Fazia Tempo que eu Nao me Sentia Tao Sentimental
Para o inconsciente
existem dois tempos,
passado e futuro.
Ambos unidos e
vivendo
no tempo presente.
A saudade é como um moinho que gira lentamente dentro do peito, movido pelo tempo que insiste em passar, enquanto a chuva fina lá fora derrama gotas serenas sobre as flores do jardim que antes vimos juntos. Cada instante agora é um suspiro, uma recordação suave e persistente, como o som cadenciado da água que bate nas pedras, chamando-me de volta para o silêncio dos dias em que sua presença preenchia o ar.No ritmado murmúrio do moinho, sinto o tempo corroer a distância, mas não o espaço que você ocupa em mim. A chuva, serena e constante, é o abraço frio que lembra a ausência e ao mesmo tempo rega as flores da memória, fazendo brotar esperança em meio à espera. Saudade não é só dor; é o perfume das flores que você deixou e que nunca deixarei de sentir.
No vazio cheio de significado, o nada abraça tudo sem explicação. O tempo se dobra sobre si mesmo, criando curvas que não levam a lugar algum, mas definem o espaço entre ser e não-ser. O silêncio ruge e o imobilismo se move, revelando a plenitude do incompreensível. Cada fragmento desconexo é a peça que falta na arquitetura confusa do existir. A verdade se esconde no paradoxo: que nada faça sentido, e ainda assim tudo seja perfeito. A filosofia surge não no esclarecimento, mas na entrega ao absurdo, onde lógica naufraga e sentido se dissolve em ausência e presença simultâneas.
Num tempo em que as narrativas pretendem reescrever ou substituir os fatos, emergiram os novos sofistas.
Nesse caso não se trata apenas de um duelo entre verdades e certezas, mas sim da tentativa de alguns grupos de produzirem certezas que substituam as verdades.
Meu pequeno, você chegou há pouco tempo e já roubou o posto de homem da minha vida. Meu filho, saiba que sua mãe é completamente apaixonada por você e faria de tudo pela sua felicidade. Te amo incondicionalmente!
“Tempo, Meu Algoz Afetuoso”
No teu pulsar vou me balançar
Contigo caminhar por toda a vida
Se me soltar, já não serei
Perco o nome, perco a razão — tenha compaixão
Sou o som do teu instrumento
Um instante quase esquecido
Sou o sim e também o não
Nasci por ti já condenado
Amigo íntimo do fim
Carrego esse legado
Tempo, maestro da vida
Senhor do agora e do jamais
És o bem, também o mal
Menino velho, caduco
Para o fim, és só um pulo fatal
Deixa-me sentir o prazer de viver
Sem vigiar o meu fim
Nem cheguei a amar direito
Nem sei se alguém gosta de mim
Tempo, meu caro
Dá-me abrigo, dá-me um amparo
Ando cambaleando, desfalecendo
Ontem eu ainda era moço
Hoje já não corro — vou cedendo
Ah, Tempo… há tempos
Tempos que não voltam
Tempos que me roubaram
Tempos que acusam
Tempos que exortam
Tempos que acabaram
Monólogo do Caráter
Agora, neste exato momento, percebo que me perdi há muito tempo. Carrego o vazio que eu mesmo construí ao desistir de sustentar o progresso. Culpo-me por abandonar o que me fazia bem em nome do que parecia correto aos olhos de outros. Como retornar ao instante em que me anestesiei com a pílula da mesmice?
Será mesmo falta de tempo? Não. Falta-me foco, falta-me organização — coisas que nunca aprendi a cultivar. Devo continuar idealizando futuros belos ou despertar para transformar a realidade? A responsabilidade por não ter e por não ser recai apenas sobre mim.
Caminho sempre contra a multidão, mas quem garante que não são eles que avançam, apressados, na direção errada? Quem, afinal, está certo?
Não me reconheço como produto do meio; sou o meio que produz. Produzo, sobretudo, perguntas. Os animais sabem que são animais? Também eles existem moldados pelo ambiente. Reproduzir não é consciência — é apenas persistir. Eu não quero ser apenas mais um. Quero ser mais dois.
A ânsia de mudar o mundo sucumbe à minha própria inconstância. Sei que posso, sei que possuo os meios para ser o que é necessário, mas o medo do fracasso me visita diariamente. Cada vez que escolho a comodidade, recuso a humanidade. Inclino-me, esqueço-me, escondo-me.
Perdoa-me, mundo —
disse o caráter.
A Lente do Tempo
Dois olhares, um só foco,
Na moldura do que fomos e seremos.
A amizade é esse nó bem dado,
O cais seguro onde sempre batemos.
A distância é estrada, por vezes vil,
Mas a saudade é bússola, é norte.
Quem guarda o outro no peito, no pefil,
Faz do amor sua maior sorte.
Fica a esperança de um novo “clique”,
De um abraço que o tempo não consome.
Pois não há mar ou muro que se estique,
Que apague a luz de quem honra o nome.
O tempo é uma estrada com horizontes que desaparecem no infinito, mas que também mostra uma linda flor, bem ao alcance das nossas mãos.
O chapéu antigo,
é o mais bonito.
Clássico.
Daquele tempo.
De antigamente.
Daquela época.
Feminino, e masculino.
"Nas trilhas do tempo, o vento a sussurrar,
Segredos antigos nos convidam a sonhar.
Com gestos simples, o carinho a florescer,
E no ceder, encontramos o crescer.
O verdadeiro amor, único a brilhar,
Presente divino que nos faz encantar.
Lembre-se, o que te barra não é amor,
É apenas um desafio, um caminho de valor."
MANIPULADOR
Pare de vestir a fantasia de pessoa frágil
Que está dodói o tempo todo.
Para de se doer até pelo que não existe
E pare de se fazer de vítima.
Pare de subtrair de mim
O que você tem mais do que eu.
Para de exigir e implorar
Uma atenção que ninguém pode dar.
Pare de extorquir meus bens
Pare de agir como um canalha
Como alguém realmente do mal.
Sempre quer receber e nunca pode se doar.
Nunca pode ouvir e sempre quer falar.
O manipulador sempre tem uma história triste para contar.
O tempo é amigo do medo, da insegurança, da dúvida, da indecisão, da frustração! E quem espera muito pelo tempo, perde.
Hoje posso dizer
que tudo o que me resta
é tempo.
A vida cobra
as nossas concupiscências,
as nossas escolhas,
e um dia, sem aviso,
a fatura chega.
Já bati na trave
algumas vezes
para deixar esta existência.
Não me agradaram
essas passagens —
nem as médicas,
nem as emocionais,
pela forma dura
como me atravessaram.
Doeram.
Assustaram.
Marcaram.
Mas também me obrigaram
a pensar sobre a vida
com mais seriedade
do que eu jamais pensei.
Existe, de fato,
um paraíso para nós?
Seremos lembrados
na memória de Deus?
O tempo tem conexão
com esta vida
ou apenas nos atravessa
como um rio indiferente?
Será tudo isso
apenas presunção,
um pensamento insistente
que eu alimento
para suportar os dias?
Ou existe algo
depois desta vida —
algo que não cabe
em palavras,
mas faz sentido
no silêncio?
Hoje,
não tenho certezas absolutas.
Tenho perguntas maduras.
E talvez isso seja fé:
continuar vivendo
mesmo sem todas as respostas,
confiando que o tempo
não seja o fim,
mas um caminho.
A percepção do tempo se faz eterna na distância
e milésimos na proximidade,
no mesmo instante do estar.
A distância obedece a um paradoxo
que sucumbe à percepção da proximidade.
A presença nasce justamente
onde o estar não existe,
carregando a sensação de sentir
aquilo que não se vê.
O despertar pela manhã
é o toque suave da luz sobre um corpo que repousa,
enquanto a escuridão da imensidão interna,
guardada pelo fechar dos olhos,
é rompida ao abrir.
"A gente gasta o passo tentando enganar o tempo, sem notar que o caminho, cansado de ser rascunho, resolveu virar destino por conta própria."
