Fazer
"Fazer suas escolhas sempre é o melhor caminho! Não fazer... É deixar o destino à pura sorte!"
— Saibert, A. (2026
No início, nada parecia fazer sentido. As paredes respiravam silêncio, as janelas guardavam ventos antigos e o chão, sem pressa, recolhia sombras como quem cole uma memória perdida. Havia um rumor sem origem, um eco suspenso, e no centro desse estranho equilíbrio caminhava o tempo, o Cronos, com seus pés invisíveis, costurando instantes sobre a carne do mundo.
Tudo era confuso apenas para os olhos apressados. Porque o caos, quando visto de perto, parece ruína; mas, quando atravessado pela alma, revela desenho. O Cronos não destruía: lapidava. Tirava nomes, mudava formas, envelhecia certezas, para que o essencial pudesse emergir sem ornamento. Era ele quem partia as horas para que delas nascessem sentido, saudade, retorno e transformação.
Então compreendi que o início não era ausência de lógica, mas excesso de mistério. Nada parecia encaixar porque tudo estava vivo demais, pulsando antes da forma. E o maior sentido estava justamente nisso: no invisível alinhamento entre perda e descoberta, entre demora e revelação, entre o que termina em nós e o que, pelo tempo, finalmente começa. Como rio secreto, Cronos sorria no escuro, sabendo que cada desencontro também era destino antigo.
Às vezes, para ter paz, é preciso fazer o papel de vilão. Nem sempre agradamos a todos, mas proteger nosso equilíbrio e limites exige coragem para enfrentar olhares e julgamentos. A paz interior vale cada sacrifício, mesmo que isso signifique ser visto como o vilão da história.
Há determinadas travessias que ninguém consegue fazer por nós.
Podemos receber amor.
Podemos receber apoio.
Podemos ser abraçados.
Podemos receber uma mão.
Mas existem determinados momentos em que precisamos colocar o próprio pé no próximo degrau.
É mais honesto depender do Bolsa Família do que depender do bolso do Vorcaro e fazer parte do Familhão de privilegiados corruptos!
Para ir para o inferno, você não precisa fazer nada. Basta seguir o próprio coração.
A Bíblia não nos ensina a seguir o coração, mas a submetê-lo a Deus.
O coração humano, entregue a si mesmo, é enganoso e inclinado ao pecado.
Por isso, quem vive apenas pelos próprios desejos caminha para longe da vontade de Deus.
O maior engano desta geração foi acreditar que o coração é um guia confiável.
A Palavra de Deus diz que ele é enganoso e corrupto.
Quando o homem faz da própria vontade sua bússola, inevitavelmente se afasta de Deus.
A salvação nunca esteve em seguir a si mesmo.
Ela está em negar a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir a Cristo.
Não siga o seu coração.
Submeta-o ao Senhor.
Ele te olha e pergunta porque sente vontade de fazer de novo com você. Você devolve a pergunta. No final nenhuma resposta aparece. Eu no fundo, queria que a resposta fosse: amor!
Veneno
Veneno, do latim,
“poção mágica para se fazer amar, encanto e sedução”.
Veneno... de Vênus - da beleza, da sensualidade, livres de um padrão.
Veneno... de Vênus, que surge das espumas do mar sem fim.
...
Veneno... sufocando, corroendo, dilacerando...
lentamente, a vida anoitecendo...
o pensamento escurecendo...
o corpo se desfazendo.
Sentimento... escondido, disfarçado, mascarado?
...
Na quase consciência, inconsciência....na consciência
descaradamente escancarado?
Veneno que lentamente à vida vai dando cabo.
Veneno... onde ficou seu significado original?
Por que, em mim... está em dose mortal!
Deus, hoje eu só preciso que o Senhor me enxergue.
Não vim fazer uma oração bonita. Não vim repetir palavras que já não conseguem traduzir o que existe dentro de mim. Hoje eu só vim porque já não consigo carregar sozinha o peso que tenho sentido.
O Senhor conhece cada renúncia que fiz. Conhece cada desejo que calei, cada lágrima que escondi, cada vez que escolhi obedecer mesmo quando tudo em mim queria desistir. Eu tentei ser fiel. Tentei acreditar que toda espera teria um propósito e que nenhuma entrega feita ao Senhor seria em vão.
Mas existe um lado da espera sobre o qual quase ninguém fala.
Ninguém fala da angústia de um corpo que também sente. Da mulher que também deseja ser acolhida, amada, escolhida, desejada e cuidada. Ninguém fala da solidão que visita o quarto quando a noite chega, nem da batalha silenciosa entre a carne e o espírito. Como se viver um propósito anulasse aquilo que também fomos criados para sentir.
E eu sinto, Deus.
Sinto falta de um abraço que permaneça. De um olhar que me encontre. De alguém que faça o meu coração descansar sem que eu precise lutar tanto para acreditar que vale a pena continuar esperando.
Há dias em que me pergunto se não estou apenas assistindo à vida passar pela janela. Enquanto tantos vivem, constroem histórias e encontram companhia, eu permaneço aqui, presa entre crenças, renúncias e promessas que ainda não consigo tocar. Às vezes, tudo parece distante demais. Até a esperança.
Perdoa-me por dizer isso, mas hoje a espera pesa.
Pesa porque eu também sou carne. Sou mulher. Tenho emoções, tenho desejos, tenho medos. E, por mais que o meu espírito queira Te honrar, há dias em que meu corpo se cansa de esperar por respostas que nunca chegam.
Então eu Te pergunto, com toda a sinceridade que ainda me resta: o que o Senhor quer de mim que eu ainda não consegui compreender? Onde estou falhando? O que ainda preciso aprender? Porque eu tenho tentado. Tenho obedecido dentro das minhas limitações. Tenho permanecido quando tudo em mim queria correr para qualquer lugar onde a dor parecesse menor.
Se for para continuar esperando, faz com que essa espera se torne leve. Se ainda não chegou o tempo da resposta, sustenta-me até ela. Mas, por favor, não permita que eu me perca de mim enquanto caminho em direção à Tua vontade.
Olha para mim, Deus.
Não para a mulher que tenta parecer forte diante dos outros, mas para a filha que hoje se sente cansada, confusa e profundamente aflita. Acolhe aquilo que nem eu consigo nomear. Abraça o que em mim está ferido. E, se eu estiver caminhando na direção certa, dá-me apenas a graça de continuar.
Porque hoje eu não preciso de explicações.
Hoje eu só preciso sentir que o Senhor continua aqui.
Quando compreendi que viver é fazer morada no coração dos que amamos descobri que saudades é a voz do coração dizendo que quer voltar pra casa.
“O que você tem para fazer, faça hoje, porque o hoje é vivo; o amanhã não existe, ainda vai nascer.”
fantasma oficial.
Ela tem um jeito estranho de fazer o mundo parecer menos barulhento.
Não sei exatamente quando comecei a perceber isso. Talvez tenha sido antes mesmo de admitir que estava olhando diferente para ela. Porque algumas pessoas chegam na nossa vida fazendo presença, ocupando espaço, querendo ser notadas. Ela não. Ela simplesmente existe, e de algum jeito isso já basta para mudar o ambiente inteiro. É como se houvesse alguma coisa nela que não precisasse pedir atenção, porque a atenção simplesmente vai até ela.
E eu gosto de olhar para ela.
Não daquele jeito apressado de quem olha só para admirar. Eu gosto de olhar como quem tenta entender. Como se houvesse alguma coisa escondida atrás dos olhos dela que eu ainda não consegui alcançar completamente. E talvez seja justamente isso que me prende. Ela não parece inteira na superfície. Existe sempre alguma coisa acontecendo por dentro, mesmo quando ela não diz nada.
Às vezes eu fico pensando no quanto alguém pode caber dentro de um olhar.
Porque quando olho para ela, não vejo só o rosto que eu gosto, o sorriso que me desmonta ou os pequenos gestos que talvez ela nem perceba que faz. Eu vejo uma história. Vejo tudo aquilo que ela precisou ser para chegar até aqui. Vejo a parte doce, a parte cansada, a parte que ainda acredita nas coisas mesmo depois de ter motivos suficientes para não acreditar mais. E talvez eu goste dela justamente por enxergar essas contradições.
Ela consegue ser forte sem parecer dura.
Consegue ser doce sem parecer frágil.
E existe alguma coisa nisso que me faz querer ficar perto.
Não para consertá-la, porque eu nunca achei que ela precisasse ser consertada. Talvez seja o contrário. Eu só queria conhecer as partes dela que quase ninguém conhece. As coisas que ela pensa quando está sozinha. O que passa pela cabeça dela quando o mundo fica quieto. Os medos que ela esconde atrás de um sorriso. As coisas pequenas que fazem o coração dela ficar leve.
Queria saber o que ela vê quando olha para o céu sem motivo.
Queria saber qual lembrança ainda mora nela mesmo depois de tantos anos.
Queria saber quais sonhos ela abandonou pelo caminho e quais ainda guarda em segredo.
Porque gostar dela, para mim, nunca foi simplesmente gostar da presença. É querer atravessar a superfície.
E talvez esse seja o perigo.
Quanto mais eu olho, mais fundo parece.
É como se eu mergulhasse nos olhos dela sem perceber que estava deixando a margem para trás. E quando percebo, já não estou mais tentando entender quem ela é. Estou apenas ali, dentro daquele sentimento estranho de querer conhecer alguém sem precisar transformar isso em posse.
Eu não quero que ela seja minha porque eu não acho que pessoas devam pertencer umas às outras.
Eu quero que ela escolha ficar.
E existe uma diferença enorme nisso.
Porque se um dia ela olhar para mim e decidir permanecer, eu quero que seja porque encontrou em mim um lugar onde não precisa diminuir nenhuma parte de quem é. Quero que ela possa chegar cansada, confusa, feliz, perdida, exagerada, silenciosa, e ainda assim sentir que pode ser exatamente quem é.
Talvez seja isso que eu sinto quando penso nela.
Não é só vontade.
Não é só saudade.
Não é só encanto.
É uma espécie de paz inquieta.
Como se alguma parte de mim tivesse encontrado alguma coisa que não estava procurando.
E talvez eu nunca consiga explicar exatamente o que existe nela que me faz sentir assim. Talvez algumas pessoas simplesmente não sejam feitas para serem explicadas. São feitas para serem sentidas.
E ela é assim para mim.
Eu olho para ela e, por alguns segundos, esqueço que existe um mundo inteiro acontecendo do lado de fora.
Talvez porque, quando mergulho nos olhos dela, eu não esteja procurando uma saída.
Estou procurando o fundo.
E, pela primeira vez, não tenho pressa nenhuma de voltar à superfície.
Fazer você sorrir não é o mesmo que te fazer bem;
Nem todo sorriso é cuidado há sorrisos que distraem, mas não curam.
