Filósofos

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Da mesma matéria

Passemos a outra questão: o modo de tratarmos com o nosso semelhante. Como devemos agir, que preceitos ministrar? Que não derramemos sangue humano? Ao nosso semelhante devemos fazer o bem: aconselhar a não lhe fazer mal, que ridículo! Até parece que encontrar algum homem que não seja uma fera para os outros já é coisa merecedora de encômios...
Vamos aconselhar a que se estenda a mão ao náufrago, se indique o caminho a quem anda perdido, se divida o pão com o esfomeado? Mas para que hei de eu enumerar todos os atos que devemos ou não devemos praticar quando posso numa só frase resumir todos os nossos deveres para com os outros? Tudo quanto vês, este espaço em que se contém o divino e o humano, é uno, e nós não somos senão os membros de um vasto corpo.
A natureza gerou-nos como uma só família, pois nos criou da mesma matéria e nos dará o mesmo destino; a natureza faz-nos sentir amor uns pelos outros, e aponta-nos a vida em sociedade. A natureza determinou tudo quanto é lícito e justo; pela própria lei da natureza, é mais terrível fazer o mal do que sofrê-lo; em obediência à natureza, as nossas mãos devem estar prontas a auxiliar quem delas necessite. Devemos ter gravado na alma, e sempre na ponta da língua, o verso famoso de Terêncio: “Sou homem, tudo quanto é humano me concerne!”.
Possuamos tudo em comunidade, uma vez que como comunidade fomos gerados. A sociedade humana assemelha-se em tudo a um arco abobadado: as pedras que, sozinhas, cairiam, sustentam-se mutuamente, e assim conseguem manter-se firmes!
(Sêneca, in Cartas a Lucílio)

Para Sêneca, viver sem usar a razão significa viver por impulso. Mas, para viver bem é
necessário viver virtuosamente, ou como disse, viver de acordo com o necessário. Exceder o
necessário significa cair na escravidão. Este texto propõe analisar as virtudes em Sêneca como
caminho e a própria felicidade.

longo é o caminho do ensino por meio de teorias; breve e eficaz por meio de exemplos.

Pobre não é quem tem pouco, mas quem muito deseja.

⁠"Não deixemos nada para mais tarde. Acertemos nossas contas com a vida dia após dia."

⁠A compaixão é pior que a morte

De todos os dias da nossa vida, poucos dedicamos a nós mesmos.

⁠A liberdade é a nossa meta, é o prêmio das nossas canseiras. Sabes em que consiste a liberdade? Em não ser escravo de nada, de nenhuma necessidade, de nenhum acaso; em lutar de igual para igual com a fortuna. Se algum dia eu sentir que ela tem mais força do que eu, mesmo assim essa força será inútil. Nunca me deixarei vencer.

⁠O escravo gasta todas as economias que fez à custa de passar fome para comprar a sua alforria; e tu, que te julgas de nascimento livre, não estás disposto a gastar um centavo para garantires a verdadeira liberdade?!

⁠Na guerra o inimigo é mais perigoso para os soldados fugitivos; semelhantemente, qualquer contrariedade fortuita torna-se mais grave quando lhe viramos as costas.

⁠Aquele que é corajoso, é livre.

Sêneca

Nota: Trecho da carta 85, intitulada Sobre silogismos vazios.

⁠Tenhamos diante dos olhos todos os fatores que determinam a condição humana, consideremos no nosso espírito não a frequência de cada fator, mas sim a intensidade máxima que ele pode atingir, amenos que queiramos deixar-nos abater e abrir a boca de espanto ante alguma desgraça menos usual como se ela fosse inédita.

⁠Não faz diferença quando o seu sofrimento vem, porque em algum momento você é obrigado a sofrer.

Sêneca
Cartas de um estoico, volume III. São Paulo, SP: Montecristo Editora, 2017.

Nota: Trecho da carta 101 (CI), Sobre a futilidade do planejamento prévio.

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⁠A ingratidão que sofreste deve dar-te ânimo para seres ainda mais pródigo nos teus benefícios: quando uma ação é de resultado imprevisível há que empreendê-la uma e outra vez para aumentar a probabilidade de sucesso.

Hoje compreendo que a causa principal de tamanho sofrimento era que eu nunca imaginara que ele pudesse morrer antes de mim. Como se a morte respeitasse uma ordem de passagem

Não é porque as coisas são difíceis que a gente não arrisca, é por não arriscar que elas se tornam difíceis.

Sêneca

Nota: Trecho da carta 104, Sobre o cuidado com a saúde e a paz mental.

⁠Merecem louvor os homens que em si mesmos encontraram o impulso, e subiram nos seus próprios ombros.

A justiça tardia se parece muito com a injustiça.

Não nos atrevemos a muitas coisas porque são difíceis, mas são difíceis porque não nos atrevemos a fazê-las.

⁠Quem vive conforme as leis da natureza nunca será pobre; aquele que vive segundo as opiniões alheias nunca será rico.