Beatriz Soares Bezerra: Ser só não é um defeito. Talvez estar...

Ser só não é um defeito. Talvez estar só seja. Ser só é uma qualidade. Só quem é só, sabe o quanto é ruim ter que agüentar tudo calado, quieto. Sem comentar, sem explodir. Quantas vezes você já não teve vontade de parar alguém na rua e chorar, chorar e chorar. Ser só é conviver com mil pessoas e ainda sim se sentir isolado, sozinho. A velha sensação de “é meu mas não me pertence”. As pessoas que estão só, na maioria das vezes estão só por opção. E as que são só, é por falta de tudo isso. E aqui estou eu, destinada a morrer calada de tanto falar. Eu já escrevi tanto, já mostrei tanto. Eu sou diferente, não falo com a boca... eu grito com meus atos. Eu bato com os abraços. Eu choro com os textos. Eu andei vazia de tão cheia que eu sou. Eu sou só. E a cada dia que passa acho que mereço um premio ou um dia de reconhecimento para mim. Ser herói é carregar a dor do seu mundo nas costas sem pedir ajuda. E isso é ser só. Então eu sou um herói. E o reconhecimento, cadê ?! eu não quero aplausos, eu quero paz. Eu não quero dinheiro, roupas, sapatos, jóias. Eu quero atenção, abraças, amor. Eu quero ser só o dia todo e de noite ter alguém do meu lado que pergunte “como foi seu dia? ” e que por favor, esse alguém realmente se importe. Só tem uma coisa que uma pessoa “só” não consegue agüentar, a carência. E eu sou tão carente. Mas é segredo. Sou carente de tudo. Sou tão carente que acho que é drama e esqueço. Eu sou só, e quem é só é forte, e gente forte não faz drama. Apenas vive. Fechado, calado, arrasado e com um sorriso no rosto. Feliz por ser só.

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