Fiz de Mim o que Nao Soube
Se não houvesse as leis e os costumes, a situação continuaria na mesma, já que estes são o resultado das condições em que o povo vive. Se fossem suprimidas as leis, todos saberiam o que fazer, ao se terminarem os costumes, as pessoas arranjariam outros.
Não existe a realidade por si só, ela precisa ser construída para funcionarmos, por isso ela só existe na mente do homem.
Aparentemente não há saída. Tudo o que é rebelde, que contraria, já está previsto e acaba produzindo o contrário do que se propunha. Assim, os conservadores dominam a tudo e a todos. Mas isso não é verdade, esta engenhoca humana morreria se não fossem por nós, os criadores de problemas, os que propõem o impossível e não querem saber de nenhuma solução. Antes disso, quanto mais atrapalharmos, mais agitamos as formigas laboriosas de coisa nenhuma. Viver assim é uma doçura, ao incomodarmos criamos uma alergia, um mal estar que vai gerar frutos que nunca veremos. Somos os semeadores da morte do senso comum.
Não adianta fugir porque a felicidade não está aqui, nem adiante. Ela é o reconhecimento de si mesma.
Não há como desenvolver a inteligência. Não é questão de tempo, de medida, mas de como a mente está organizada. A inteligência é a qualidade da percepção.
Se não estamos cientes do passar do tempo, o senhor das horas nos rouba a noção de movimento e nos subtrai a medida do que passou.
O dia se repete infinitamente, a não ser pelos pontos chaves, em que podemos modificar o looping. Para saber quando mudar, isso só usando a intuição.
A boiada
Aqueles que falam bem calam os que não juntam argumentos. Os bons fotógrafos cegam quem não se preocupou em ver. Os artistas treinam a sensibilidade para embotarem os descuidados. Os políticos controlam os que não se controlam. Todos esses arrotam a sua excelência para mostrar a nossa insignificância. Nós aplaudimos. Nós precisamos dos fortes, dos espertos, dos inteligentes, dos poderosos. Precisamos que mandem em nós. Nós não temos a capacidade de dirigir as nossas vidas, precisamos do cabresto, da exploração e da chicotada. Nós, os feios, admiramos a beleza. Nós, os idiotas, reverenciamos a genialidade. Nós, os desnorteados, seguimos os que encontraram o caminho.
O manual
Se tu és burro, sem imaginação e não suporta isso, escreve. E em quantidade. Lança um jorro de estupidez sobre o mundo através de muitas e muitas palavras. As pessoas vão ficar muito impressionadas. Quanto menor o conteúdo que o teu texto tiver, maior ele deve ser. Abusa das expressões “idiota”, “estúpido”, “inepto” e todos se identificarão contigo, pessoa da mais alta inteligência. Carrega nos paradoxos, eles não querem dizer nada, mas impressionam. Usa palavras vistosas para esconder a tua fraqueza mental. E o melhor: a autocrítica. Faz com que todos pensem que estás falando de ti, quando na verdade estás criticando os outros.
Amor
Há quanto tempo me desejo, mas tinha medo do desejo porque não me reconhecia. A solidão é quando estamos perdidos de nós mesmos. Compreendo o mundo, é como uma garrafa que jogamos no oceano, é a esperança de encontrar maior riqueza além de nós, naquilo que não viveríamos se não soubéssemos usar o desejo.
