Feliz aniversário, filha: 71 mensagens para celebrar o seu dia

Tem gente que entra na nossa vida de forma providencial e se encaixa naquela história que gosto de imaginar: surpresas que Deus embrulha para presente e nos envia no anonimato. Surpresas que só sabemos de onde vêm porque chegam com o cheiro dele no papel. Acho maravilhoso perceber o quanto algumas vidas interagem com a nossa de um jeito tão mágico e bonito. Os milagres existem para quem tem olhos que sabem ver a sabedoria e a ludicidade amorosa, próprias do que é divino, do que transcende. Do que escapole da nossa lógica tantas vezes sem coração. Todo encontro que verdadeiramente nos toca é uma espécie de milagre num mundo de bilhões de seres humanos. Algumas pessoas a gente nem imaginava existirem, mas, meu Deus, que agrado bom é para a alma descobrir que vivem. Que estão por aqui conosco. Pessoas que fazem muita diferença na nossa jornada, com as quais trocamos figurinhas raras para o nosso álbum.

Tem coisas que é melhor acreditar, do que procurar saber e se decepcionar.

Olhando a extrema beleza dos pássaros amarelos calculo o que seria se eu perdesse totalmente o medo. O conforto da prisão burguesa tantas vezes me bate no rosto. E, antes de aprender a ser livre, tudo eu aguentava – só para não ser livre.

Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: Trecho da crônica Medo da libertação.

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Um texto com milhares de linhas não provam nem metade do que um beijo no rosto inesperado prova.

Alguns amores chegam com prazo de validade determinado, como se tivessem uma missão a cumprir na vida da gente. Depois perdem o viço, e se vão, sendo finalmente encerrados com um ponto final. Definitivo, mas bonito. Do tamanho da beleza que teve a história. Chega um momento em que a gente se dá conta de que um verdadeiro 'happy end' depende muito do ponto de vista. A vida é tão amorosamente fantástica que nos dá a sensibilidade de perceber e enxergar que existem pessoas que passaram apressadas por nós, mas cumpriram seu papel. E apesar de todos os apertos que nos causaram um dia, da sua maneira, realmente contribuíram para melhorar o nosso olhar...

Não importa o quanto eu escreva, o quanto eu fale. Nada descreve o amor que eu sinto por você.

Que a gente siga assustando as pessoas que não merecem se encantar. Que a gente siga afugentando quem não merece ficar. Que a gente siga!

Tem dias que a gente só precisaria de uma palavra bonita pra ficar bem.

É verdade, como diz Marx, que a história não anda com a cabeça, mas também é verdade que ela não pensa com os pés. Ou, antes, nós não devemos ocupar-nos nem com sua "cabeça", nem de seus "pés", mas de seu corpo.

Tão correto e tão bonito o infinito é realmente um dos deuses mais lindos, sei que às vezes uso palavras repetidas mas quais são as palavras que nunca são ditas?

Disciplina Antiga

Os que bebem não sabem falar às mulheres,se perderam de tudo, e ninguém os aceita.
Andam lentos na rua, e as ruas e postes não têm fim.
Alguns deles dão giros mais longos, mas não há o que temer:amanhã eles voltam para casa.
O que bebe imagina que está com mulheres-como postes à noite são sempre os mesmos, assim as mulheres são sempre as mesmas-; nenhuma o escuta.
Mas o bêbado tenta, e as mulheres não o querem.
As mulheres, que riem, conhecem de cor suas palavras.
Por que riem assim as mulheres ou gritam, se choram?
O homem bêbado quer e deseja uma bêbada que o ouvisse calada. Mas elas o atiçam:"Para ter esse filho, é preciso contar com a gente."
O homem bêbado abraça-se ao bêbado amigo que esta noite é seu filho, nascido sem elas.
Como pode umazinha que chora e que grita dar-lhe um filho amigo? Se aquele é um bêbado, não recorda as mulheres no andar inseguro, e esses dois perambulam em paz. O filhinho que conta não nasceu de mulher- pois seria mulher também ele. Caminha com o pai e conversa:toda a noite iluminam-lhe os passos os postes.

Ó Deus, não permitas, que eu morra
sem ter vivido plenamente o amor.

Que o homem seja nobre, prestativo e bom, pois só isso o distingue de todos os outros seres.

Tentou num último esforço inventar alguma coisa, um pensamento, que a distraísse. Inútil. Ela só sabia viver.

Clarice Lispector
Perto do coração selvagem. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Impressione-me!

Impressione-me!
Mostre-me a sua disposição em servir.
Conte histórias para quem perdeu a própria,
visite quem não espera mais ninguém,
segure na mão de quem está com medo,
fale de amor para quem foi esquecido.

Impressione-me!
Faça valer um direito de todos,
pense no coletivo, não seja mesquinho.
Jogue o lixo no lixo, ande mais a pé,
cuide do parque, plante uma árvore,
leve esperança, desperte a fé.
Não deixe rastros de imundice na praia,
nem da intolerância no trânsito,
porque o mal, facilmente se espalha.
Seja civilizado em todo e qualquer lugar.

Impressione-me!
Guarde a língua na boca, emudeça!
Se é para falar dos outros, que sejam elogios.
Se é para falar de você, seja humilde,
se é para falar de amor, que seja um gesto amoroso.
Se é para ler o Evangelho, é bom praticá-lo.
Menos sermão, mais ação!

Impressione-me!
Guarda a reclamação vazia, lute mais um pouco.
Descanse na hora certa, leia um bom livro.
Fale mais com seus filhos, amigos ou irmãos.
Não se isole, não se ausente, não invente.
O mundo é cercado de energias que nem sempre vemos,
mas sentimos e nós mesmos.

Por isso, agarre-se ao amor sem limites.
Como quem se agarra a um pedaço de madeira em alto-mar.
Ainda que seja pequeno, ele te sustentará,
você vai sobreviver, não se afogará.
Porque o amor tudo pode, tudo permite, tudo transforma.

Por isso, impressione-me de verdade.
Mesmo com dor e pesar,
nunca deixe de amar.

Não sou perfeita, mas partes de mim são excelentes!

Eu tive milhões de momentos felizes e pessoas que vieram e foram, deixando no meu coração uma marca que ninguém apagará. Já outras pessoas que pensei não serem importantes, estão comigo até hoje e eu os amo por isso! Não importa a minha pouca idade, eu já aprendi muito, assim como já errei muito e o mais importante foi ter aprendido com esses erros. Já nasci e morri em quatro meses. Foi uma vida curta e intensa. Dessa vida eu tirei experiências e me transformei em alguém que nunca pensei ser, percebi que meus problemas são únicos e, tão pouco, os piores. Aprendi que amor à primeira vista realmente existe e que amar está além de qualquer compreensão. Me deixei um pouco de lado, fui ver o que as pessoas ao meu redor sentiam e descobri que um diálogo resolve muita coisa e que o egoísmo não serve para nada além de nos ferir. Dar um pouco de atenção ao próximo não é bisbilhotar, mas sim se importar. Aprendi a ler o coração das pessoas através dos olhos, pois uma conversa pode lhe enganar, mas os olhos não mentem. Comecei a dar valor àqueles que eu amo e aprendi a ouvir mais. Percebi que ninguém é culpado pelo meu sofrimento além de mim mesma, pois como um sábio disse: "A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional."
Não podemos evitar que algo de ruim aconteça, mas podemos mudar com essa dor. É preciso perdoar, porque reclamar não vai mudar o fato, pelo contrário, só fará você sofrer mais e mais. Superar as dificuldades. Isso é legal de viver. Sempre atrás de uma barreira vai ter algo muito bom à sua espera, às vezes não, mas não tem problema, é só seguir em frente que você encontrará seu paraíso.

Ocultar meus sentimentos não quer dizer que eu não os tenha.

Liberdade: Dormir com o cabelo molhado; fazer dancinhas idiotas; cantar alto e desafinado na frente do namorado; não escovar o cabelo; vestir a primeira roupa que encontrar; usar chinelo; dormir sem programar o despertador; andar pela casa mal vestida; ir ao supermercado sem trocar de roupa; não usar maquiagem; sair sem saber pra onde vai; não pintar as unhas; gastar o último resto de salário numa comida que te deu vontade; dar-se o direito de uma sessão de compras de vez em quando; assistir tv ao invés de fazer o trabalho que precisa ser entregue amanhã; tirar o sapato depois de um dia cansativo; dormir com maquiagem; uma trança; um coque; um rabo de cavalo; uma foto sem legenda. Livrar-se de tudo aquilo que parece pequeno, mas que amarra os nossos dias. Deixar pra lá quando sentimos que precisamos ficar mais leves.

"Em vão me tento explicar, os muros são surdos."
"Sob a pele das palavras há cifras e códigos."