Fragmentos
As distâncias são medidas pela distância entre um coração e outro; é ele quem determina o longe e o perto.
Venha com as flores que vier...
Com as cores que tiver
Trabalhadas em detalhes
Consumados
Quero ser flor...
Ou serei fruto?
Sou amor quando é preciso
Sou queixume;
Sou ciúme...
Sou perfume,
em estado bruto
Sou cantiga...
Sou espiga ao nascer
No milharal,
Com cabelos coloridos
Vermelhos; roxos; lilases...
De cores tantas,
e lindas!
Que trazes,
porque enfim,
é primavera!
És bem-vinda!
Ainda posso vê-lo, com aquele sorriso debochado e um olhar de brilho triste.
Eu não pude desviar o olhar. Aquela tristeza cabia tão perfeitamente na minha.
Sobre o amor
Embora eu seja uma serie de "emboras", só tenho pensamentos de amor, porque talvez seja o amor a unificar as peças, os pedaços, os fragmentos e a fundi-los em ouro. E o amor sempre arma sua emboscada ao cair da noite. Amor com letras maiúscula, como escreve Petrarca, como um deus incógnito que, de repente, aparece no seu quarto para rabiscar tudo, remexer as suas vísceras e não lhe deixar alternativa a não ser ficar deitado olhando para o teto.
Penso que cada um desses pequenos brilhos que vemos lá em cima é um ser como um de nós, inteiro e solitário, seguindo seu próprio caminho
Senti um arrepio subir pela minha espinha, o frio e o calor se misturar e encher o meu estômago de um choque térmico instantâneo pelo seu olhar: ela estava encarando a minha alma.
Voei, voei para me afastar... Andei,
fui à milhas daqui...
Eu me agarrei às asas dos meus pensamentos intrépidos,
aqueles que acompanham o vento na velocidade das rajadas,
ou da luz!
Busquei, busquei à milhas daqui,
o que somente aqui havia...
O que só daqui, queria!
É onde está a minha cruz,
Aquela, que carrego e com ela
peregrino pelos tempos, desde então!
Aquela, que me fere, às vezes, ombro e coração...
Mas é parte de mim, e, me importa carregá-la,
e entregá-la,
no lugar de onde a peguei;
Ao lugar para onde voltarei,
após, cumprida a missão...
Ao invés de humanizarmos os animais não humanos, poderíamos pensar em domesticar o ser humano. Talvez, assim, diminuísse a selvageria que nos faz algozes, às vezes de nós próprios...
O tempo - que poderia trazer a aquietação das coisas para enfim, poder repousar a alma no ir e vir vagaroso das horas - não passa...
Estamos sujeitos a recaídas constantes. Assim seguimos, redirecionamos nossos passos involuntariamente. Assim são nossas ações como em um jogo de trilhas. Avançando casas e retrocedendo, embora, nem sempre na mesma proporção. Ora um passo avante, ora muito lá atrás quase a zerar tudo. Somos feitos assim, de inconstância e fragilidade...
Precisamos observar e abaixar sempre o nosso facho. Nosso ego não deve jamais ser maior que o perímetro que ocupamos...
Nossa liberdade começa, quando podemos escolher o certo, mesmo que todas as setas apontem para outra direção...
Sempre haverá pelo que lutar! Batalhas interiores, aquelas que ninguém vê... A cada manhã ao abrirmos os olhos estará ali um desafio a ser superado; um limite a ser transposto. E não é nem será mérito de ninguém! Todos nós temos. Todos nós passamos por isso. A vida não escolhe de quem vai exigir, a quem vai corrigir - embora muitas vezes estejamos cegos a essa correção... Às vezes não aprendemos nada do que ela quer nos ensinar e repetimos o mesmo erro indefinidamente. Nem o próprio “decorar” das lições nos ajuda... Mas ela não deixa de corrigir e cobrar...
E os sonhos não vividos...
Aqueles, que ficaram num cantinho a esperar [?]
Uma noite, apenas, ou um dia...
Irrelevante o tempo!
Quando só momento importa.
Caminho eu, pesado agora.
Tamanha bagagem que arrasto...
Depois de você...
Caminho eu, pesado agora...
E meu sol não tem mais cor...
Embora, me queime a pele...
E me provoque o suor.
Não me basta para me aquecer a alma...
Não me basta, para acalmar
meus intrépidos pensamentos!
Suave é a noite, ouço alguém dizer...
Então, por que, aos sobressaltos,
Tenho pressa de chegar?
Tenho pressa de partir?
Tenho pressa de esquecer?
Tenho pressa de dormir?
Tenho pressa de acabar... [?]
[...] agora eu estou falando como gente com os dois pés no chão. Gente que não complica; gente que, embora saiba que existem caminhos e voltas que a vida dá, sabe também que existem atalhos, atalhos que estão ali, com a finalidade de se encurtar os caminhos que são longos e não raro íngremes e cheios de pedras. Se for esperar por essas voltas, pode ser que nem aconteçam, ou demorem muito, ou ainda; aconteçam em um momento que não é mais nosso. Agora estou falando como gente que vive também momentos de lucidez e sobriedade. Gente que sabe ouvir não, mas gente que gosta de ouvir sim, às vezes, pra variar.
Nunca superestime ninguém. Nem mesmo você. Evite se sentir a última bolacha do pacote, sob pena de descobrir que não passou de farelo que, jogado ao vento, não serve nem para alimentar os pássaros, pois, sequer sabe onde vai cair...
