Filósofos
Ora, todas as paixões precedentes podem ser excitadas em nós sem que percebamos de modo algum se o objeto que as provoca é bom ou mau. Mas quando uma coisa se nos apresenta como boa em relação a nós, isto é, como nos sendo conveniente, isso nos leva a ter amor por ela; e, quando se nos apresenta como má ou nociva, isso nos incita ao ódio.
Mas não recearei dizer que penso ter tido muita sorte por me ter encontrado, desde a juventude, em certos caminhos que me conduziram a considerações máximas com as quais formei um método que me parece fornecer um meio de aumentar gradualmente meu conhecimento e elevá-lo pouco a pouco ao ponto mais alto que a mediocridade de meu espírito. Pois dele já colhi frutos tais que, embora nos juízos que faço de mim mesmo, sempre procurei inclinar-me mais para o lado da desconfiança que para o lado da presunção, e embora considerando com os olhos de filósofo as diversas ações e empreendimentos de todos os homens não haja quase nenhum que não me pareça vão e inútil.
A finalidade dos estudos deve ser a orientação do espírito para emitir juízos sólidos e verdadeiros sobre tudo o que se lhe depara.
Se quiser buscar realmente a verdade, é preciso que pelo menos um vez em sua vida você duvide, ao máximo que puder, de todas as coisas.
O veganismo não é sacrifício terrível abraçado por causa de futilidade, mas o inverso: futilidade renunciada por causa de sacrifício terrível. É só conhecer o caso para concordar.
Tu, com o teu dinheiro, não podes ir a um supermercado e dizer: venda-me mais cinco anos de vida. Não podes. Não é uma mercadoria, então não a devemos gastar mal. Temos de a usar e gastar com as coisas que nos motivam a viver.
Ciúme e desconfiança são vozes do ego. O ego tem sua função, mas se faz necessário decidir se queremos autoproteção ou amor.
Um relacionamento interpessoal só é saudável quando presença e ausência, necessariamente ambas, são saudáveis.
Os livros têm grande importância em nossas vidas não só porque auxiliam na construção de nosso conhecimento, mas também porque nos trazem palavras de encanto, doçura e suavidade.
Deus não faz milagres para convencer os ateus. Suas obras cotidianas bastam.
Um homem acredita mais facilmente no que gostaria que fosse verdade. Assim, ele rejeita coisas difíceis pela impaciência de pesquisar; coisas sensatas, porque diminuem a esperança; as coisas mais profundas da natureza, por superstição; a luz da experiência, por arrogância e orgulho; coisas que não são comumente aceitas, por deferência à opinião do vulgo. Em suma, inúmeras são as maneiras, e às vezes imperceptíveis, pelas quais os afetos colorem e contaminam o entendimento.
Alguns livros são provados, outros devorados, pouquíssimos mastigados e digeridos.
