Feliz aniversário, filha: 71 mensagens para celebrar o seu dia
A faculdade virou uma instituição financeira que vende diplomas, o aluno é o consumidor interessado em comprá-los e, o professor é o cara que quer atrapalhar as negociações.
Não gosto quando me olham e me julgam, deveriam julgar quem está de terno e gravata na televisão mentindo e envergonhando um país, eu não engano ninguém.
O mundo é feito para aqueles que arriscam. Prefiro a tristeza da derrota q a vergonha de não ter tentado.
A astrologia desenvolveu-se numa estrana combinação de observações, matemática e cuidadosos registros cheios de ideias turvas e pura fralde.
Intimidade
As pessoas vivem toda a sua vida a acreditar no que os outros dizem, dependentes dos outros. É por isso que têm tanto medo da opinião dos outros. Se eles pensam que você é mau, torna-se mau. Se o condenam, começa a condenar-se. Se dizem que é pecador, começa a sentir-se culpado. E, como depende da opinião deles, é obrigado a conformar-se constantemente com as suas opiniões; senão eles mudarão de opinião. Ora isso cria uma escravidão, uma escravidão muito subtil. Se quiser ser considerado bom, digno, belo, inteligente, tem de fazer concessões, tem de se comprometer continuamente com as pessoas de quem depende.
E levanta-se um outro problema. Como há muitas pessoas, elas estão sempre a alimentar a sua mente com diferentes tipos de opiniões — opiniões conflituosas, ainda por cima. Uma opinião a contradizer outra opinião — daí que exista uma grande confusão dentro de si. Uma pessoa diz que você é muito inteligente, outra pessoa diz-lhe que é estúpido. Como decidir? Então fica dividido. Fica com dúvidas sobre si próprio, sobre quem é... uma ondulação. E a complexidade é muito grande, porque há milhares de pessoas à sua volta.
Você está em contato com muitas pessoas e cada uma delas mete a sua ideia na sua mente. E ninguém o conhece — nem você mesmo se conhece —, pelo que toda essa coleção se amontoa dentro de si. É uma situação de enlouquecer. Tem muitas vozes dentro de si. Sempre que se pergunta quem é, surgem muitas respostas.
Algumas dessas respostas serão da sua mãe, outras serão do seu pai, outras ainda do professor, e assim por diante e assim sucessivamente, e é impossível decidir qual delas é a resposta certa. Como decidir? Qual o critério? É aqui que o homem se perde. Chama-se a isto ignorância de si próprio.
Mas como depende dos outros, tem medo de entrar na solidão — porque no momento em que começar a entrar na solidão começará a ter muito medo de se perder. Em primeiro lugar, você não se tem a si próprio, mas, qualquer que seja o eu que criou a partir da opinião dos outros, tem de o deixar para trás. Daí que seja muito assustador interiorizar-se. Quanto mais fundo for, menos saberá quem é. É por isso que quando procura conhecer-se realmente a si próprio, antes de o conseguir terá de abandonar todas as ideias que tem sobre o seu eu. Haverá um hiato, haverá uma espécie de coisa nenhuma. Tornar-se-á uma não-entidade. Sentir-se-á completamente perdido, porque tudo o que conhece deixará de ser relevante e aquilo que é relevante ainda não conhece.
Medo, incerteza e angústia: crise existencial
Há dias que estamos mergulhados no oceano da melancolia
Numa tristeza tão grande a vivenciar
A apatia nos faz ficar bem quietos
Até que apareça algo para a crise amenizar
A tristeza e o medo teima em dominar o meu ser
Clamo forças busco alento e sustentação
Não adianta desejar, querer ter
Se não consigo da alegria viver, minha emoção
Solidão no meio de tanta gente
Almejo meus problemas solucionar
Acudir também quem está sofrendo
E acabo por sofrer e me angustiar
Não adianta na vida ter saber
Não adianta ter o que consumir
Não adianta ter bens e dinheiro
Se não tiver saúde para construir
Clamo pelo poder Cósmico máximo
Que esta fase seja logo superada
Que tudo volte ao normal
Que eu tenha forças para ser a crise enfrentada
Então volto-me para dentro de mim
No silêncio secreto de minha alma
No questionamento analisar, angústia
Ouço, faço uma prece que acalma
A depressão tento então dominar
Levando sério o caminho sem rumo
Respiro um pouco de ar puro
Volto para fora e me arrumo
De súplicas vivo os meus dias
O homem não tem poder sobre o destino
Temos algum poder para mudar o agora
Superar a solidão e o desatino
Quando a gente ama
Tudo é mais difícil de questionar
Nenhuma teoria ou técnica ajuda
O coração grita mais alto a desejar
Muitas vezes parece que há uma pedreira
O coração sofre tanto que parece inchado
A angústia se faz companheira
Nenhuma solução, nada é encontrado
As forças físicas se vão
O desânimo toma conta de mim
Ajoelho, olho para o infinito, peço ajuda
Este sofrimento não pode continuar assim
Por fim ainda encontro alguma alegria
Quando os amigos me reanimam
Suas preces me fortalecem
Encontro arrimo, me empurram
Porém logo a seguir
Fecho a janela da alma novamente
E retorno para dentro de mim mesma
Não consigo sufocar o pranto presente
Hó padecer, vai-te embora
Procure o seu rumo tão sinistro,
Esta energia negativa abatendo meu viver
Traga minha essência positiva, sincronismo
Preciso vencer esta mais esta crise existencial
Encontrar a força que me fortalece
Sou alma livre num corpo cativo
Desejando um bem que me enobrece
Crises passam para todos
Fazem parte da existência humana, do viver
São pesadelos que circundam
Mas logo tudo voltará a florescer...
A vida é feita de altos e baixos
É o que nos fazem vencer
É a fé de dias melhores
Conseguir com um novo amanhecer
O sofrimento é inerente a condição humana
Na luta para vencer cada dificuldade
No paradoxo das escolhas
Em meio a tanta possibilidade
A incerteza do caminho a seguir
De saber se é certo ou errado, auto conhecer
É assim o viver como humano
Na luta para superar, ter auto domínio, ser
Enfim sigo o meu rumo incerto
Até que passe essa tempestade no meu coração
Até que o Sol volte a brilhar novamente
É na esperança que viverei esta emoção
“A vida é assim: um vai e vem na viagem, com momentos mais
fáceis e, por outras vezes encontramos algumas pedras que devem ser removidas para que possamos seguir novamente até chegar ao destino”
Algumas coisas voltam, outras não. E a única lição que eu tiro disso tudo é que tudo teve seu motivo, para ter sido dessa maneira.
O Operário em Construção
E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.
Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!
– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.
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