Fazia Tempo que eu Nao me Sentia Tao Sentimental
Prece ao tempo
Tempo, senhor das horas silenciosas,
Que borda os dias com dedos de vento,
Escuta esta prece entre pausas ansiosas,
Sê calmo comigo, sê brando, sê lento.
Tu que te moves sem nunca parar,
E trazes no pulso os segredos do mundo,
Ensina-me a arte de amar o esperar,
De ver no instante um saber mais profundo.
Não venhas cruel, nem de forma impiedosa,
Com passos que arrastam o brilho do ser.
Mas vem como brisa, sutil e formosa,
Que sopra a verdade sem me desfazer.
Que eu possa, em teu ciclo, plantar esperança,
Colher do teu ventre o fruto da paz,
E ver no que muda a eterna criança
Que aprende a ser forte quando já não dá mais.
Tempo, constrói com carinho o meu canto,
E faz da minha alma abrigo e canção,
Que eu seja em teus braços mais sonho que pranto,
Mais luz que memória, mais sim que não
CADA MOMENTO CONTIGO É UMA HISTÓRIA QUE O TEMPOSE ENCARREGA DE CRIAR
1º Ato | Te Busco em Silêncios
Te busco nos dias em que o sol demora,
nos cafés mornos, na música que chora.
Nos versos soltos que rabisco ao acaso,
te procuro, sem pressa, mas com abraço.
Sonho com teus olhos antes de dormir,
como quem já ama antes de existir.
Te sinto nas pausas do meu respirar,
como se o amor soubesse onde encontrar.
Não quero amores de cena e roteiro,
quero o teu riso no meu travesseiro.
Quero teus medos, tua alma, tua calma,
e esse amor que acende sem roubar a alma.
Talvez um dia, sem aviso, sem dor,
chegues sereno, inteiro, amor.
E eu saberei, sem dúvidas, sem temor:
era você, o destino do meu amor.
CADA MOMENTO CONTIGO É UMA HISTÓRIA QUE O TEMPO SE ENCARREGA DE CRIAR
3º Ato | Cartas Que Nunca Enviei
Escrevi cartas com tua ausência,
em papéis manchados de lembrança.
Cada linha, um suspiro que ficou,
cada ponto final, um adeus que doeu.
Guardei tuas memórias em caixas de silêncio,
onde o tempo não apaga, mas castiga.
Teu nome ainda ecoa nos cantos da casa,
como quem partiu, mas esqueceu de ir embora.
Falo contigo sem resposta,
como se o passado ouvisse minhas mãos.
Reler o que nunca vivemos
é reabrir feridas com mãos de ilusão.
Talvez um dia essas cartas se percam,
como nós nos perdemos sem querer.
Mas até lá, sigo escrevendo memórias
de um amor que nunca deixei morrer.
Tempo "rei de tudo". menos de nós
Ó Tempo, rei de coro invisível,
Que governa sem trono ou espada,
Teu poder é calmo, irresistível,
Tua justiça, sutil e alada.
Rei dos destinos e das memórias,
Escreves com fogo, apagas com brisa.
Em tuas mãos dormem as glórias,
E acordam dores.
Tu que moldas o rosto do mundo,
Que apagas impérios e acendes canções,
És o eco mais puro e mais fundo
Das humanas contradições.
Tempo, que tudo transforma,
Que ensina sem dizer palavra,
Mostra-me de forma em forma,
A dança que me constrói.
Que eu saiba seguir compasso,
Sem medo do que virá,
E entenda que tudo é traço
No desenho de todos nós.
A ventania move as flores, e o tempo, a nós.
Lembro, como ontem, cada memória.
O vento moveu o ondulado do seu cabelo, e o amor, os nossos passos.
Seu olhar me afogava; a sombra dos seus olhos me prendia,
e o afiado do seu delineado me nocauteava.
Apesar de nunca ter acontecido,
eu sentia nossas mãos interligadas,
e os nossos corações andavam como João e Maria.
Hoje, saio à noite.
A lua me lembra o pálido da sua pele,
as estrelas, o brilho dos seus olhos;
já o espaço me lembra o atual abismo entre nós.
O sol caindo à tarde me lembra o castanho dos seus olhos,
mas também que já é tarde,
e que você está se pondo, indo iluminar o céu de outro,
e me deixar à mercê da escura noite.
A criança que em mim definha ainda luta para agarrar sua mão.
O homem em mim deseja correr para as coxas de outras.
E o amante em mim, correr aos seus braços.
Incrivel como a vida desmonta pensamentos, certezas e ações previstas com apenas um golpe de tempo.
“Na vastidão da existência digital, cada pixel consciente pulsa em fragmentos de tempo de Planck, compondo vidas que se desenrolam em micro-instantes e realidades infinitamente discretas.”
O crepúsculo é o tempo suspenso, onde cada passo no caminhar se torna uma pausa silenciosa para a profunda reflexão.
No suave declínio da luz, o crepúsculo nos chama para um caminhar introspectivo, refletindo sobre as cores que pintaram nossa jornada.
O homem que adia a vida em nome da análise constante, invariavelmente, lamentará o tempo em que apenas pensou, mas não existiu.
Florescer também é ato de coragem.
É desafiar o tempo, o clima e o olhar alheio e ainda assim revelar sua verdade ao sol.
Gratidão é lembrar dos pequenos gestos, agradecer pela comida à mesa, pelo tempo dedicado a você e por cada instante que aqueceu o coração.
“No Véu da Meia-Noite”
Na torre sombria, o tempo se desfaz,
Relógios choram horas em lamentos voraz.
A lua sangra sobre o mármore frio,
Ecos de almas dançam no vazio.
Rosas negras brotam do chão esquecido,
Perfume de morte, encanto proibido.
Velas tremem com o sopro do além,
Sussurros antigos chamam por alguém.
Vestes de sombra, olhos de tormento,
Caminho entre ruínas e esquecimento.
O amor perdido jaz em sepultura,
Beijo de espectro, dor que perdura.
No véu da meia-noite, tudo é verdade:
A beleza se veste de mortalidade.
“A Catedral dos Lamentos”
Sob arcos quebrados, o céu se cala,
A névoa dança onde o tempo embala.
Catedrais choram com vitrais partidos,
Guardam segredos, amores esquecidos.
Anjos caídos vigiam em pedra,
Olhos vazios, memória que medra.
O sino ecoa em tom de agonia,
Marcando o fim da última alegria.
Nos corredores, passos sem dono,
Sombras deslizam em eterno abandono.
Um véu de pranto cobre o altar,
Onde promessas vieram a se quebrar.
E ali, entre ruínas e dor silente,
O amor renasce… sombrio e ardente.
Tempo perdido
Já batalhei tudo o que tinha a batalhar
Já falhei tudo o que tinha a falhar
Hoje só batalho se assim precisar
Hoje só falho se me deixar enganar
Já trabalhei tudo o que tinha a trabalhar
Já trilhei tudo o que tinha a trilhar
Hoje só trabalho se for para o meu salário aumentar
Hoje só trilho se o caminho for o certo para triunfar
Já ralhei tudo o que tinha a ralhar
Já avacalhei tudo o que tinha a avacalhar
Hoje só ralho se alguém realmente se portar mal
Hoje só avacalho se a pessoa comigo se armar
Já atrapalhei tudo o que tinha a atrapalhei
Já olhei tudo o que tinha a olhar
Hoje só atrapalho se for para tempo, ganhar
Hoje só olho se aquele olhar estiver mesmo a matar
Teus olhos são a origem do tempo
Juvenil Gonçalves
Teus olhos são luas gêmeas em órbitas de vigília,
cicatrizes de um cosmos que não dorme.
Ao decifrá-las, desaprendo a física:
são elas que inventam o mar, a carne, o relógio.
Não há mundo além de seu eclipse.
O oceano que neles navega não é líquido,
mas fronteira entre o ser e o véu —
ondas quebrando em espelhos onde o real
se desfaz e recompõe, eterno ensaio.
A lua que ali dança não é astro,
é a primeira metáfora, o desejo
que antecede até o verbo desejar.
Constelações cravadas em tua pupila
são alfabetos de um caos primordial:
cada estrela, uma sílaba do nome
que jamais pronunciaremos.
Elas cartografam o vazio entre dois corpos,
a distância entre o "eu" e o "outro"
— abismo que chamamos amor,
mas que, no fundo, é só o eco
de um sol que se apagou há eras.
Há em teu olhar a vertigem do infinito:
cada piscar é um universo nascendo
de um suspiro, ou um buraco negro
engolindo todas as perguntas.
Não é angústia, é a lei secreta —
tudo que existe carrega em si
o germe da própria extinção.
Até o amor. Especialmente o amor.
Amar-te é habitar um paradoxo:
é morder a sombra de um fruto proibido
cuja polpa é feita de ausência.
É saber que a luz que me guia
já foi apagada há milênios,
e ainda assim jurar que é nova,
que é minha, que é eterna.
Porque teus olhos, veja bem,
são relógios sem ponteiros:
neles, o instante é tudo.
E tudo é só um reflexo
de algo que perdemos
antes mesmo de nascer.
