Fiz de Mim o que Nao Soube
Talvez, se eu não tivesse cerrado meus ouvidos para as Arquibancadas, a Arena tivesse me Sucumbido.
Há momentos em que sobreviver exige uma espécie de surdez voluntária.
Não porque toda voz externa seja inútil, mas porque, quando estamos no centro da arena, há sempre quem torça pela nossa queda, quem exija espetáculo, quem confunda coragem com imprudência e quem, protegido pela distância, tenha certeza de como deveríamos lutar.
Às vezes, as arquibancadas são muito barulhentas.
Julgam sem carregar o peso da espada, aconselham sem sentir o golpe e comemoram tanto a vitória quanto a derrota — desde que o espetáculo continue.
Aprendi, então, que nem toda voz merece chegar até nós.
Algumas palavras esclarecem; outras apenas confundem.
Algumas críticas nos aperfeiçoam; outras pretendem apenas nos diminuir.
E há aquelas que parecem preocupação, mas são somente a expectativa de assistir ao nosso fracasso de um lugar confortável.
Cerrar os ouvidos, nesse sentido, não foi covardia.
Foi preservar dentro de mim um espaço onde ainda fosse possível ouvir a própria consciência.
Porque a arena não destrói apenas quem perde.
Às vezes, ela sucumbe quem passa tempo demais tentando corresponder aos gritos das arquibancadas.
No fim, talvez maturidade seja justamente isso: saber quando escutar, saber quando responder e, sobretudo, saber quando permanecer em silêncio — não por falta de argumentos, mas porque algumas batalhas terminam no instante em que deixamos de lutar para convencer quem já decidiu o que quer enxergar.
E talvez eu só tenha conseguido atravessar a arena porque, em algum momento, compreendi que o que gira em torno da minha vida não precisava ser um espetáculo para ninguém.
Não há
assuntos tão espinhosos que não possam ser debatidos;
há pessoas difíceis.
O problema, muitas vezes, não está na delicadeza do tema, mas na incapacidade de algumas pessoas de conviver com aquilo que contraria suas certezas.
Há assuntos que exigem cuidado, maturidade e até coragem para serem colocados à mesa.
Mas nenhum deles se torna realmente impossível enquanto houver disposição para ouvir, argumentar e reconhecer que o outro também pode ter razões.
O que torna uma conversa árdua não é necessariamente a controvérsia.
É o orgulho de quem transforma opinião em identidade, discordância em ofensa e questionamento em ameaça.
Para essas pessoas, debater não significa buscar entendimento; significa vencer.
E, quando a vitória se torna mais importante que a verdade, qualquer diálogo degenera em disputa.
Há quem confunda firmeza com intransigência e liberdade de expressão com licença para não escutar.
Há também quem só aceite o diálogo quando o resultado já está previamente decidido.
Nesse ambiente, até a pergunta mais honesta pode ser recebida como provocação, e a ponderação mais cuidadosa, como afronta.
Talvez por isso seja tão importante distinguir um assunto difícil de uma pessoa difícil.
O primeiro pode ser enfrentado com argumentos, conhecimento e serenidade.
A segunda exige limites.
Porque diálogo é uma via de mão dupla: pressupõe que ambos estejam dispostos não apenas a falar, mas também a serem afetados pelo que ouvem.
Não precisamos concordar para conversar.
Nem precisamos gostar da opinião alheia para respeitá-la.
E não precisamos transformar toda divergência em uma batalha moral.
Algumas conversas, quando terminam, não produzem consenso — produzem compreensão.
E isso já é o bastante.
Afinal, assuntos espinhosos podem ser desarmados pela inteligência e pela boa-fé.
Pessoas difíceis, porém, às vezes só se tornam possíveis quando aprendemos a não permitir que a dificuldade delas determine a qualidade da nossa própria postura.
O outro pode até confundir minha Solitude com Solidão, só não deve interrompê-la sem a Honesta Intenção de me oferecer Inteira Companhia.
Há uma diferença imensa entre estar só e sentir-se só.
Na Solitude, se experimenta a graça de se escutar; na Solidão, o drama de implorar para ser escutado.
A solidão pede presença; a solitude, muitas vezes, pede respeito.
Quem não compreende isso pode interpretar o silêncio como carência, o recolhimento como tristeza e a distância como um convite para invadir espaços que, naquele momento, são deliberadamente meus.
Solitude não é ausência de pessoas, mas presença própria.
É quando não preciso preencher cada intervalo com vozes, mensagens, encontros ou explicações.
É poder permanecer comigo sem experimentar a obrigação de fugir de mim.
E talvez uma das formas mais bonitas de afeto seja justamente compreender que nem toda porta fechada esconde alguém esperando ser salvo.
Por isso, não me incomoda que confundam meu silêncio com solidão.
O que me incomoda é que, ao suporem minha falta, me ofereçam uma presença pela metade.
Porque companhia, quando é verdadeira, não chega apenas para ocupar espaço: chega inteira.
Não exige que eu abandone minha solitude, mas sabe entrar nela sem profaná-la.
Há presenças que interrompem a paz e há aquelas que a ampliam.
As primeiras chegam por medo do nosso silêncio; as segundas chegam porque têm algo de verdadeiro a compartilhar.
E é dessas que não quero me proteger.
Se alguém pretende atravessar a distância que escolhi, que não venha apenas para impedir que eu esteja só.
Que venha disposto a estar comigo — de corpo, alma, escuta e intenção.
Porque, entre a solidão e a solitude, existe justamente esse critério: eu não preciso de alguém que simplesmente esteja presente; preciso de alguém que saiba estar por inteiro.
Não me preocupa um erro "gramaticau" se o raciocínio é inteligente. Um tempo verbal pode ser sempre corrigido, um idiota não.
O problema dos arrogantes é a "síndrome da abelha", querem ser rainhas, mas não passam de meros insetos.
O pior cego já não é aquele que não quer ver, mas aquele que acha que vê. Não querer ver é opcional, achar que vê é estupidez.
É deveras surreal, a sociedade insistir em condenar as mulheres que não querem ter filhos, mas tolerar descaradamente os homens que mesmo tendo, escolhem não serem pais.
Saibamos aproveitar o primeiro domingo do ano para não termos a insolência de culpar a primeira segunda-feira pelo cansaço das comemorações.
Nunca foi sobre oferecer flores.
No Dia Internacional das Mulheres, sempre foi sobre não oferecer espinhos nos outros 364 dias do ano.
Não costumo me encontrar com todos que amo no Natal, mas sempre que me encontro com quem amo, costumo encontrar o Natal.
Nunca há despedidas fáceis, sobretudo daqueles que não tem o nosso sangue, mas tem aquele que o bombeia.
Aos que já aprenderam a namorar sem apossar: feliz Dia!
E, para não ter que ficar voltando aqui toda hora para postar fotinhos, deixo aqui minha foto com a minha Melhor Amiga, Amante, Namorada, Esposa e Mãe dos meus Filhos.
Feliz Dia dos Namorados para todos nós, no mesmo par!
