Fazia Tempo que eu Nao me Sentia Tao Sentimental
A vida não avisa.
Ela arranca.
Me tirou de um lugar às pressas, sem tempo de pensar, sem tempo de sentir.
Quando vi, já tava com o coração na mão e o corpo em outro canto..
outro teto, outra rua…
o mesmo peso.
E como se não bastasse, o destino foi irônico.
Me deixou exatamente onde eu não pisaria de novo.
Não por saudade.
Não por escolha.
Mas por necessidade.
A rua é a mesma,
o silêncio é diferente.
Eu passo sem olhar.
Não por fraqueza...
Mas porque dessa vez eu aprendi.
Tem portas que não se batem mais.
Tem nomes que não se chamam mais.
Tem histórias que não se reescrevem.. se enterram.
Eu já me dei demais.
Já fiquei demais.
Já insisti onde só eu existia.
Agora não.
Agora eu passo.
Fria por fora, inteira por dentro.
Porque ir embora, às vezes, não é sair do lugar.
É sair de quem a gente era quando aceitava tão pouco.
"Dizem que o tempo cura tudo.
Mas não dizem quanto tempo leva o tempo, já que temos tão pouco tempo..."
Haredita Angel
26.07.26
O tempo passa, sim.
E não pede licença.
Ele desgasta o toque,
apaga o costume,
e transforma presença
em lembrança mal resolvida.
A intimidade, que um dia foi abrigo,
vira território estranho —
onde dois corpos se reconhecem,
mas já não se encontram.
Porque o tempo, quando não é cuidado,
não cura…
ele afasta.
Não é o lugar, nem quem passou,
o tempo mente... Nada levou.
Há algo em mim que insiste em ficar:
não acaba… aprende a morar.
O tempo não passa - ele cobra.
Ele não espera você se encontrar,
não respeita seu medo,
não negocia com sua dúvida.
Ele ruge.
Enquanto você hesita,
ele arranca pedaços do que você poderia ter sido.
E a vida?
A vida não pausa pra você se organizar.
Ela acontece no improviso,
no erro,
no “vai assim mesmo”.
Tem gente esperando o momento certo.
Tem gente esperando coragem.
Tem gente esperando aprovação.
E tem quem entendeu.
Que o agora é bruto,
imperfeito,
e mesmo assim… suficiente.
Não é sobre dar conta de tudo.
É sobre não se abandonar no meio do caminho.
Porque no fim,
o tempo não leva só os dias.
Ele leva versões suas
que nunca tiveram a chance de existir.
"O tempo não tem pressa: Ele desfaz rótulos, expõe interesses, remove máscaras e devolve cada pessoa ao lugar que suas próprias escolhas construíram."
Há pessoas que voltam iguais, mas nós já não as provamos com a mesma boca. O tempo muda o sabor de quase tudo.
Não me preocupa um erro "gramaticau" se o raciocínio é inteligente. Um tempo verbal pode ser sempre corrigido, um idiota não.
Não há jeito mais medonho de perder Tempo do que passar Tempo longe do Dono do Tempo.
Há os que erroneamente acreditam que o Tempo só se perde nas distrações, nos atrasos, nos desvios da vida…
Mas, na verdade, não há forma mais sombria de desperdiçá-lo do que tentar vivê-lo longe Daquele que o sustenta.
Distante Daquele que até dele é Senhor.
Tempo sem sentido é aquele que tentamos carregar sozinhos — como quem tenta segurar água nas mãos.
Esse é o Tempo que inevitavelmente escorre, some e evapora.
Estar longe do Dono do Tempo é caminhar com pressa, mas sem destino; é preencher os dias, mas não a alma; é envelhecer por fora sem amadurecer por dentro.
Quando nos afastamos da Fonte, até os minutos pesam.
Mas quando nos reaproximamos, até o silêncio floresce.
O Tempo ganha outra textura quando lembramos que não somos seu dono, apenas passageiros.
E que sentido maior existe do que entregar essa travessia a quem conhece todos os portos?
No fim, o maior desperdício não é o Tempo perdido — é a vida não vivida na presença de quem a criou.
É ali, e apenas ali, que os dias se encaixam, que as horas respiram e que o Tempo, enfim, encontra propósito.
Tempo bom é aquele vivido nos braços de seu Dono!
Talvez o mais trágico não seja os humanos terem que provar para as máquinas, o tempo todo, que não são uma delas.
O drama maior parece estar na naturalidade com que passamos a imitá-las — e, pior, na pressa com que nos deixamos confundir com elas.
A máquina não sente cansaço moral, não hesita diante do outro, não se constrange com a própria indiferença.
Quando o humano começa a responder sem escuta, decidir sem empatia e repetir padrões sem reflexão, não é a tecnologia que o desumaniza: é a abdicação silenciosa daquilo que o tornava distinto.
Há um perigo sutil em trocar o tempo do cuidado pelo tempo da eficiência, a dúvida honesta pela resposta pronta, o encontro pelo desempenho.
Nesse processo, já não é a máquina que nos exige provas de humanidade; somos nós que, pouco a pouco, deixamos de exigi-las de nós mesmos.
No fim, talvez a pergunta mais urgente e necessária não seja “como convencer as máquinas de que somos humanos?”, mas “em que momento nos tornamos tão confortáveis em agir como se não fôssemos?”.
Felizes os que não extraviam o Tempo do Propósito para desperdiçá-lo em guerras erradas.
Porque tempo é vida em estado bruto — e vida não admite rascunho.
Há batalhas que seduzem pelo barulho, pela plateia, pela falsa sensação de heroísmo.
São guerras que inflam o ego, mas esvaziam a alma.
Lutas que parecem urgentes, mas não são importantes.
Conflitos que prometem justiça, mas só alimentam vaidades feridas.
Escolher as próprias guerras é um ato de maturidade espiritual.
É entender que nem toda provocação merece resposta, que nem toda divergência exige trincheira, que nem todo ataque precisa de contra-ataque.
Às vezes, a maior vitória é permanecer inteiro.
Quem aprende a escolher suas guerras descobre que propósito não combina com distração.
Que energia é recurso sagrado.
Que paz não é covardia — é estratégia.
E que há combates que só existem para nos afastar daquilo que realmente fomos chamados a construir.
Felizes os que discernem.
Felizes os que aprenderam a escolher suas guerras.
Porque não vencem todas as batalhas — mas preservam aquilo que nenhuma vitória pode devolver: o próprio destino.
Não há desperdício de tempo mais bobo que tentar explicar algo para os que já escolheram em que acreditar.
Porque, no fundo, não se trata de falta de informação — trata-se de decisão.
E decisões, escolhas, quer coincidam com as nossas ou não, devem ser religiosamente respeitadas.
Há quem não busque a verdade, mas apenas argumentos que sustentem o que já foi escolhido antes mesmo da reflexão começar.
E contra decisões disfarçadas de convicção, a lógica se torna quase inútil, como chuva fina tentando atravessar vidro fechado.
Explicar exige abertura.
Não só de quem fala, mas principalmente de quem ouve.
Exige um espaço interno onde a dúvida ainda tenha permissão para existir, onde o desconforto de estar errado não seja imediatamente rejeitado como uma ameaça pessoal.
Mas quando alguém transforma sua crença em identidade, qualquer questionamento deixa de ser diálogo e passa a ser ataque.
E então nascem conversas que não caminham.
Palavras que não encontram abrigo.
Ideias que morrem no ar antes mesmo de serem compreendidas.
Não por falta de clareza, mas por falta de disposição.
Talvez a maturidade esteja em reconhecer esses limites.
Em entender que nem toda verdade precisa ser defendida a todo custo, nem toda discussão precisa ser vencida, nem toda explicação precisa ser dada.
Há um tipo de sabedoria muito silenciosa em saber quando parar de falar…
Porque, às vezes, insistir em explicar não é um ato de generosidade — é apenas um apego nosso à necessidade de sermos compreendidos.
E isso também pode ser um desperdício.
