Fazia Tempo que eu Nao me Sentia Tao Sentimental
Andei a noite
senti saudades,
da minha amiga,
do café que ela fazia,
do sofá em que a gente ria
Facilmente
voava da nossa boca
pequenas, novas palavras
Inventamos verbo “ paranoiando “
— Que saudade de paranoiar
É estranho se afastar de alguém que você passava horas e horas conversando. Alguém que te fazia mil e uma juras, dizia nunca te abandonar, e prometia ficar para sempre. Alguém que planejava o futuro junto a ti. Alguém que na verdade, nunca existiu.
Saudades da época em que um simples beijinho fazia 'sarar' qualquer machucado e 'aliviava' qualquer dor.
Saudade de seus beijos que me despiam... De sua boca carnuda que em doces mordidas me fazia perceber que o mundo era mais completo quando estava ao seu lado!!
.. Quem dera fosse assim, como uma fórmula de equação.
Separaria os termos para os lados, e fazia a divisão.
O duro é achar o valor de X que é sempre um e eu insisto em ver nós dois. Sou ruim de matemática do coração
Faust
Gato aquele que fazia meu dia,
Cada fantasia contada com alegria,
Cada miado pedindo por mais–
Por mais ração, por mais diversão, por mais vida.
Qual bela poesia poderá te salvar?
Do vazio que carregava nas ruasm
Caminho em meio à multidão,
Como se fôssemos iguais.
Hoje, no silêncio que habita na calada da noite,
A cada sentença, uma antiga memória perturba.
Parece até que foi hoje,
Que acariciei tua barriga fofa.
Parece até que foi hoje,
Que derramei meu ser em ti.
Me pergunto se você sentiu dor...
Você sentiu dor?
A morte é algo que toma tudo de ti,
Toma tudo que tu sente.
E quando me vi diante de você,
Me senti tão indiferente.
Gato aquele que descartei,
Como cadáver,
Na mata da alma.
E, na ausência de empatia, me pergunto:
Qual o problema comigo?
O que tem de errado em mim?
Eu nem chorei quando te vi ali no chão–
Seu sangue ainda fresco, mas meio seco.
Seu cheiro indicava que foi recente.
A morte te faz pensar.
Pensar...
Que não quer morrer.
Antigamente nas músicas havia o DUPLO SENTIDO, que nos fazia rir, hoje só trazem um UNICO SENTIDO que é causar vergonha.
Pangeia
Certa vez, um jovem decidiu parar o que fazia
e apenas… pensar.
Mas só conseguia pensar nela.
Então resolveu escutar os sons ao seu redor —
e o som era a voz dela.
Depois, tentou ver o mundo à sua volta —
e descobriu que o seu mundo era ela.
Seu mundo nascera no instante em que a viu pela primeira vez.
Percebeu que nunca havia olhado para ninguém
como olhava para ela.
E então ele parou.
Parou para olhar.
E, de repente, finalmente a viu —
tal como um sonho insonhável,
pois sua mente jamais ousaria criar tamanha perfeição.
Jamais ousaria conceber visão tão rara,
um instante que nenhum pensamento ousaria prever.
E assim entendeu que, antes dela,
tudo não passava de uma imensa…
Pangeia.
As Quatro Estações de Nós
Seus olhos eram como a primavera,
seu brilho faziameu coração se abrir,
assim como as flores desabrocham ao toque da luz
e as árvores renascem
após longos outonos,
Sua pele era fria como o gelo,
era como neve branca que prevalece ao inverno.
Nós tínhamos uma química
quente como o verão.
Mas, no fim,
fomos outono.
Caímos como folhas secas,
e o que era “nós”
virou chão.
Morreu.
Pois agora,
duas almas são condenadas
a vagar por esse mundo vasto,
até encontrar
a primavera no olhar de outro alguém,
e renascer novamente.
Aquela rua, no silêncio adormecido de um corredor sem fim, onde cada passo ecoava no escuro, fazia-se rasgo memorial.
Invadia-me uma indiferença, uma atonia, que me fazia viver sem me decidir a tentar o menor passo para sair da situação em que me achava.
Rani que era muito habilidosa com as mãos, fazia suas próprias sandálias com ramas de árvores e arbustos, bem trançados e alinhavados. Depois pintava com tintas que ela mesma preparava e sempre mantinha pelo menos uns três pares de sandálias novas em seu armário.
Eram lindas suas sandálias, mas por não serem feitas pelo sapateiro credenciado e nem de couro de jumento chancelado, não podiam ser usados para caminhar pelo vilarejo durante o dia, mas a noite Rani colocava eles nos pés e saía. Ela adorava caminhar pelas ruas e vielas do vilarejo e principalmente ir até a padaria. No caminho ela era acompanhada por um curiango que cantava melancólicas melodias e Rani sorria e cantava junto com ele transformando todas elas em canções de amor, e por isso o curiango a seguia, pois ele cantava triste a noite inteirinha com saudades da sua amada, mas Rani o animava com suas cantorias de menina pela vida apaixonada.
Assim como só havia um sapateiro no vilarejo, também tinha só uma padaria e Backer, um jovem forte e corpulento era o ajundante de padeiro e era com ele que Rani adorava passar tempo conversando durante uma fornada e outra de pão sem fermento.
Na aparente calma noturna,
a dor da perda daquele amor se fazia presente. As lágrimas eram puro silêncio e dor.
Ela sempre foi movimento.
Casa girando em torno dela.
Mão que fazia, boca que orientava, olho que via tudo.
Era dessas mulheres que acordam antes do sol
e dormem depois da vida.
Sabia onde estava cada coisa.
Cada conta.
Cada remédio.
Cada problema.
Ela era memória viva da família.
Era calendário, era agenda, era conselho.
E agora…
O tempo resolveu brincar ao contrário.
O nome das coisas escapa.
Os rostos às vezes embaralham.
As histórias ficam pela metade.
Mas tem uma coisa que não foi embora:
a essência.
O jeito de segurar a mão.
O olhar que ainda procura cuidado.
A doçura que aparece em lampejos.
O Alzheimer não apaga quem ela foi.
Ele embaralha caminhos,
mas não destrói o que foi construído em décadas de força.
Existe uma inversão silenciosa:
quem foi porto vira mar aberto.
Quem guiava agora precisa ser guiada.
E dói.
Dói porque a gente lembra de tudo.
E ela… às vezes não.
Mas amar alguém com Alzheimer é aprender outra língua.
É repetir sem irritação.
É contar a mesma história como se fosse a primeira vez.
É segurar firme quando o mundo dela fica confuso.
Ela continua sendo a minha mãe.
Mesmo quando não sabe dizer seu nome.
E talvez agora o papel seja meu:
ser memória por duas,
ser paciência por duas,
ser colo por duas.
O corpo pode esquecer.
Mas o amor não desaprende.
E isso, ninguém tira dela. Nem de mim.
Sonhos do dia 02 de agosto de 2023!
Sonhei com disco voador holográfico que fazia um barulho ensurdecedor. Todo mundo em Pânico! Eu apenas fechei os olhos para não ver.
Sonhei visitando a antiga casa da minha avó paterna, já falecida e a casa estava em ruínas...
Sonhei em um lugar estranho, com pessoas estranhas...
"Lembra aquela criança que fazia qualquer conselho entrar por um ouvido e sair pelo outro: se tornou um adulto."
Nem toda conquista preenche... algumas só revelam o quanto nos afastamos do que realmente fazia sentido.
Ela era lavadeira, cantadora
e fazia do coração grande
um altar como devota
zelosa de Nossa Senhora;
A criançada gostava
de ajudar a pendurar
as roupas só para ouvir
a saudosa Idalina cantar.
Ela era nordestina e irmã
presente das vizinhas,
que oferecia sempre
o melhor para alegrar,
Coragem naquela mulher
tinha para esbanjar.
Nunca esqueci do dia
que ela pediu ao marido
colher côcos para uma
surpresa nos preparar,
Os anos se passaram,
e nada da memória
conseguiram apagar.
De um dia para o outro
quando voltamos como
de costume para ouvir
ela cantar enquanto
as roupas ela lavava,
A gente também cantava
se importar com nada.
Era somente a gente
naquele distante lugar,
não havia ninguém
para da algazarra reclamar
e o tempo passava
por nós sempre devagar.
Assim que terminou
de lavar as roupas
que não eram poucas,
Nos chamou até a sala,
vimos a mesa arrumada
com uma bela toalha
e guardanapos rendados,
Como a realeza viesse
ali conosco se sentar.
Ela pediu para esperar,
fez a criançada rezar,
E foi assim que não fui
somente eu que provei
o mais autêntico Manjar,
que deixou essa memória
bonita para compartilhar.
