Fazia Tempo que eu Nao me Sentia Tao Sentimental
O tempo pode apagar as lembranças de um rosto, mas nunca apagará lembranças que passamos juntos.
É difícil demais ter que ficar longe de quem você mais queria estar perto, mas uma pessoa não precisa estar a vida inteira ao seu lado para se tornar única e inesquecível.
Existiu um momento, não sei, em que a coisa realmente pareceu que ia dar tudo certo, mas infelizmente não é do jeito que gostaríamos.
Não importa se você está perto ou longe, seremos Shrek e Fiona pra sempre!
Amo você até o céu!
Meu amor eterno...
A imaginação é o único lugar onde podemos ser o que quisermos. Podemos ser loucos ou lógicos. Nela estaremos seguros em nossos sonhos.
Luciano Spagnol
poeta do cerrado
27/01/2016
Cerrado goiano
OS PRATOS DE VOVÓ
A minha avó guardava, com alegria,
muitos pratos, lindíssimos, de louça
que ganhou de presente, quando moça,
e que esperava usar – quem sabe? – um dia.
Mas a vida passando tão insossa
e nada de importante acontecia
e ninguém pra jantar aparecia
que compensasse abrir o guarda-louça.
Vovó morreu. Dos pratos coloridos
que hoje estão quebrados e perdidos
ela jamais usou sequer um só.
Assim também meus sonhos, tão guardados,
terão, por nunca serem realizados,
o mesmo fim dos pratos de vovó.
AINDA
Espero que você me ame ainda
no dia em que bater à sua porta
e lhe dizer que, agora, só me importa
livrar-me, enfim, desta saudade infinda.
E ver no seu olhar que me conforta
e ouvir de sua boca doce e linda
que esta minha presença foi bem-vinda,
que sua casa ainda me comporta.
Aí, então, num demorado beijo,
terei pena de quem tem por desejo
conquistar o dinheiro, a sorte, a fama,
Pois nada terá tal encantamento
do que, depois de tanto sofrimento,
ouvir você dizer que ainda me ama.
É no silêncio que sinto a sensação de duração do tempo. É na ausência dele que vejo a importância do tempo.
TEMPO
Quanto tempo leva para se dizer que já passou do tempo?
Quantos filhos o tempo tem?
O tempo é uma pedra filosofal, transformando tudo em ouro;
Ouro velho, ouro novo, ouro raro
O tempo transforma:
Medo com o tempo vira distancia,
Distancia com o tempo vira saudade,
Saudade com o tempo vira tristeza,
Tristeza com o tempo vira lembrança,
Lembrança com o tempo vira arrependimento,
Arrependimento de não ter aproveitado o tempo que o tempo deu...
A espera de ver ela chegar,
A sustentação de um olhar,
O acelerar de dois corações,
A pausa eterna de segundos de silencio,
A pausa de uma respiração e um beijo,
Tudo tem seu tempo.
Quanto todos perdem tempo procurando ter tempo
Achando que o tempo de amanhã é mais valioso que o de hoje
Mais valioso que o agora
Com o tempo todos esquecem que só o tempo é eterno
O tempo sempre volta mas não traz ninguém consigo.
“Alice: Quanto tempo dura o que é eterno?
Coelho: As vezes apenas um segundo”.
RELÓGIO
Sou as horas que anda, que anda
Segundos, sem fim, sem dimensão
Vou levando verás, agridoce ilusão
Sonhos, e o teor na sua demanda
Sou o tempo, a correr, indagação
A realidade adestrada da varanda
Do viver, sem fingida propaganda
Minutos no vai e vem da emoção
Ninguém pode parar meus anos
Nascem e morrem, sem medida
Desse modo, acertos e os danos
E não há rebelião pra hora corrida
Há vida, tudo passa, sem planos
Então, não desprezais minha batida...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
2019, fevereiro, 03
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Todos os dias separo um tempo do meu dia somente para pensar em você.
Esse tempo é todo o momento que não estou falando com você.
A hora passa, os minutos vão passando...E em algum lugar do planeta alguém pergunta: Porque meu Deus? E não encontra resposta. Isso porque o nosso tempo não é o tempo de Deus! 🙏
O tempo mudou e me deixou mais firme. Mais atento as minhas vontades. Mais fiel ao que acredito. O tempo mudou e me mostrou que um ‘adeus’ cheio de orgulho pode, no fundo, esconder um ‘até breve’ apaixonado. O tempo mudou e eu mudei junto com o tempo. E não existe tempo suficiente para ficar chorando pelo leite derramado. O leite que só derrama quando a gente sai de perto. O tempo das coisas que só acontecem no tempo certo. Dos amores que só permanecem quando sentem o cuidado. Da vida que floresce quando o tempo cede o espaço. Um tempo que muda e que muda o meu mundo junto com ele. E não adianta tentar segurar o tempo com as mãos. O tempo é água de chuva forte escorrendo pelos dedos. Levando tudo pelo caminho. Um dia gritei pelo tempo quando ele passou, mas ele nunca olhou para trás. É que o tempo não sabe brincar.
quando as flores renascem, é um tempo novo que chega...e todos os sonhos se juntam num sonho maior...
Àquelas desculpas que um dia quisera pedir, guarda com o arrependimento porque o tempo virá de cobrar o sentimento que ficar. O amor não tem pressa, costuma demorar.
A Irreparável Fuga do Tempo
Justamente aquela noite iria começar para ele a irreparável fuga do tempo. Até então ele passara pela despreocupada idade da primeira juventude, uma estrada que na meninice parece infinita, onde os anos escoam lentos e com passo leve, tanto que ninguém nota a sua passagem. Caminha-se placidamente, olhando com curiosidade ao redor, não há necessidade de se apressar, ninguém empurra por trás e ninguém espera, também os companheiros procedem sem preocupações, detendo-se frequentemente para brincar.
Das casas, a porta, a gente grande cumprimenta-se benigna e aponta para o horizonte com sorrisos de cumplicidade; assim o coração começa a bater por heroicos e suaves desejos, saboreia-se a véspera das coisas maravilhosas que aguardam mais adiante; ainda não se veem, não, mas é certo, absolutamente certo, que um dia chegaremos a elas.
Falta muito? Não, basta atravessar aquele rio lá longe, no fundo, ultrapassar aquelas verdes colinas. Ou já não se chegou, por acaso? Não são talvez estas árvores, estes prados, esta casa branca o que procurávamos? Por alguns instantes tem-se a impressão que sim, e quer-se parar ali. Depois ouve-se dizer que o melhor está mais adiante, e retoma-se despreocupadamente a estrada. Assim, continua-se o caminho numa espera confiante, e os dias são longos e tranquilos, o sol brilha alto no céu e parece não ter mais vontade de desaparecer no poente.
Mas a uma certa altura, quase instintivamente, vira-se para trás e vê-se que uma porta foi trancada às nossas costas, fechando o caminho de volta. Então sente-se que alguma coisa mudou, o sol não parece mais imóvel, desloca-se rápido, infelizmente, não dá tempo de olhá-lo, pois já se precipita nos confins do horizonte, percebe-se que as nuvens não estão mais estagnadas nos golfos azuis do céu, fogem, amontoando-se umas sobre as outras, tamanha é sua afoiteza; compreende-se que o tempo passa e que a estrada, um dia, deverá inevitavelmente acabar.
A um certo momento batem às nossas costas um pesado portão, fecham-no a uma velocidade fulminante, e não há tempo de voltar.
Será então como um despertar. Olhará à sua volta, incrédulo; depois ouvirá um barulho de passos vindo de trás, verá as pessoas, despertadas antes dele, que correm afoitas e o ultrapassam para chegar primeiro.
Ouvirá a batida do tempo escandir avidamente a vida. Nas janelas não mais aparecerão figuras risonhas, mas rostos imóveis e indiferentes. E se perguntar quanto falta do caminho, ainda lhe apontarão o horizonte, mas sem nenhuma bondade ou alegria. Entretanto, os companheiros se perderão de vista, um porque ficou para trás, esgotado, outro porque desapareceu antes e já não passa de um minúsculo ponto no horizonte.
Além daquele rio — dirão as pessoas —, mais dez quilômetros, e terá chegado. Ao contrário, não termina nunca, os dias se tornam cada vez mais curtos, os companheiros de viagem, mais raros, nas janelas estão apáticas figuras pálidas que balançam a cabeça.
Então já estará cansado, as casas, ao longo da rua, terão quase todas as janelas fechadas, e as raras pessoas visíveis lhe responderão com um gesto desconsolado: o que era bom ficou para trás, muito para trás, e ele passou adiante, sem dar por isso. Ah, é demasiado tarde para voltar, atrás dele aumenta o fragor da multidão que o segue, impelida pela mesma ilusão, mas ainda invisível, na branca estrada deserta.
Ai, se pudesse ver a si mesmo, como estará um dia, lá onde a estrada termina, parado na praia do mar de chumbo, sob um céu cinzento e uniforme, sem nenhuma casa ao redor, nenhum homem, nenhuma árvore, nem mesmo um fio de erva, tudo assim desde um tempo imemorável.
