Fiz de Mim o que Nao Soube
Guardo tua voz como trilha sonora antiga, dessas que ainda emocionam,
mas não combinam com o agora.
Não há raiva aqui, só um carinho maduro, que entende que ficar também pode ser ir embora.
Então este é o último episódio
de “nós”, sem promessas,
sem reprise, sem volta.
Aperto o stop com lágrimas
calmas e verdadeiras,
e sigo — levando amor,
mas escolhendo paz.
E hoje entendo:
despedida nenhuma
apaga o que foi real.
Se não houve adeus, foi porque ainda há laço, um fio invisível
que me liga a você,
onde o amor continua…
mesmo em silêncio.
Não foi o inimigo que me quebrou,
foi quem jurou ficar.
As feridas que carrego
não vieram da guerra,
vieram do amor usado como faca,
de palavras que entraram sorrindo
e saíram rasgando.
Meu coração
não tem cicatrizes de ódio,
tem cortes de afeto mal usado,
tem marcas de quem entrou como abrigo e saiu deixando escuridão.
Aprendi tarde:
algumas pessoas não matam o corpo, matam a luz.
E essa morte
não deixa sangue…
deixa ausência.
O que sustenta um relacionamento
O que sustenta um relacionamento
não é só o amor que chega bonito,
é a escolha diária de ficar
quando seria mais fácil partir.
É o respeito que segura a palavra,
o silêncio que não vira desprezo,
é saber ouvir a dor do outro
sem transformar amor em disputa.
Sustenta-se no cuidado dos gestos simples, no “estou aqui” dito sem alarde, na paciência que entende o tempo e na lealdade quando ninguém vê.
Porque amar é fácil quando tudo floresce, difícil é regar quando o chão está seco, e só permanece quem entende que amor se constrói…
não se promete.
Se não fosse ex
Se não fosse ex,
seria ainda atual, seria mensagem debom-dia sem medo,
seria o costume bonito de te ter por perto como quem nunca aprendeu a dizer adeus.
Se não fosse ex,
Teu nome ainda moraria
no lado mais calmo do meu peito,
onde o tempo passa devagar
e o amor não precisa se explicar.
Se não fosse ex,
Seríamos presente, não lembrança que dói e aquece ao mesmo tempo, seríamos planos simples, risos soltos, uma vida acontecendo
Sem pressa.
Se não fosse ex,
talvez eu ainda fosse casa,
e você, vontade de ficar.
Sob o capuz da noite, teu olhar me encontra, tenso como a corda do arco antes do destino.
Não miras apenas o alvo distante
— miras o que em mim
ainda não sabe fugir.
Teus dedos firmes seguram o silêncio, e a flecha, hesitante, aprende o caminho do desejo.
Entre guerra e sombra,
teu peito bate como quem
ama sem pedir permissão.
És guardião do que não se diz,
herói de um amor que caminha
às escondidas.
E se um dia tua flecha me atingir,
que seja no ponto exato onde
mora o “fica”.
Porque mesmo em meio à luta,
teu gesto revela:
há corações que só se rendem
a quem sabe mirar com cuidado.
Quando o seu coração foi estilhaçado e remodelado em algo que já não parece normal dentro do seu próprio peito, perdoar soa como uma palavra sem sentido no meio de uma conversa.
Vencer com o Bem
Não carrego a vingança nas mãos,
nem afio o ódio no silêncio do peito.
Entrego a Deus o peso da justiça,
porque há batalhas que não são do meu jeito.
Quando a dor pede resposta em grito, aprendo a responder com oração.
A ira que o mundo quer que eu abrace eu deixo escorrer pelas mãos da redenção.
Se o inimigo vem faminto de amor,
é pão que ofereço, não desprezo.
Se chega sedento de paz,
é água viva que derramo sem medo.
Pois sei:
o bem que nasce do perdão
arde mais forte que qualquer punição.
São brasas que queimam a consciência, não para destruir,
mas para trazer reflexão.
Não me deixo vencer pelo mal que machuca, nem pela sombra que tenta ficar.
Eu venço quando escolho a bondade,
quando deixo Deus julgar.
Porque a justiça não falha em Suas mãos, e o amor sempre vence no final.
Quem caminha com o bem no coração nunca perde
— mesmo ferido pelo mal.
Deixa o vento soprar o que não ficou,
Deixa o tempo levar o que não brotou.
Se não floresceu, não era estação,
Se não permaneceu, faltou coração.
Guardei silêncio onde havia querer,
Aprendi que amar também é ceder.
E no espaço vazio que ficou em mim,
Planto esperança
— recomeço, enfim.
P.silva3
Feito de Teixo
Feito de teixo,
não dobra fácil.
Aprendeu cedo a ser madeira firme
enquanto o mundo testava o peso.
Carrega flechas que não disparou,
dores que não nasceram nele,
mas que aceitou guardar
pra ninguém sangrar ao redor.
É arqueiro que vigia em silêncio,
olhos atentos mesmo quando cansam, corpo erguido no
meio do colapso
— não por heroísmo,
mas porque alguém precisa ficar.
Quando tudo racha,
vira apoio.
Quando todos falam,
escuta.
E quem encosta
sente segurança
sem saber por quê.
O erro foi aprender a ser muralha
antes de aprender a pedir abrigo.
Confundiu força com solidão,
resistência com fechamento.
Mas ainda permanece de pé.
Marcado.
Mais denso.
Inteiro.
Palmeiras
Verde que não é só cor,
é promessa,
é peito aberto cantando no escuro do estádio.
Cada passo no gramado carrega história,
cada grito na arquibancada vira destino.
Forjado na luta, gigante no silêncio,
vence quem aprende a cair sem perder a fé.
Quando o jogo aperta,
o coração responde:
ser palmeirense é ficar
quando todos duvidam.
Há títulos, sim
— mas há algo maior:
o laço invisível entre gerações.
Avô, pai, filho, o mesmo escudo no peito, omesmo amor que não se explica, se herda.
E quando a bola beija a rede,
não é só gol
— é catarse, é lágrima, é chão tremendo.
Porque esse verde não passa,
ele mora.
Aprender a ser delicado
Ela é poesia que não pede rima,
é beleza que acontece sem esforço,
como se o mundo tivesse parado
só pra aprender a ser delicado nela.
O olhar carrega um carinho tímido,
desses que chegam devagar
e ficam.
Quando encontra o meu,
o tempo desacelera sem avisar.
O sorriso…
ah, o sorriso.
Não promete nada,
mas entrega tudo:
calma, desejo manso,
vontade de permanecer.
Ela é o tipo de pessoa
que não se esquece fácil.
Porque não passa —
ela marca.
E quem sente,
sente fundo.
Escreves
Tuas palavras me encantam
Tua leveza me atrai
Não sei como resistir
A força de mim se esvai...
Escreves como um sábio
Que do amor entende tão bem...
Da vida e tudo ao redor falas
Mas és das paixões refém..
Queria dar-te o que procuras
Mas temo não te-lo em mim
Queres o amor que cura,
E eu afasta-lo enfim...
No amor já não acredito
Da paixão já me desvencilhei...
Hoje eu cultivo amizades
São melhores do que pensei.
- Pekenah...
O amor me amou
O amor me amou
quando eu já não sabia ficar,
sentou ao meu lado no silêncio cansado, fez morada no que em mim era medo e chamou de lar aquilo que eu chamava de fim.
O amor me amou
sem pedir forma ou promessa,
tocou minhas falhas com mãos pacientes, ensinou que até o que dói pode florescer quando alguém escolhe ficar.
O amor me amou
— e nisso eu renasci:
não inteiro, não perfeito, mas verdadeiro, aprendendo que ser amado, às vezes, é simplesmente
existir sem fugir.
