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Quis...
Somente me restaria querer
Tudo que de você nascia, querer a fantasia tão louca...
Sonhos e imagens sem sentido...
Vestígios tão nítidos, embaraçados no tempo e na imaginação
Por momentos e certezas que me restaria desvendar.
Querer...
Querer de teus olhos, vivos instantes nascidos na noite.
Quando gritos e gestos rasgando os espaços da fria madrugada, traziam de longe tantas frases...
Querer frases que restassem...
Verbos que calassem...
Lágrimas brilhando nas sombras, que ainda sufocam o meu peito.
Querer apenas o teu tempo.
Ao vento lançar-me nas asas que o desejo deixou existir,
Que os dias deixaram morrer, a razão não me deixou fingir.
E quis...
Unir minhas metades...
Minhas faces reveladas, somente o silêncio...
Mundos e submundos de cada um...
Cada um, cada nós...
Cada voz que morre no fundo de cada olhar.
E quis, por um só momento, toda a tua história...
Páginas de teu corpo que não encontrei...
Vida sentida de perto, como sentem corações...
Fui além das estradas...
Por caminhos sem motivos.
Vagando sem destino.
Por onde vagam pensamentos...
Por onde chegam emoções...
Partem tentativas e morrem pensamentos,
Sentimentos...
E palavras.
O negro dos teus olhos
Ah! Eu pude mergulhar no negro dos teus olhos.
Entre abrolhos, mas com todo amor que existe em mim.
E vi o fim da minha amarga solidão.
E o meu coração alegre, a sua porta abriu.
E se ouviu do teu amor, a canção do meu amor.
Como te amo divina e angelical mulher!
Todo o meu corpo quer ao teu corpo pertencer.
Eu quero ter a minha alma ligada à tua alma.
Porém, a calma esconde a nervosa ansiedade
Que invade e inflama o meu desejo.
Feliz, vejo que teu anseio é igual ao meu.
E que teu ser ofereceu, o que meu ser ainda quer.
Porque és mulher, e nascente para o meu amor!
E seja como for, eu nasci para te amar.
Ah! O negro dos teus olhos...
Que convite... não evite, que com o negro dos meus, ele se case...
Pois quase morri feliz, nos teus olhos a mergulhar.
E tu me ensinastes a ser puro também
E eu dormi no seu colo como criança sonolenta,
Na mais doce paz que só os anjos tem.
E deitado no teu colo, meu coração não acalenta outros desejos,
Pois não te vejo como os homens te vêem.
Eu te amo, sim!
Mas com amor mais puro e inocente.
De vez em quando, é claro que meus pensamentos se confundem,
E sinto então, o que todo homem que vive, sente.
Mas o desejo e a pureza brigam e se contundem.
E ainda no teu doce e aconchegante colo, deitado, vejo feliz,
Que estes teus dotes triunfaram.
E é assim que quero te amar.
Do pecado distanciado.
Porque foram eles...
Os teus dotes que me cativaram...
