É quando o ego acalma e o caráter é... Vilmar Becker

É quando o ego acalma e o caráter é questionado por si mesmo, o certo e errado se confundem, quando se procura aqueles seus tantos planos feitos e nunca nem iniciados, aquelas promessas frustradas e depara-se com a dura realidade do que não foi construído até aqui, do que foi tão somente expectativa e com o agravante das comparações e cobranças a que está exposto o tempo todo em todos os lugares.
As noites que eram seguras e silenciosas tornaram-se barulhentas, por escolha própria, para não ter que comparar com o silêncio imaginário das noites acompanhadas, ao barulho do ego que grita por não suportar a si mesmo, brigar com o próprio reflexo, baixar a cabeça para não encarar os próprios olhos, parece que o amor próprio aprontou das suas, mas só o reflexo do espelho sabia, e espera ensinar que nos olhos daquela pessoa do outro lado, sem maquiagens, sem desculpas, sem esquecer do outro lado de si, e é quando o tempo para, sem euforia, sem audácia, sem máscara, já sem coragem, é preciso travar a mais dura das batalhas, enfrentar a si mesmo, o pior dos inimigos, aquele que não conhecemos mas carregamos por todos os lugares, inimigo cruel que grita de ensurdecer em um silêncio pelas madrugadas sem festas, sem músicas, sem palavras, só pensamentos gritantes e irritantes do insuportável inimigo que criado dentro de si, faz fugir do amor próprio, de suportar a pessoa mais importante do mundo, e quando tudo começar a ser suportável, não se culpe pelo passado, pode ser, muito provavelmente, que, assim como eu, você cansou de carnaval e, agora, quer mudar a brincadeira.