O PASSARO ETEREO: E o presente daquela manhã, foi um...

E o presente daquela manhã, foi um pequeno pássaro, na verdade um filhote de sabiá, recém retirado da natureza. O motivo? Ela gosta de sons melodiosos, vibrantes e suaves ao ouvido em consonância à sua partitura de viver. Embora muitos pássaros possuía, e todos eram mui belos em suas cantorias, o menino notara que eles viviam engaiolados, e talvez um canto belo era para disfarçar a falta de liberdade... Ele se arriscou, entrou sozinho na floresta, percorreu as copas das árvores, com seus olhos mais negros que a noite, ele avistou um canto, a mãe sabiá, saiu para buscar alimentos a seus filhotes. O menino raciocinou: ela tem os mais belos e vibrantes cantores, mas todos são presos, à primeira oportunidade de abrir a gaiola, eles alçarão voo para longe em busca de liberdade. Se levar esse filhote para ela, não estará eu cometendo uma mesma escravidão realizada por muitos? Após muito pensar, ele concluiu que se a pequena ave fosse criada sem gaiolas, desde filhote, na presença de amor e carinho, além de se tornar uma grande cantora ela seria livre para ir e vir, mas continuaria a ficar porque sentiria-se em casa. O presente foi magnífico, ela adorou, e o filhote teve um altar especial, um lugar sem grades - que muitos de nós desejam. Mas quando ele foi cantar, o que se ouvia eram grunhidos desafinados que arranhavam todos os ouvidos alheios. Um lindo presente, inocente e bem intencionado, mas por parva experiência, o menino não preveu que os mais belos cantos sempre advêm da crescente experiência e não da juventude inicial. A menina entendeu a boa ação do rapaz, não o julgou, pois sabia que com o tempo, o canto suave viria para alegrar seus dias. O tempo passou, as folhas caíam e viam, o pequeno pássaro adquiriu maravilhosas penugens mais vibrantes que as cores do arco-íris, e enfim ele cantou, encheu o peito e a todos emocionou. O pássaro agora adulto cantou tanto que seu olhar sempre voltado ao céu - como sempre fizera desde filhote - brilhou mais nítido do que nunca dessa vez. Nos intervalos de cada canto e após cada suspiro era no silêncio da plateia que ele ouvia seus próprios ecos lhe retornarem. Seus olhos sempre brilhavam embaçados ao ouvir seus ecos, pois eles eram singulares, únicos embora solitários. Mas como dito, o tempo passou, a plateia crescia pois todos queriam ouvir aquele canto único - que muitos diziam ser de um pássaro do Olimpo - de um pássaro mui belo. E o menino que sempre tinham em seu objetivo olhos nítidos, agora passava a tê-los embebecidos em lágrimas, pois sabia que a menina se emocionava a cada nota sonora provinda dente aqueles bicos semi-colcheados de sol, lua e tempestades de marte e ondas leves, breves e constantes...E que lágrimas vertiam dos olhos dela de tanta emoção. O presente era único e ele sabia disso desde o inicio. Nenhum dos pássaros ali presentes ousava desafiar o pequeno guerreiro pois sabiam que desafinados ficariam ante sua presença. E a diferença entre os cantos eram as grades - talvez as grades - pois mesmo sendo um excelente cantor, ele era ávido planador e explorados. Todas as manhãs eles aos primeiros raios de sol, sem dó rasgava os orvalhos da celestina manhã e buscava horizonte, e muitos criam que ele uma hora ia embora, mas o menino e a menina ante toda a desconfiança nunca acreditaram nessa possibilidade acontecer. E mais uma vez, em cima daquele mesmo tempo que passou, um novo tempo aconteceu. Nitidez, isso era o que igualavam todos. Mas ao passo que as crianças de olhos nítidos passam a embaça-los com lágrima, de lágrimas que embaçavam seus olhos a plena limpidez lhe veio. Enfim, de tanto fitar os céus, e no silêncio de tudo e de todos esperar ouvir seus ecos singulares, ele ouviu e viu e sentiu. Seus olhos estão enxutos, seu peito cheio de ar, suas penugens sem orvalhos, e tudo isso porque os ecos dessa nova manhã se singulares passaram a ser plurais. Seus ecos lhe retornaram, numa consonância perfeita junto à novos ecos iguais aos deles, únicos como os deles, singulares como os dele. Eram os cantos de seus pares, seus semelhantes. O eco que há tempo ele esperava escutar, não era o som perfeito e sim uma orquestra reunida de sua família, um coral perdido entre árvores, rios, dizeres humanos e ações animalescas. E quando a emoção de todos tomou conta, eles não enxergavam mais nada, pois não precisavam mais ver a beleza do canto, eles aprenderam a senti-la. E o pássaro voou para longe de todos e para perto de poucos que sempre lhe esperavam. O menino se entristeceu. O pássaro junto a sua familia se alegrou. E a menina compreendeu que um dia - embora não acreditasse nisso - que a hora tinha chegado. Ela sabia que todo pássaro criado livre sempre vai embora, mas ele só vai embora quando seu canto deixa de ser singular e passa a ser plural. Alguns voam de encontro à suas famílias e outros de encontro aos seus pares. Entres ações destras todos apreciam o caminho canhoto.

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Inserida por NHETOMIL