Fiz de Mim o que Nao Soube

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Se a hipocrisia não fosse comestível, os humanos engordariam a sinceridade e definhariam a insensibilidade.

Não te apresses a encontrar a felicidade; apressa-te sim, em ser feliz.

Não sejas como a pérola, enclausurada na introspecção da beleza; desobriga-te, e conhece todo o oceano.

O voluntariado ensina-te a não esqueceres que és humano e a lembrar que dinheiro, superfluidades e futilidades são componentes também dispensáveis; posto isto, aprendes a noção de tempo em prol do tempo de outro ser humano. Contribuindo com um imensurável ato de amor, minimizando a solidão urbana e maximizando a verdadeira essência da tua existência.

A pintura e a música são dotes de inteligência humana em que os deuses não interferem.

O planeta Terra
não é imortal.

Queres vir jantar
à minha casa hoje?
Olha, traz o vinho
e não te esqueças,
vem despida a rigor.

Tu


Tu és o poema que não ouso escrever, mas que o meu coração declama-o em segredo.


Tu és o segredo do meu corpo
quando ele pede mais.
Cada suspiro meu, tem a tua pele ,
cada gemido, a tua eternidade em mim.
Tu és o fogo que me devora
e a calma que me consome depois.
Quando tu me prendes ao teu corpo, sou infinito.
Dentro de ti, descubro que o amor
também sabe ser vulcão .
O teu calor envolve -me inteiro,
as tuas unhas riscam o meu desejo,
e dentro de ti, vagarosamente,
afundo-me cada vez mais fundo.
Não há palavra — só o choque,
o atrito, a explosão de nós dois,
quando o mundo se dissolve
no momento em que
juntos gememos um verso de fogo.

A espiritualidade não exige templos,
é a arte de habitar o agora,
a profundidade onde se
reconhece o mistério da vida.

Quando estou
dentro de ti:
não sou apenas corpo,
sou alma que encontrou o infinito.

Não ando sozinho,
carrego comigo a
humildade, sabedoria
e a proteção dos que
vieram antes.

Quem entende
a profundidade da
caminhada,
não teme o desvio.

Um coração
que rejeita
o outono
não aprende a
amadurecer a dor.

Bruxo/a
caminha
entre os ruídos
do mundo não físico
e escuta o que
não se diz:
a respiração
da Natureza.

O amor não é clausura — é voo que se faz a cada amanhecer.

Natal




Natal não é a data que aparece no calendário, mas o silêncio de alguém
que se aprende a escutar.
É pão repartido antes de ser explicado, é perdão antes de ser merecido, é a ética simples de um gesto pequeno que salva mais que discursos bem vestidos.
No ponto máximo da humanidade,
o sentido acontece.
Natal não termina à meia-noite.
Ele começa quando alguém escolhe ser luz num mundo mascarado de bondade, e o homem, por um instante, aprende que existir
é caber no outro.
Amar, depois do Natal,
é continuar o milagre de aprender
a partilhar quando o mundo grita.

O Natal acontece
para percebermos
que o sentido da vida
não se compra, constrói-se.
E que o Amor é
o melhor embrulho.

As pessoas são desonestas, insensíveis, invejosas, e falsas. Os humanos não fazem parte desta corruptível equipa.

A sabedoria está em não controlar a energia, mas em a escutar. Reconhecer quando a mesma pede expansão, quando exige recolhimento, e perceber que pensamentos e desejos não são coisas, mas sim fluxos.

O relógio marca a velocidade do tempo, mas não consegue soletrar
a velocidade das ausências.