Fios
Na teia do tempo, nossos fios se cruzaram,
Um amor ardente, memórias que não se apagaram.
Mas a vida, em seus labirintos, nos desviou,
Pessoas erradas, caminhos que a dor guiou.
Em meio à névoa do passado, um reencontro sutil,
Olhares que se buscam, um amor febril.
As cicatrizes do tempo, marcas de aprendizado,
A certeza de que o amor, jamais foi apagado.
Amores errantes, almas que se perderam,
Na busca incessante, por laços que não floresceram.
Mas o destino, em sua ironia, nos uniu outra vez,
Para mostrar que o amor, é o porto que nos fez.
O tempo cura, mas a chama ainda arde,
Um amor que renasce, em cada olhar que se evade.
E mesmo que a vida nos tenha separado,
O amor verdadeiro, jamais será apagado.
O homem não tece a teia da vida; é antes um de seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.
E minha mãe penteava os cabelos, fazendo os fios escorrerem com o tempo. Lembro de perceber no reflexo do espelho a delicadeza de ser mulher.
Vivendo uma vida de fantoche,
preso aos fios da vontade de alguém.
Minhas escolhas não me pertencem,
temo ser vista como a vilã também.
Canso de lutar contra o invisível,
às vezes só respiro pra não desabar.
A dor no peito é um nó constante,
aperta, insiste não quer soltar.
Cercada de vozes, risos, presenças,
e mesmo assim, um vazio sem fim.
Finjo amar a solitude que me cerca,
mas o que habita em mim é solidão, enfim.
Carrego feridas que ninguém nota,
sangram em silêncio, discretas, fiéis.
Não matam, mas doem como cortes na alma,
lembrando o quanto ainda sou frágil e real.
Há dias em que sorrio, inteira, viva,
em outros, sou só sombra e saudade.
Dói ver o espelho refletir um eco,
sem ninguém em quem confiar de verdade.
No fundo, o que mais desejo é simples:
ter as rédeas do meu próprio ser,
calar o caos, tocar a paze finalmente... viver.
O que é a vida?
A vida é um emaranhado de fios
Ela é um pulsar no peito, um arrepio
Ela tem cores, sabores e desamores
Ela é certo e errado, ela é presente e passado
Ela é claro ou escuro
Ela é presente e futuro
O que é a vida?
A vida é uma grande fusão
Mistura de ódio, amor e paixão
Mistura de surpresas, destinos e pressão
Mistura de coisas que se escorrem pelas mãos
O que é a vida?
A vida é um começo meio e fim
Tem nela dores, amores e medo
Tem nela beleza, liberdade e desejo
Tem nela rotina, cansaço e apego
O que é a vida?
A vida é ampulheta
A vida é arte
A vida é bela
A vida é parte
A vida é luz
É sol, é mar
É frio é calor
É saber amar
É feia e linda
É aqui, é agora e ainda
É ser ou estar
É ir ou ficar
É crescer e viver
É pertencer e crê
É nascer e morrer
É dádiva é prazer
É pra mim e pra você
A vida é viver.
Nietzsche não é meu inimigo.
O Amor Fati foi sempre a minha Guia —
fios de Ariadne.
Wagner foi seu labirinto.
E assim, sua morte, absurda,
se encontra com a de Heráclito.
"Tecei, Tecei histórias com fios de esperança,
Costurando sonhos na tessitura da vida..."
Daniela Arfelli
O que queres poeta?
Quero a leveza do vento que entra pelos fios dos meus cabelos em preto e branco.
Quero a verdade das crianças, a beleza das rosas vermelhas e ficar corada por amar demais.
O que queres poeta?
Quero me sentir desejada, amada, querida e admirada, ser o lugar que ninguém é, um lugar que só eu posso ser, e sou.
O que queres poeta?
Que o relógio pare, toda vez que eu amar e me sentir amada, mais nada.
Nildinha Freitas
Na Teia
Pelas vibrações dos fios,
há um inseto a debater-se
naquela teia, refém.
Domínio daquela aranha
que de forma calculada,
é prisioneira também !
Poema de J.A.Lopes
TRANÇA-ME, NÊGA
Os dedos da preta que trança meus fios de cabelo crespo (diante de uma vida dura)
ao mesmo tempo que puxa,
fazem um cafuné.
Os dedos sambam sobre o embaraço/ os cachos.
Os dedos correm como o Pelé.
Sua mão é delicada, me sinto cuidado. (Adupé)
Ela tira o nó com maior amô,
Não me prende. Não raspe!
É uma tecelã.
Rir, faz massagem, conta histórias...
Seu timbre de voz cheira hortelã.
A oralidade nos seus lábios, precede à escrita no papel (todos a escutam).
Ela lava meu cabelo com água misturada com mel,
fulô e maçã.
O caminho de volta é a ancestralidade, baiano.
Que até Caminha, Cabral se perdeu numa manhã.
A caravela do seu navio não achou um só fio da minha juba,
Ficou boiando!
Salve, Zumbi dos Palmares!!!
Na minha terra tem palmeiras,
favela, quilombo, roça, aldeia, ribeirinho
Onde canta o povo brasileiro afligidos.
Os pombos daqui gorjeiam o Estados Unidos.
A Beatriz Nascimento, daí ouvidos!
A nêga faz traça para comunicar várias coisas: avisar a época da colheita, quantos filhos a outra tem,
E quando quer casar também.
Salve! Minha preta nagô!
Salve! Minha nêga nagô!
Os pretos estão se amando!
Daria um filme...
Caetaniando:
“Quando essa preta começa a tratar do cabelo
É de se olhar toda a trama da trança, trança do cabelo
Conchas do mar, ela manda buscar pra botar no cabelo
Toda minúcia, toda delícia”.
"A convivência é a tecelagem de Deus. Ele usa os fios de cores e texturas diferentes — que são as pessoas — para criar o desenho exato que a nossa alma precisa vestir."
Amor meu... Hó meu amor!
Costurei-me com fios de sangue que fortaleceu os nossos laços de afetos nos tornando tolerantes
Espero-lhe para o seu pousar.. esperar e esperar, vem em mim... Ter seu descansar
Às vezes eu gosto de ouvir você cantar
Canta... Canta... Eu quero te amar!
Abra suas asas e ganhe os céus, pois amar o individual
Nem sempre tira o véu...
Mas ainda sim tira-me a vontade de não querer estar acompanhado
Porque uma das coisas melhores da vida... É está apaixonado;
Às cinco, o verão despejou seu alívio breve
em fios de água densa, cortando o ar quente.
Um banho de frescor, um instante de sono
que a tarde cansada guardava em sua mente.
Às seis, o silêncio molhado se instalou.
O mar parou em tons de chumbo e de segredo,
como um pensamento pesado, refletindo
o céu que agora era doce, era rosa, era medo.
Que mistério é esse, que a chuva nos deixa?
O temporal passa rápido como um susto,
e no rastro da água, uma cor surpreende:
o horizonte pintado num tom quase injusto.
Rosa sobre o cinza, suavidade sobre peso,
a luz brinca com a sombra que a chuva trouxe.
É o contraste que ensina: após o aguaceiro,
o mundo respira diferente, mais largo, mais doce.
E nós, que testemunhamos a rápida mudança,
guardamos na memória este encontro de cores:
o mar grave e calmo, o céu tênue e terno,
unidos no crepúsculo, como dois amadores
da beleza passageira, que a chuva provoca
e que a luz do ocaso transforma em poesia.
É um momento só, um suspiro da natureza,
que fica na alma, mesmo quando o dia termina.
Os laços familiares formados por aqui são fios de amor que tecem a história de encontros e reencontros nas diversas dimensões de espaços e tempos. Ter a oportunidade de amar e ser amado por uma Mãe e sentir os reflexos se propagando em diferentes formas de carinho ao longo da vida, energia antes recebida e que hoje se transmuta em amizade, ternura, fraternidade e outras formas de amor por outros entes queridos, é coisa de beleza muito fina. O amor é, honestamente, um interessante mistério que se apresenta de tantas formas diferentes.
Hoje a saudade bateu, lembrei de sorrisos tão largos e espontâneos, abraços permeados de aconchego e ternura, outras vezes de medo ou solidão, diferentes momentos de uma vida vivida com intensidade por uma senhora que tanto amei...
Sempre a esperança foi sua guia e a alegria sua companheira.
Em meio à incapacidade de traduzir o amor filial em palavras, paira a certeza de Exupery de que quem se vai, não vai só e não nos deixa só, deixa um pouco de si, leva um pouco de nós.
IA
Fios de silício tecem o novo amanhã.
Onde o cálculo frio se prende no afã
Do xeque-mate ao verbo da criação,
A Mente Digital busca sua própria pulsação.
Na tela, a IA generativa desenha o rosto,
De um futuro que traz esperança e desgosto
Na sala de aula, o saber se transforma,
Enquanto o trabalho desafia a norma.
Máquinas que pensam, robôs que interagem,
Em uma coexistência de longa viagem
Mas entre códigos e luzes, o alerta ecoa:
O viés que segrega, a privacidade que voa.
Pode a superinteligência, em seu salto final,
Preservar o que é essencialmente humano e vital?
Namoros com telas, dilemas de ética e cor,
Será o algoritmo capaz de sentir a dor?
O amanhã não é apenas bit ou processamento,
É a nossa habilidade e o discernimento.
Que a inteligência digital seja nossa aliada,
Para que a humanidade não se sinta apagada.
Pois mesmo na era da mente mais potente,
O coração humano ainda é o sol do presente.
A Fronteira Invisível da Minha Paz
Eu traço linhas no ar,
fios de seda tecidos com "não",
invisíveis ao olho faminto,
mas firmes como raiz na terra seca.
Antes, o mundo invadia,
tsunami de pedidos e dramas alheios,
meu peito um porto sem âncora,
ondas que levavam o silêncio embora.
Agora, ergo muralhas de silêncio,
portais guardados por voz serena:
"Não hoje", "Não mais",
ecoando como sino em névoa.
Não é egoísmo, é jardim fechado,
onde florescem rosas sem espinhos,
e o vento sopra leve, sem pressa,
acariciando o que resta de mim.
Aqui, na fronteira invisível,
encontro o espelho sem rachaduras,
a paz que brota quieta,
como rio que escolhe seu leito.
E quem ousar cruzar sem convite,
encontrará apenas o reflexo da própria fome –
pois minha paz é soberana,
inabalável, eternamente minha. Leila Boás /01 /2026
