Feliz aniversário, filha: 71 mensagens para celebrar o seu dia

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto dos Anjos
ANJOS, A. Eu e Outras Poesias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.

Mas, afinal, para que interpretar um poema? Um poema já é uma interpretação.

Mario Quintana
Intérpretes. In: A vaca e o hipogrifo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência.

Karl Marx
MARX, K., Para a Crítica da Economia Política

Há homens e mulheres que fazem do casamento uma oportunidade de adultério.

Carlos Drummond de Andrade
"O Avesso das Coisas: Aforismos". Rio de Janeiro: Editora Record, 1990.

O interesse que tenho em acreditar numa coisa não é a prova da existência dessa coisa.

Uns sapatos que ficam bem numa pessoa são pequenos para uma outra; não existe uma receita para a vida que sirva para todos.

Construímos muros demais e pontes de menos.

A ironia é a expressão mais perfeita do pensamento.

Há vitórias que exaltam, outras que corrompem; derrotas que matam, outras que despertam.

Assim como um dia bem aproveitado proporciona um bom sono, uma vida bem vivida proporciona uma boa morte.

É triste pensar que a natureza fala e que o gênero humano não a ouve.

Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética.

O amor está mais perto do ódio do que a gente geralmente supõe. São o verso e o reverso da mesma moeda de paixão. O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença...

Érico Veríssimo
O Tempo e o Vento: O Arquipélago. Porto Alegre: Editora Globo, 1962

Não, Tempo, não zombarás de minhas mudanças!
As pirâmides que novamente construíste
Não me parecem novas, nem estranhas;
Apenas as mesmas com novas vestimentas.

A música é o tipo de arte mais perfeita: nunca revela o seu último segredo.

O melhor modo de vingar-se de um inimigo é não se assemelhar a ele.

Não há amizade, por mais profunda que seja, que resista a uma série de canalhices.

A prova de que a natureza é sábia é que ela nem sabia que iríamos usar óculos e notem como colocou nossas orelhas.

É absurdo dividir as pessoas em boas e más. As pessoas ou são encantadoras ou são aborrecidas.

O mundo pode ser um palco. Mas o elenco é um horror.