Fiz de Mim o que Nao Soube

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O amor maduro não promete eternidade porque conhece a contingência; promete apenas presença enquanto a liberdade de ambos puder sustentá-la.

Cuidar de si não é necessariamente colocar-se acima dos outros; muitas vezes é apenas recusar-se a desaparecer abaixo deles.

A pobreza mais profunda não consiste em possuir pouco, mas em jamais possuir o bastante porque o desejo sempre encontra uma nova falta.

Começa a viver antes que a vida termine: não deixes que o futuro imaginado consuma o presente real, pois cada dia desperdiçado desaparece sem deixar ao homem uma segunda versão de si mesmo para recuperá-lo.

A vida exterior pode impor acontecimentos que não escolhemos, mas nossa interpretação deles continua sendo uma das últimas regiões de liberdade que nos pertencem.

Não são apenas as dificuldades que exigem coragem; muitas vezes é a ausência dela que transforma obstáculos possíveis em destinos aparentemente inevitáveis.

A verdadeira interdisciplinaridade não consiste em conhecer muitos assuntos, mas em perceber as relações ocultas entre eles. O pensamento mais fértil nasce quando uma disciplina atravessa a fronteira da outra e, nesse encontro, ambas deixam de ser exatamente o que eram. Não é amplitude temática. É arquitetura de conexões.

A verdadeira interdisciplinaridade não é acumular saberes, mas colocá-los em tensão até que produzam perguntas que nenhuma disciplina, isoladamente, seria capaz de formular.

O conhecimento cresce não apenas quando aprofundamos uma disciplina, mas quando permitimos que ela seja atravessada por problemas que pertencem, aparentemente, a outras.

Não há verdadeira interdisciplinaridade quando diferentes saberes apenas coexistem; ela surge quando um saber modifica a maneira pela qual compreendemos o outro.

A inteligência interdisciplinar não procura um lugar para cada ideia; procura as relações que fazem ideias aparentemente distantes pertencerem ao mesmo problema.

O espírito renascentista não escolhe entre arte e ciência; procura o ponto em que ambas começam a explicar o mesmo mistério.

A inteligência verdadeiramente livre não habita uma disciplina: atravessa seus corredores como quem percorre uma cidade sem reconhecer fronteiras entre seus bairros.

O mundo não foi dividido em disciplinas; fomos nós que desenhamos essas fronteiras para tornar inteligível aquilo que, em sua origem, era inteiro.

Nunca vou ceder e andar de mão dada com a hipocrisia viver amores que não são amores prefiro o Barulho da minha Solidão!
Mary Gonçallves!

A verdadeira inteligência não está apenas em pensar, criar ou conquistar, mas em sentir. Nenhuma máquina substituirá a empatia, a bondade e a capacidade de reconhecer, no outro, alguém que também sente, sofre, sonha e espera.

Uma mente ampla não coleciona conhecimentos como objetos; organiza-os como constelações, procurando a figura invisível formada entre eles.

O verdadeiro erudito não é aquele que possui muitas respostas, mas aquele que reconhece parentescos onde os especialistas enxergam apenas distância.

A curiosidade renascentista não perguntava apenas “o que é isto?”, mas “com que outras coisas isto se parece, se relaciona ou se transforma?”.

Eu não vejo o vento;
Mas sinto o seu sussurro como um lamento;
Quando as árvores se balançam e suas folhas se arrancam;
Observo queno vento é potente, é forte e raivoso;
De repente se acalma;
Se torna suave, balança meus cabelos, me refresca.
Este vento!
Que balança o mar e movem os barcos;
O vento que assusta e ao mesmo tempo encanta.
O vento que afugenta;
O vento que trás catástrofes é o mesmo vento que nos acalma.
Vem do oeste a leste.
Atravessam os trópicos da Terra;
Nos traz frio, nos traz a brisa.
O vento carrega coisas e nos trás a brisa.
O vento carrega coisas e nos trás a chuva, que nos limpa, nos renova.
O vento nos seca;
Ao mesmo tempo ele é vida, é riqueza.
É o ar que sopra onde quer.
Fico sem saber da onde vem, ou para onde vai.