Ninna Carpentier: Segundo as leis da física, estar perto...

Segundo as leis da física, estar perto depende necessariamente da proximidade da matéria. Mas, cá entre nós, nem de Física eu gosto. Nunca gostei dessa exatidão explicativa. Afinal, jamais me senti tão unida a alguém que, apesar da distância cruel que nos separa, não se desgruda de mim nem tão pouco. Apesar de tantos pesares, ainda é leve por aqui.

Podemos ser uma mistura de quase tudo, menos matéria. É que eu não sei se vocês sabem, mas quando a coisa é de alma, pouco importa se os colchões estão separados: os corações não se deixam. Isso me enamora infinitamente mais do que as carícias físicas vazias às quais me acostumei a sentir antes de você aparecer.

O sentimento ignora os corpos que não se encontram. É isso que faz todo sentido! Embora, para os monótonos corações racionais, não devesse.

Me julguem, mas é nos seus olhos que eu não vejo, que eu encontro todas as minhas respostas. E todo dia a gente se abraça – porque abraçar não tem a ver com braços, tem a ver – por mais piegas que pareça – com coração. E que nos achem loucos – estamos acostumados, afinal. Do nosso amor a gente é quem sabe.

Não importa o quão difícil tem sido o começo, lembrar do teu rosto me faz sorrir como poucos rostos próximos ao meu já fizeram. Não importa o “não poder” quando o “querer” não cabe na gente. Não importam as lágrimas que a vida traz, quando a nossa alegria mora no outro.

Sossegue, meu bem: os começos mais difíceis estão para os finais mais felizes.

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Inserida por ninnacarpentier