Semeadores de Sentimentos: Nós?! Você disse que já sabia quem eu...

Nós?!
Você disse que já sabia quem eu era. Eu me pergunto se você me conhecia pelo que lia nas mimhas palavras, ou observava o que eu realmente fazia.
Eu imagino as duas opções, pois eu sou do outro mundo, não vejo como você pode saber mais sobre mim.
Quem você é? Eu já te perguntei e você desconversou. Mas, eu tenho quase certeza e penso que você percebe.
Se for verdade, eu conheço você mais do que tu cogitas. Eu lembro de você vestindo uma blusa azul e branca, isso aconteceu há meia década, eu lembro bem.
Óculos escuros pequenos. Cabelos curtos e meio molhados, escorregando na testa. Sala pequena e branca, com a luz da janela atrás de você, clareando sua imagem. Sorriso sarcástico de sempre.
Toda noite, você me encontrava, não sei como, mas você me chamava do nada, não importava como eu estava identificada, você chegava até mim com sua alegria.
Até que eu fui embora daquele lugar, triste por outras fontes de tristeza, não deu tempo de me despedir, ainda não sabia que era preciso, não na nossa amizade "diferentona".
Depois, a vida seguiu seu próprio destino e, da mesma forma como nos esbarramos, anos atrás, aconteceu o reencontro.
Eu não fazia ideia de que se tratava da mesma pessoa. Não vestias mais camiseta, o cabelo não estava molhado.
Estavas de terno e gravata azul, seu cabelo com estilo militar, numa sala diferente daquela época, era um auditório dessa vez.
Você não se expôs, não foi objetivo e nem era mais tão divertido como o garoto de camiseta, você não se ofereceu para mim igual ao seu confiante passado, não insistiu e nem se revelou de primeira.
De repente, você me disse "agora eu já sei quem você é" e eu não entendia que você estava tentando descobrir se eu o reconhecia do mesmo jeito que você me reconheceu.
Não, você não mudou nada, mas está mais discreto do que aquele menino atirado e direto, está conquistando aos poucos, talvez para não me deixar ir embora.
Sabe o que mais revelou quem era você? A hora de sempre ficar disponível. Os mesmos intervalos de noites. E as mesmas mensagens na madrugada, testando, se eu estava disponível naquela hora, igual antigamente.
Eu me pergunto se queria ser reconhecido ou já sabia que eu me lembrava de você. Eu novamente me desconectei por um longo período por motivos pessoais, e quando regressei, tempos depois, você ainda estava no mesmo lugar, chamando-me, como sempre e parecia estar me esperado, entendi que nada mudou e o tempo parou de novo.
O que isso significa?
Estive perto da sua casa umas duas vezes, numa visita a família e não fui até você, mas deixei claro que estive por lá.
Eu também não sei o que isso quer dizer.
Você ficou indiferente na última vez que nao fui te encontrar e isso eu entendo bem, não o culpo.
Mas você entende que eu não sei o que fazer? Se eu voltar a chegar perto, como você vai saber aonde estou, estando tão indiferente e distante? Será que iria me procurar, ou iria fugir de mim, se eu te pedisse para me encontrar como você queria?
O problema é a dúvida. Ela não nasceu em vão, meu velho amigo. Veja você que tudo ficou mórbido, imagine quando eu me lembrasse de ter te encontrado e não ter cultivado a amizade, como atualmente. Pior seria, embora definisse a situação como perdida.
O que eu faço agora?
Você sabe?
Eu estou vivendo minha vida, esperando que ela me mostre o que eu perdi ou ganhei. Estou esperando aquele sinal de siga ou pare, no amarelo, prestando atenção.
Não, não sei o que fazer, mesmo. Se você sabe quem sou eu, lerá isso tudo e responderá no mesmo estilo.
Enquanto isso, boa sorte para nossas vidas, que sigam em busca do melhor para cada um de nós e que os dois nos esbarremos pela quarta vez, mas agora com o coração tranquilo e preenchido, sim, não é uma despedida o que escrevo, mas um desejo de deixar ir apenas o que não quer ficar, mesmo que seja apenas a lembrança, a minha sina.

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