Fonte da Juventude
Quando você dá o crédito as pessoas que você dá a si mesmo, fica muito mais fácil perdoar e esquecer, desculpar, olhar o outro com a compaixão que você gostaria de ser visto, compreender e seguir adiante. Sentimento ruim encostado na alma é como o câncer que não reage a quimioterapia. Muitas vezes deixamos de seguir adiante para, ficar fazendo culto ao nosso sofrimento e regurgitar as nossas mazelas internas.
Os desígnios de Deus, embora muitas vezes nos pareçam estranhos e incompreensíveis, são traçados com um propósito divino e perfeito. Há um filme que assisto de tempos em tempos chamado *Os Pássaros Feridos*. É uma história única, uma saga que atravessa mais de 60 anos, narrando o romance proibido entre um padre e uma jovem comum.
A trama se inspira na lenda de um pássaro espinheiro, que passa a vida buscando o espinho mais afiado para empalar-se. E, ao fazer isso, entoa um canto incomparável, mais belo que o da cotovia e do rouxinol. É um canto sublime, cuja perfeição só é alcançada ao custo da própria vida.
Quantos de nós, ao longo da vida, não nos ferimos em espinhos dolorosos, conscientes de que, apesar da dor, esses momentos podem extrair o melhor de nós? Esse filme fala sobre renúncia, não sobre religião, e carrega uma mensagem profunda e universal. Recomendo com entusiasmo, pois é uma obra que nos faz refletir. Espero que, um dia, você tenha a oportunidade de assisti-lo.
Toda história que não é vivida em sua plenitude — seja interrompida por um acontecimento inesperado ou uma revelação marcante — carrega em si a essência de algo extraordinário. No íntimo de nossas emoções, temos a tendência de eternizar aquilo que, por não se concretizar, permanece envolto em mistério e beleza.
É como o exemplo atemporal de um amor não correspondido ou nunca vivido em toda a sua intensidade. O desconhecido, o inalcançável, ganha um brilho especial justamente por nunca ter sido desvendado. Há algo poeticamente sublime no que fica suspenso no tempo, naquilo que apenas o coração ousa imaginar e que jamais será ofuscado pela realidade.
Estou sentindo uma saudade tão intensa de você que chega a doer fisicamente. Aqueles amores que julgamos perfeitos, na verdade, são vestígios de experiências que não foram plenamente vividas, fragmentos de histórias que ficaram inacabadas.
São situações que experimentamos pela metade, deixando em nós um vazio que clama por completude.
A fé pode não sobrepujar o assombro da ignorância humana, mas é guerreira o bastante para desafiar o impossível.
Eu com meu próprio eu, só me preocupo em viver!! Eu com você ao lhe ver envelhecendo, enxergo minha miséria...
O tempo
Silenciosamente, desliza através dos ponteiros dos relógios dos Homens; que, desapercebidos de sua passagem, o ignoram para seguir em sua lidas diárias, contidas dentro do próprio (tempo), que flui...
Busco avidamente entender esta passagem, que desbota as cores e enruga nossos semblantes, lentamente ...
Não percebemos seu fluir, até que tenha chegado a derradeira hora da despedida, certa e devida a todos os Homens.
Ignoramos em nossa aflita e contida passagem, a percepção do existir, a importância do entender a preciosidade das horas contidas em nossos dias, nos meses, nos anos de nossas vidas...
Provedor de todos os acontecimentos da História desde os primórdios, nele estamos contidos inexoravelmente para uma jornada finita.
Tempo, nele contido estamos, por determinado maior ou menor traçado, a depender dos caminhos escolhidos ou determinados (?) para nossas existências.
Sigo buscando entender sua passagem...
Tempo, tempo, deslizas entre os minutos de nossas horas, vagarosamente...
Minando nossas energias vitais, embranquecendo nossos cabelos, dita-nos que o amadurecimento vem com o fenecer da matéria...finita matéria!
Enfim! És o pino da balança! Terminantemente provas, que todos os homens são iguais, em sua existência, fragilidade e finitude diante de teu passar...
Enfim, és o dono de toda existência contida em tua passagem!
Sigo buscando te entender...
Tempo, tempo, deslizas silenciosa e vagarosamente, ausente de fim!
O medo de reviver a dor muitas vezes nos impede de alcançar o amor que ainda habita em silêncio no coração.
De todas as tristezas vividas ao longa da jornada, elas conseguiram me ensinaram a entender hoje o motivo da minha felicidade.
