Filosofia Jurídica
Dançamos nosso ritmo, até que partimos, pois a Existência não ama e o destino não se dobra em seu curso. E não há vida, nem morte, que o faça mudar.
Ode aos deuses ocultos
Linha tênue entre ser e o existir
Pensar e meditar
A realidade e o fabuloso
O agir e se conformar
O autor e o coadjuvante
Da obra-prima
Artista e tela
Dos arcanos o mais antigo
Tua lança confronta o enigmático
Teu cetro descerra passagens
O veneno e o antídoto
Gnose e transcendência
Sob o poder da vontade és o unificador entre os mundos.
Do Templo em Delfos é o pilar
Da sabedoria contida no axioma és o sujeito: " Conhece-te a ti mesmo...".
Eu estive ali
Mergulhado em loucuras escrevendo
As 2 da manhã no imenso silêncio
Procurando por uma estrela brilhante
Talvez o acaso
A lucidez por um instante
Sem ninguém a recorrer
A madrugada a me benzer
E dentre tantos pensamentos
Algumas conclusões
Tão raras.
Eu estive ali
Sim estive
Naquele quarto
Hoje não sei como está
Para aquela casanunca voltei
Somente os momentos herdei
Tão supérfluos
Tanto tempo perdido
Minha sorte é a segurança
De que aquele já se foi
Mas de minhas certezas eu não garanto
Ao lembrar ainda me espanto
De aquele já fui eu
Se foi o tempo
Se foram seus motivos
Mas mesmo assim
Mesmo você sendo esquecido
Uma imagem apagada
Tenho receio
O que já fui posso definir
Mas de minha ascenção
Tão abstrata
Mal sei de autonomia
Um dia já tive
Hoje vertem as raízes
Os malditos resquícios
Da máscara
Esculpida de minha própria carne
O retrocesso é um caminho de espinhos
E por ele preciso andar ocasionalmente
Mesmo que eu saiba as respostas
Me entrego a essa releitura
Eu aprendo do mundo
Me esforço demais
Acho melhor cerrilhar os olhos
E não olhar para trás
Pois tudo isso ainda é vivo
E se me pego pensando
Acabo voltando para lá.
Dada a limitação da percepção humana, tudo é representação do que julgamos ser a realidade! E tua certeza não seria só mais uma narrativa entre inúmeras que narram certezas?
O fato é só mais uma das muitas ilusões da nossa percepção alçadas ao status de certeza indubitável! E não digo que isso também não o seja!
Eu não falo do que está além de minha percepção. Mas, de acordo com sua percepção, é você julga me escutar!
A percepção é o ancoradouro do que julgamos ser a nossa alma! Tirando-se a percepção, que ideia de alma permanece? E que ideia de ideia?!
Nós somos escravos da percepção: nossos sentidos, a mão-de-obra; nossa realidade, o resultado da manufatura!
A percepção humana é como a hipocrisia, toda vez que você denuncia uma máscara, há outra a denunciar, de sorte que, a menos que você vivencie verdadeiramente suas práticas, nunca poderá verdadeiramente revelar a realidade que ela insiste em esconder!
Nem "poeira de estrela" eu sou! Antes julgo ser o que julgo que a minha percepção de diz ser "poeira de estrela"!
Que certeza tenho para desconstruir, se a certeza que brado ter parece só se embasar na "absolutização" da qual insisto em não duvidar?
