Filosofia do Amor
O amor deve ser como uma pedra preciosa, cujos desgastes decorram apenas da lapidação que a tornam mais bela e valiosa.
Só quem pode pregar a paz é quem não promove a guerra, só quem pode pregar o amor é quem não fomenta o ódio. As palavras precisam da ação para se tornarem exemplos a serem seguidos.
O amor não se eterniza pela beleza nem pela paixão, mas pela honestidade no propósito de sempre enxergar mais a beleza que permanece e manter sempre viva a paixão que tenta partir.
Que reste sempre de um bonito amor, uma grande amizade, e de uma relação amiga, os frutos da posteridade.
Em tempos de tanta disputa e egoísmo, existe uma atitude que pode mudar tudo, amar! E o amor precisa ser compartilhado.
Sem a presença do amor, o romantismo de um ambiente é como uma tela que um artista desiludido pintou.
É muito potente essa força chamada amor, que acaba com qualquer egoísmo que eu possa ter, em troca de te ver feliz.
Como uma planta delicada, o amor carece de cuidados, não basta plantar, é necessário cuidar e fazê-lo desenvolver-se.
Mate meu amor por inanição, ele ainda renascerá do lodo... porém, não o incendeie de angústia, pois não sei o que brotará das cinzas!
O carinho, o amor vivedor, a amizade, são evidências sensíveis e férteis daquilo que vem do interior dos corações e impregna as relações verdadeiras, numa afeição recíproca entre dois ou mais seres.
Viver em amor é tornar-se sensível aos sentimentos das outras pessoas, entendendo aquilo que se deve fazer para melhorar a vida delas.
AMOR INSCRITO NA CARNE.
O corpo é a página derradeira onde a alma escreve aquilo que não ousa dizer em voz alta.
Esta escrita gravada no dorso declara que amar é aceitar a disciplina do sofrimento.
Não há promessa de repouso.
Há apenas o compromisso com a beleza que exige fidelidade mesmo na ausência.
Cada signo afirma que o amor verdadeiro não se confunde com prazer.
Ele é vigília.
Ele é renúncia.
Ele é a lenta educação do desejo para que não se torne posse.
O amor aqui não acolhe de imediato.
Primeiro ele fere.
Depois ele forma e quase cuida.
A arte desta escrita não pretende consolar.
Ela convoca.
Quem a lê é chamado a abandonar a leveza vulgar e a suportar o peso da profundidade.
Amar torna se um ofício leve ao mesmo momento severo.
Uma escolha diária entre a dignidade do sentir e a fraca facilidade do esquecimento.
Essa distinta escrita ensina que o belo não adorna a vida.
O belo em prantos a julga rogando perdão.
Ele exige que a alma cresça até doer.
Que suporte a ausência sem transformar a saudade em rancor, mas num lugar.
Que permaneça fiel mesmo quando o amor não retorna e ele olha para trás.
Filosoficamente esta escrita proclama que sofrer por amor não é derrota.
É prova, batalha aberta ao julgamento deliberado e em paz.
Só sofre quem reduziu o outro a objeto e dá de si o valor além do próprio objeto seja qual ele for.
Só padece quem não negociou a própria essência, porque deveras vezes podia-se fazer um bom negócio às honras das plêiades.
O amor que não dói é apenas hábito.
O amor que dilacera é formação do ser.
Aqui o amor não salva do abismo.
Ele ensina a caminhar dentro dele sem perder a verticalidade, pois é amor.
Aquele que ama segundo esta lei aceita perder.
Aceita esperar. aceita aceitar.
Aceita permanecer inteiro mesmo quando tudo lhe falta, esse é o dom amor.
O leitor que se detém diante desta escrita não sai ileso., me desculpe.
Ela o obriga a buscar em si um amor que não pede garantias.
Que não exige retorno.
Que não teme a solidão, porque ela existe, ela virá, mas é chamado tudo isso de amor por alguém, mas é.
E somente quem atravessa a dor sem corromper a ternura e a delicadeza da gota d'água na ponta de uma frágil folha torna se digno da beleza que o amor promete no silêncio do tempo e na promessa da própria crença.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
