Fiz de Mim o que Nao Soube
Quão insignificante é o ser humano, acostumado a julgar-se o centro das atenções! E quão ingênuo podemos ser em nossa arrogância de SER! Afastamo-nos daqueles que nos criticam e cobram regras, mas amamos e nos aconchegamos naqueles que nos aprovam em tudo, sem perguntas, sem recriminações. Então, duplamente ingênuos o somos! Não percebemos que os críticos são aqueles que, verdadeiramente, se importam conosco; já os bajuladores são répteis que nos usam, enquanto nós servirmos aos escusos propósitos que eles alimentam...
Dez vezes maior que a intensidade de uma paixão obsessiva é a indiferente frieza que pouco tempo depois lhe sucede!
Eles se cruzavam na rua, nas festas, nos encontros de amigos, em eventos públicos e outros particulares. Eles trocavam olhares, mas nunca havia um diálogo. Os olhares deles diziam tudo: Ele precisava dela, e ela precisava dele.
Se voce considera normal que pais e mães espanquem seus filhos e isso seja chamado de disciplina educativa, então ignore a mínima possibilidade de que eu e você pertençamos ao mesmo mundo!
Observar a natureza e negar a existência de Seu Criador equivale a acreditar que as lindas melodias não tenham sido originadas de uma prévia alma compositora!
"Medite hoje sobre esta bela oração de Michel Quoist:
"É maravilhoso Senhor, ter braços perfeitos, quando há tantos mutilados!
Meus olhos perfeitos, quando há tantos sem luz!
Minha voz que fala, quando tantos emudeceram!
Minhas mãos que trabalham, quando tantas mendigam!
É maravilhoso voltar para casa, quando tantos não têm para onde ir!
Amar, viver, sorrir, sonhar, quando há tantos que choram, odeiam, revolvem-se em pesadelos, morrem antes de nascer!
É maravilhoso ter um Deus para crer, quando há tantos que não têm o consolo de uma crença!
É maravilhoso, Senhor, sobretudo, ter tão pouco à pedir, tanto a agradecer".
Nada me deixa mais envergonhado do que estar em paz com o mundo e em guerra com a minha consciência!
É bom atravessar o fogo da aflição, pois nenhum herói da resistência é formado nas águas cômodas da falsa paz!
Assim como os sapatos, os velhos amigos são sempre mais confortáveis do que os novos.
Insistir numa relação fracassada é tentar inutilmente aquecer o coração com um cobertor menor do que seu frio!
O crime perfeito
Em Londres, é assim: os aquecedores devolvem calor a troco das moedas que recebem. Em pleno inverno alguns exilados latino-americanos britavam de frio, sem nenhuma moeda para fazer funcionar a calefação de seu quarto.
Estavam com os olhos grudados no aquecedor, sem piscar. Pareciam devotos perante o totem, em atitude de adoração; mas eram uns pobres náufragos meditando sobre a maneira de acabar com o Império Britânico. Se pusessem moedas de lata ou papelão, o aquecedor funcionaria, mas o arrecadador encontraria as provas da infâmia.
O que fazer? Se perguntavam os exilados. O frio os fazia tremer como se estivessem com malária. E nisso, um deles lançou um grito selvagem, que sacudiu os alicerces da civilização ocidental. E assim nasceu a moeda de gelo, inventada por um pobre homem gelado.
Imediatamente, puseram mãos a obra. Fizeram moldes de cera, que reproduziam perfeitamente as moedas britânicas; depois encheram os moldes de água e os meteram no congelador.
As moedas de gelo não deixavam pistas, porque o calor as evaporava.
E assim aquele apartamento de Londres converteu-se numa praia do mar Caribe.
p. 181
E também nós tínhamos encontrado alegria naquela casa de repente amaldiçoada pelos ventos ruins, e a alegria tinha sabido ser mais poderosa que a dúvida e melhor que a memória, e por isso mesmo aquela casa entristecida, aquela casa barata e feia, num bairro barato e feio, era sagrada.
(A casa, p. 194)
E disse que dali para a frente era conosco, porque a sorte não ajuda quem não a ajuda a ajudar.
(O exorcismo, p. 196)
Os sonhos do fim do exílio/3
As lentes dos óculos tinham se quebrado, e as chaves tinham se perdido. Ela buscava as chaves pela cidade inteira, às cegas, de joelhos, e quando finalmente as encontrava, as chaves diziam que não serviriam para abrir suas portas.
p. 200
Só vive em busca do aplauso e do reconhecimento humano, quem esquece que nosso destino será selado pelo que Deus constata em nossos corações!
