DESLIZAMENTOS Esvai-se a plenitude da... Elizamar Lanoa

DESLIZAMENTOS

Esvai-se a plenitude da natureza
com choros de chuva, destruído
rios de lama escorrendo pelas montanhas
lares viajando dentre os caminhos de pedras

Geme o vento, traz transtorno
a fuga é eminente, deixa-se
o cachorro livre para que não
tenha um perecimento lento.

A secura é tão grande
que não cabe no deserto
de corpos presos na capa
da invisibilidade.

Não há lamúria tão pouco
rancor, não há o que fazer!
da amargura não se sente
o gosto, o dissabor da vida.

Busca-se o altruísmo
na expiação do outro
cabe um par de tênis
uma camisa rasgada

O frio não se sente
foi enrolado pelo
calor das cobertas
doadas pelo filho
da natureza

A espera dura,
dura mais que a revolta
pois a chuva passa
do vento resta calmaria
o estrago fica
na alma e na lembrança
de quem viveu o terror.

Dói o clamor da natureza
se oculta anos a após anos
o chamando.

Quem fica a mercê
são os esquecidos
pelos comandos
despreocupados