E ela veio, ela passou, ela ficou e ela... Paul Gambler

E ela veio, ela passou, ela ficou e ela se foi. Mas não, não nos meus pensamentos, não nos meus sonhos e nas minhas lembranças. Ela não se foi no meu ardente desejo de vê-la novamente, de abraça-la novamente e beija-la mais uma vez.
Ainda projeto a sua imagem enquanto as noites frias confundem os meus sentidos, ainda vejo o seu sorriso, escuto a sua risada e sua voz ecoando no vazio da minha mente.
Ando pelas ruas e a vontade de ver aquele rosto novamente é praticamente inevitável, por mais que eu queira, não tem como e talvez assim que deve ser, exatamente dessa forma, estranha.
Se eu fecho os meus olhos, são os dela que eu vejo, ali, me encarando, perco toda a vontade de abri-los novamente e voltar a realidade onde ela não existe. O que vi naqueles olhos, talvez ninguém um dia consiga ver, ou talvez veja e não faça a minima ideia de como interpreta-los. Se pudesse, trocaria olhares com ela a noite toda, sem falar nada, sem fazer nada, só a olharia, sem piscar uma unica vez.
Me vejo todas as noites dormindo ao seu lado, a acordando com suaves beijos no corpo todo. Fazendo carinho em seu rosto, a cobrindo no frio.
A sensação de que nos conhecemos a mais de uma vida aumenta a cada dia e não existem explicações plausíveis o suficiente que possam definir o que a vida insiste em não explicar, e no fundo, explicações já não são mais necessárias quando existe a certeza de que elas não mudarão nada.
E por mais que sinto ela se afastar, algo ainda me impede de fazer o mesmo, não existe distancia suficientemente capaz de me fazer desistir, não, talvez eu deva seguir até onde conseguir, até ouvir alguma palavra que me faça recuar e continuar a vida de onde eu parei, onde tudo era igual,onde minhas esperanças ainda não haviam sido renovadas e eu ainda não tinha a minima ideia de como era encontrar alguém que tornasse a minha vida tão mais interessante para se viver....