogo que arde sem doer,
não pode saber de amar
sabe apenas de escrever.
Para não viver amor platônico
idealizado e sem afeto,
se é para não doer este amor
terá apenas que ser completo.
Porém mesmo assim dói o amor
e muito o amor faz sofrer,
porque senão não é amar
é apenas uma miragem do ser.
O amor não pode ser singular
terá que concordar e ser conjugado,
ele passará a ser plural o amar
apenas quando por nós dois for amado.
Muda-se o ser, muda-se a confiança.
Nota: Trecho de soneto de Luís de Camões.
É verdade, disse uma voz que vinha de longe. É verdade que aquele garoto era indeciso e que não sabia o que era o amor, o que era amar. E não sabia o que queria dizer quando ouvia das bocas dos mais românticos ou via nas páginas de velhos livros que amor é fogo que arde sem se ver, que é ferida que dói e não se sente. Não entendia esse paradoxo triunfante que marca gerações com versos de Camões. Mas queria entender. Talvez por isso mesmo fosse sozinho. Não entendia o que queria, muito menos o que sentia… Talvez nem quisesse saber. O mais engraçado era ver como todas essas dúvidas se convertiam em corpo, som e movimento. O que tiver de ser será. Mas aquela voz não soava palavras ao vento. Ela projetava um corpo que sua, que dança, que ama.
