Fazia Tempo que eu Nao me Sentia Tao Sentimental
Minha querida Inês!
Há muitas coisas que eu quero dizer-lhe: não me pergunte e tampouco busque explicações em querer saber como consigo inspiração para escrever tudo o quão importante você é na minha vida.
Agradeço-lhe, por ser tio de uma menina super especial!
Você é um anjo que nos cerca com luz, força e sabedoria!
Você, não só é importante, como tão bem faz a grande diferença!
Quando me encontro e falo com você, eu flutuo, eu sonho, eu ganho asas até conseguir o abraço dos nossos corações.
Nossos encontros me dão aconchegos tão especiais, que deles eu não desejo mais sair.
A tua ternura e tua simpatia entoam palavras benéficas, repletas de ingenuidades e de verdades, dizem coisas que adoro escutar.
Você é uma pessoa maravilhosa!
As pessoas especiais como você, não passam por nossas vidas a todo instante!
A humanidade precisa ter mais sensibilidade e percepção para não perder pessoas como você!
Te amo de paixão!
Feliz aniversário!
Parabéns!
Tio Nino
Não importa se pratico bem ou mal a minha religião. Sei apenas que quando a pratico, eu me sinto bem!
Ainda não encontrei argumentos que me façam parar de trabalhar, mas quando os encontrar, eu terei tantos mais, para continuar trabalhando.
Eu não estou em uma competição com ninguém, nenhum de nós será lembrado, nossa existência como uma raça, a humanidade é um blip, um milisegundo na história de todo o universo. Todos esses muros que não nos deixam amarem uns aos outros como uma só família, como uma só raça: racismo, religião, classe social, tudo isso que nos torna tão egoístas, tão focados em nosso legado individual ao invés do legado de toda nossa raça, por exemplo, os dinossauros não são lembrados por nada além de seus ossos, então quando a humanidade estiver extinta, o que nós acrescentamos a esse pequeno planeta ?
Eu não sou inimigo de ninguém. Não carrego rancor, não forjo barreiras invisíveis entre mim e o outro. Sou a quietude no meio da tormenta, o rio que segue seu curso indiferente aos obstáculos que encontra. O inimigo não sou eu; são as sombras que habitam nas mentes alheias, são os medos e inseguranças que projetam nas suas percepções distorcidas. As pessoas se debatem contra os espelhos das suas próprias inquietações, guerreiam contra fantasmas que criaram. Eu permaneço aqui, inabalável, testemunha serena de uma batalha travada no íntimo de cada um. A verdadeira luta é interna, e, enquanto não reconhecem isso, continuam a ver inimigos onde há apenas reflexos de si mesmos.
Loucura seria se eu não me ouvisse,
se não escutasse a voz tempestuosa do meu próprio ser, no silêncio das minhas inquietações e nos gritos das minhas certezas;
Loucura seria se eu não me permitisse,
sentir cada pulsar do meu coração,
dançar ao ritmo dos meus sonhos/ideais e desalinhar meus passos ao som das minhas paixões;
Loucura seria se eu não me seguisse,
pelos caminhos que eu mesmo traço,
pela estrada que se faz no instante em que decido viver a minha verdade e que Deus impõe que eu viva;
Loucura seria se eu não me amasse,
com a intensidade de um pôr do sol,
abraçando minhas imperfeições, celebrando minhas singularidades, mesmo não sendo compreendida e julgada negativamente pela maioria que não aceita minhas decisões;
Loucura seria se eu não me fosse,
se não me permitisse ser tudo o que sou,
em cada suspiro, em cada escolha, em cada recomeço.
Eu sou analítica, mas não fria. Sinto o que a maioria não percebe que nao sei como mas leio silêncios, interpreto entrelinhas e enxergo nuances que muitos ignoram. Vejo além dos gestos e questiono o que se cala. Carrego no peito um laboratório de dores que ninguém catalogou, feito de mapas mentais e cicatrizes emocionais, de hipóteses sobre o mundo e feridas que ainda não viraram tese.
Ser analítica não é uma escolha: é uma forma de existir, é medir a profundidade de um abismo com os olhos abertos e, mesmo assim, tentar atravessá-lo. Não se trata de falta de fé, mas de excesso de percepção, é saber que um sorriso pode mentir e que um toque pode calar, é doer no ponto exato onde os outros passam batido.
Ser analítica me custa noites mal dormidas, me leva a refletir sobre o que ninguém disse, me faz questionar até os próprios sentimentos, mas também me salva dos enganos que machucam sem nome, é viver entre o sentir e o pensar, entre o racional e o sensível, como quem caminha sobre uma linha fina entre dois mundos.
No fim, ser analítica é existir com lupa em um mundo que prefere o raso, é doer com consciência, é amar com profundidade. É viver mesmo que doa com verdade.
Seu Delegado
Seu delegado, digo a vossa
senhoria
Eu sou fio de uma famia
Que não gosta de fuá
Mas tresantontem
No forró de Mané Vito
Tive que fazer bonito
A razão vou lhe explicar
Bitola no Ganzá
Preá no reco-reco
Na sanfona de Zé Marreco
Se danaram pra tocar
Praqui, prali, pra lá
Dançava com Rosinha
Quando o Zeca de Sianinha
Me proibiu de dançar
Seu delegado, sem encrenca
eu não brigo
Se ninguém bulir comigo
Num sou homem pra brigar
Mas nessa festa
Seu dotô, perdi a carma
Tive que pegá nas arma
Pois num gosto de apanhar
Pra Zeca se assombrar
Mandei parar o fole
Mas o cabra num é mole
Quis partir pra me pegar
Puxei do meu punhá
Soprei o candieiro
Botei tudo pro terreiro
Fiz o samba se acabar.
Mudei
Eu mudei!!
Já não falo mais nada;
Fico só a perscrutar
a minha insensatez.
Certas palavras
Que saem da minha boca
Não valem mais a pena ser ditas
Por isso, mudei.
Fiquei assim:
Em silêncio.
E, acabei descobrindo
Que ficando mudo
Eu acabei ouvindo...
o mundo.
Na cadeira do eu não concordo
se sentam todas as justificativas.
Na cadeira do eu proponho
senta o silêncio e a preguiça.
Estou feliz com as minhas conquistas e, muitas vezes, paro para refletir: se eu não tivesse TDAH, se não tivesse me casado, se meu pai não tivesse falecido, se meus acertos tivessem sido maiores do que os meus erros… eu ainda seria a mesma pessoa?
Talvez não. Porque cada limite me obrigou a criar força, cada perda me ensinou profundidade e cada erro me deu consciência. O que sou hoje não nasceu do caminho ideal, mas do caminho possível, e foi nele que aprendi a sustentar quem me tornei.
Amém.
