Filhos Martha Medeiros
Estava em um deserto sombrio, vazio e ensolarado, sua gaita era o único aliado, não podia nem escrever, pois lápis e papel não havia, pensava, sonhava e tocava.. Assim alimentava-se, não de esperança, pois essa já não tinha, mas de lembranças que a ele seguia, cruel e dolorosa, sussurrando em seus ouvidos as palavras mais devastadoras: perdido em seu âmago, foi fraco e trivial, pois não ousou ser real.
Fui lá, mais uma vez acreditei, mas sei que não adianta buscar segurança, quando eu internamente sinto a própria negação e rejeição. Sonhei, de repente acordei e tudo era igual, esse mundo diferente que fica em outra dimensão é apenas mais uma faceta da minha eterna ilusão. Estou diante do meu inconsciente esperando uma resposta do porque ser assim “tão diferente”.
Que sentido faz se você não esta aqui, se o que sinto não posso dividir, se preciso me calar e esperar.. Qual a razão para o seus NÃOS, cheios de ternura no momento da dor, essas palavras que surgem do nada, em tantas promessas não cumpridas espero apenas mais resposta dessa inútil vida.
Sua fumaça que inala, faz meu corpo viajar, essa música soberana que me balança e faz meu corpo vibrar, mente que encontra outro mundo, outro álibi, nessas horas eu sei que não estamos sozinhos, temos outro mundo dentro de nós, é necessário uma ajuda para encontra-lo. Relaxar e voar.
De sorriso em sorriso vou conquistando o mundo, de palavra em palavra vou conquistando as minhas ideologias. Estou aqui para SER e não para TER.
Mais que um sinal, uma imagem, um sentido, uma luz. Não tenho apenas uma língua, tenho uma arte sólida em minhas mãos, uma majestade que se move suavemente, não tenho o que temer, os sinais são vivos. Depois de tantas lutas pelo direito de sinalizar, LIBRAS não se tornou apenas uma língua, mas sim uma expressão de conquista. Poesias não morrem. Libras: paixão da poesia entre as mãos.
No chuveiro enquanto a água cai o banho fica em segundo plano, sou levado pelas gotas, analiso, crio, e sonho. Meu momento, meu corpo, meus pensamentos, minha escuridão.
Entre sem bater e vá conquistando cada pedacinho deste momento que pertence apenas a você, já separei a loucura, a música MPB, o vinho e o poema que te darei. Vamos deixar fluir e acontecer, com toques mudos, sensação de arrepios dançaremos a coreografia do doce pecado.
Não adianta nocautear sentimentos. No fim tudo, exatamente tudo morre. A morte é o último parágrafo.
Iríamos simplesmente deixar passar, encontros e desencontros acontecem e as pessoas vivem circulando, passando por nossas vidas, viram células mortas em nossas lembranças, é tudo tão natural, a vida simplesmente passa. Mas, o além-inexistente, para o relógio biológico, fisiológico (todos o lógicos) desajustando nossas vidas artificiais, encontramos pessoas, dispostas a não ser apenas mais uma partícula, mas sim uma parte fundamental de nossas vidas, o relógio realmente para, esquecemos de ser “adultos” , falamos e sorrimos como “crianças”. O motivo? O tempo passa, mas as lembranças NÃO.
Acho que deveríamos pegar um pedaço de papel e começar a escrever uma história, não teria muitos motivos para a sociedade alheia ler, mas teria muitos sorrisos para as amizades verdadeiras. Somos imperfeitos de corpos, almas e caráter, mas somos perfeitos no quesito rir de idiotices, e isso que nos torna quase humano.
Não era para ser amor, mas tornou. Então, me beija. Não vamos pensar no que deixou de ser dito ou no que foi falado, vamos calar a boca e nos amar.
