Fazer
Quem aprendeu a fazer boas perguntas já percebeu que muitas respostas são apenas maneiras sofisticadas de encerrar uma conversa.
Há uma forma silenciosa de culpa: possuir a possibilidade de fazer o bem e escolher, deliberadamente, não fazê-lo.
O indivíduo pode escolher aquilo que deseja fazer, mas não escolhe livremente a origem de todos os desejos que determinam aquilo que pretende fazer.
Nenhum governo se torna legítimo simplesmente porque consegue fazer com que os cidadãos obedeçam; a eficácia do poder não é prova suficiente de sua legitimidade.
Passei anos tentando fazer meu quadro caber em uma moldura que mudava diariamente de acordo com o seu humor. Quando algo passava da marge, eu cortava sem pensar duas vezes.
E SE DÊ CERTO?
E se der certo?
Talvez essa seja a pergunta que deveríamos fazer antes de desistir de amar.
Depois de algumas decepções, a gente começa a acreditar que ficar sozinho é mais seguro.
E talvez seja.
Mas seguro não significa necessariamente feliz.
Chega uma hora em que a vida pede decisão.
Não problemas.
Solução.
Permitir que alguém entre na nossa vida é uma delas.
Não para ocupar um espaço vazio, mas para construir algo que antes não existia.
Porque amor não deveria ser disputa.
Não deveria ser quem pisa mais, quem demonstra menos ou quem consegue parecer mais indiferente.
Amor deveria ser presença.
Deveria ser cuidado.
Deveria ser aquele simples gesto de segurar a mão de alguém enquanto caminham.
Deveria ser rir de uma bobagem que só vocês dois entendem.
Deveria ser um abraço depois de um dia difícil.
Deveria ser sentir saudade e ter para quem ligar.
A verdade é que ninguém que procura amor quer ser tapete.
Quer ser amado.
Quer ser escolhido.
Quer alguém que diga, mesmo sem grandes discursos:
“Estou aqui.”
Então não permita que uma experiência ruim determine o resto da sua história.
Você não sabe o que pode acontecer se tentar novamente.
Talvez doa.
Talvez não dê certo.
Mas...
E se der certo?
E se dessa vez você encontrar alguém que transforme pequenos momentos em grandes lembranças?
E se aquele telefonema que um dia parecia comum se tornar a voz que você mais espera ouvir?
“Oi, meu bem. Tudo bem?”
E se aquele abraço no fim do dia se tornar o lugar onde você finalmente sente que pertence?
Talvez amar novamente seja exatamente isso:
ter coragem de descobrir se pode dar certo.
Porque, no fim, a vida não é feita apenas dos grandes acontecimentos.
É feita dos pequenos momentos que, quando compartilhados com a pessoa certa, tornam-se inesquecíveis.
Abrace mais.
Beije mais.
Ame mais.
Viva mais.
E, principalmente...
não deixe o medo roubar de você a possibilidade de ser feliz.
Texto: Fhayom para
Marli Barcela 💓
POLÍTICAS PÚBLICAS ANTES DOS VÍCIOS
Existe uma diferença que precisamos aprender a fazer: nem tudo aquilo que é vendido como liberdade deve ser tratado apenas como uma questão de liberdade individual.
O tabagismo é um exemplo histórico.
Quando São Paulo aprovou a Lei Antifumo, em 2009, houve resistência. Proprietários de bares e restaurantes temiam prejuízos, e críticos questionavam se o Estado poderia interferir em uma escolha considerada individual.
Mas a discussão mudou quando se percebeu que fumar em um ambiente coletivo não afetava somente quem fumava. A fumaça atingia também quem estava ao redor.
A questão deixou de ser apenas:
“Eu tenho o direito de fumar?”
E passou a ser:
“Eu tenho o direito de obrigar outra pessoa a respirar a fumaça que escolhi produzir?”
Hoje, estamos diante de uma discussão que guarda algumas semelhanças: as chamadas bets.
A legislação brasileira optou pela regulamentação das apostas de quota fixa, estabelecendo autorização, fiscalização, restrições de publicidade e medidas de proteção ao apostador.
Mas existe uma pergunta legítima que vai além da arrecadação, do entretenimento e do mercado:
Quando uma atividade comercial começa a produzir danos relevantes à saúde, ao patrimônio e às famílias, até onde deve ir a liberdade de explorá-la?
O próprio Ministério da Saúde reconhece os problemas relacionados aos jogos de aposta como uma questão de saúde pública e passou a orientar profissionais do SUS sobre prevenção e cuidado. Em 2026, lançou uma campanha nacional alertando para os riscos do uso problemático das apostas online.
Imagine, então, que o país decidisse seguir um caminho mais radical e proibisse as bets.
Certamente surgiriam os mesmos argumentos que aparecem sempre que o Estado interfere em uma atividade econômica:
“Estão tirando minha liberdade.”
“O governo não pode decidir o que eu faço com meu dinheiro.”
“Milhares de empresas serão prejudicadas.”
“Haverá perda de empregos e arrecadação.”
Todos esses argumentos mereceriam ser considerados.
Mas também precisaríamos fazer outras perguntas:
Quanto custa para a sociedade o endividamento?
Quanto custa para as famílias o jogo problemático?
Quanto custa para o sistema de saúde tratar suas consequências?
Quanto vale a arrecadação quando comparada aos danos que uma atividade pode produzir?
É aqui que a política pública precisa sair da paixão e entrar na análise.
Porque liberdade não pode ser confundida com ausência de regras.
Uma sociedade livre estabelece limites quando o exercício de uma liberdade produz consequências relevantes para outras pessoas.
A questão não deveria ser simplesmente “proibir ou liberar”.
Deveria ser:
Qual modelo protege melhor o cidadão sem ignorar seus direitos, os impactos econômicos e as consequências para a saúde pública?
Foi assim que a sociedade discutiu o cigarro.
E é assim que precisa discutir as apostas.
Talvez a grande lição seja esta:
O Estado não existe apenas para proteger aquilo que podemos fazer. Também existe para proteger as pessoas das consequências quando determinadas práticas passam a produzir danos coletivos.
E, quando interesses econômicos entram nessa discussão, talvez a pergunta mais importante não seja:
“Quanto dinheiro essa atividade movimenta?”
Mas:
“Quanto custa para a sociedade aquilo que esse dinheiro não mostra?”
A Estação de Nós Dois
Quero despir tuas sombras com a ternura do amanhecer,
fazer do teu corpo o jardim onde o tempo esquece de passar.
Quero tocar-te de um jeito tão fundo e calmo
que até o teu silêncio aprenda a cantar.
Quero ser a chuva mansa que acorda a tua terra,
o calor solícito que faz a flor romper o chão.
Quero vestir-te de luz quando a noite for escura
e desarmar, uma a uma, as guardas do teu coração.
Quero transformar nosso toque em mistério e milagre,
como o sol que converte o orvalho em brilho no ar.
Quero ver o teu riso florescer sem nenhum receio,
e fazer da tua vida o lugar mais bonito para se habitar.
Quero inventar uma estação que pertença apenas a nós dois,
onde cada abraço renove a promessa do que há de vir.
Quero fazer contigo o que a luz faz com o dia:
chegar mansamente, aquecer tudo... e te fazer florir.
"Pode fazer o bolo... depois discutiremos sobre o recheio, cobertura, decoração e o pagamento." (não seja esse tipo de pessoa.)
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