Fazendo a coisa Certa
Enquanto o mundo discute se almas gêmeas existem, meu coração resolveu o mistério: mesmo fazendo de tudo para te apagar, o seu rosto e a sua voz viraram leis fixas na minha memória.
A religião atinge seu ápice de controle quando transforma as correntes em adornos, fazendo o cativo acreditar que sua submissão é, na verdade, um ato de devoção.
Ele, me disse para escrever sobre meus sentimentos...
Estou fazendo isso agora, faz parte da minha história.
Te conto uma coisa que às vezes me pega no meio do dia, quando estou fazendo algo banal como mexer numa xícara ou olhando a janela sem motivo nenhum. Eu paro e penso que já não reconheço mais aquela pessoa indecisa que eu era. Parece até estranho falar assim, como se eu estivesse descrevendo uma conhecida distante, alguém que já dividiu a mesma casa comigo dentro da cabeça, mas que hoje mora em outro endereço emocional. E não foi uma mudança organizada, dessas que a gente planeja numa agenda bonita. Foi no meio do caos mesmo, naquele período meio insano da existência em que tudo parecia acontecer ao mesmo tempo, como se o universo tivesse resolvido testar a resistência da minha alma numa maratona que eu nem sabia que estava inscrita.
Houve dores que eu não tinha vocabulário para explicar. Aquelas que não cabem em frases simples, que fazem o corpo cansar antes mesmo do dia começar. E houve acontecimentos imprevisíveis, daqueles que chegam sem pedir licença, quase arrancando o fôlego da vida, como se o ar ficasse curto por dentro. Eu lembro de pensar, em alguns momentos, que talvez eu estivesse atravessando uma daquelas fases em que o mundo fica meio opaco, meio silencioso demais, e a gente começa a sentir a fragilidade dos dias como quem segura um copo de vidro muito fino. Qualquer movimento parece arriscado.
E tem algo que pouca gente fala com calma. Quando a doença passa perto da gente, ou quando o corpo decide lembrar que é limitado, os dias ficam diferentes. Existe uma melancolia leve pairando no ar, uma espécie de reflexão constante que chega sem ser convidada. O relógio parece ter outra lógica. O tempo ganha peso. Eu comecei a observar coisas que antes passavam despercebidas, como o valor de simplesmente respirar fundo e perceber que ainda estou aqui, ainda existindo nesse caos organizado que chamamos de vida.
Só que, curiosamente, foi exatamente ali, naquele cenário meio turbulento, que eu comecei a me encontrar. É quase paradoxal. Enquanto tudo parecia instável, alguma coisa dentro de mim começou a ficar mais firme. Como se a vida estivesse dizendo, com aquele tom filosófico que às vezes ela usa sem avisar, que viver não é um caminho reto e confortável. Viver é esse conjunto de provas inesperadas, dessas experiências que nos desmontam um pouco para depois nos reorganizar de um jeito mais verdadeiro.
Hoje, quando penso naquela versão indecisa de mim, eu não sinto vergonha nem vontade de negar que ela existiu. Eu olho com certa ternura, na verdade. Aquela pessoa estava tentando sobreviver com as ferramentas que tinha na época. E agora eu percebo que tudo aquilo, até as dores e os momentos em que eu quase perdi o fôlego emocional, foram parte do processo de me tornar mais humana. Mais consciente, talvez. Mais real.
Porque ser humana não é ser forte o tempo todo. É atravessar fases frágeis, sentir a melancolia de alguns dias, aprender com o próprio corpo e com as surpresas da vida. E mesmo assim continuar caminhando. Não perfeita, não invencível, mas mais inteira do que antes. Às vezes eu até sorrio sozinha pensando nisso, como quem descobre que a própria história, apesar de bagunçada, faz um sentido bonito no final das contas.
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No fim das contas, o tal do extraordinário não chega fazendo barulho. Ele não entra pela porta com trilha sonora, nem traz um roteiro pronto digno de cinema. O extraordinário, esse danado, tem uma mania irritante de chegar quando ninguém mais está prestando atenção. Porque no começo é tudo espetáculo. É conversa até de madrugada, risada fácil, promessa que parece contrato vitalício assinado com caneta de glitter. É bonito, claro que é. Mas também é fácil. Fácil demais.
Difícil mesmo é quando o silêncio começa a aparecer sem pedir licença. Quando a rotina bate na porta e não traz flores, só boleto emocional pra pagar. Quando a pessoa já não é novidade, já não é mistério, já não vem com manual de encantamento automático. É aí que a coisa fica interessante. Ou melhor, é aí que a coisa fica verdadeira.
Porque veja só, ficar quando tudo ainda é bonito não exige coragem nenhuma. Qualquer um fica quando o amor ainda está em fase de trailer. Quero ver é permanecer quando o filme já passou da metade, quando você já sabe os defeitos de cor, o tom de voz, o jeito que irrita sem esforço. Quero ver olhar pra aquilo tudo e ainda assim pensar, tá, não é perfeito, mas é aqui que eu quero estar.
E tem uma rebeldia silenciosa nisso. Uma teimosia quase poética. Num mundo que ensina a trocar tudo na primeira dificuldade, escolher ficar é praticamente um ato revolucionário. É dizer pro universo, olha, eu sei que seria mais fácil começar do zero, fingir que nada aconteceu, investir em alguém novo com aquele brilho de novidade... mas eu não quero fácil, eu quero real.
Porque substituir virou hábito. Construir virou raridade.
E construir, minha querida, dá trabalho. Dá preguiça às vezes. Dá vontade de largar tudo e sair correndo feito personagem dramática de novela das nove. Só que aí vem aquela lucidez incômoda, quase uma voz interna meio sarcástica, dizendo: você acha mesmo que lá fora vai ser diferente? Spoiler emocional: não vai.
Todo mundo decepciona. Todo mundo falha. Todo mundo, em algum momento, vai ser exatamente o contrário da expectativa que você criou. A diferença não está em evitar isso, porque isso é impossível. A diferença está em decidir com quem você topa atravessar essa bagunça chamada realidade.
E quando eu fico, não é por falta de opção. Não é por medo. Não é por comodismo. Eu fico porque eu escolho. Porque eu entendi que o extraordinário não mora no auge, mora na constância. Mora naquele café meio sem graça de manhã, na conversa que não é épica mas é honesta, no gesto pequeno que ninguém posta, mas que sustenta tudo.
O extraordinário é olhar pra mesma pessoa, depois de tudo, e ainda reconhecer ali um lugar possível de ficar.
E isso, sinceramente, não tem nada de marketing. Isso é quase um milagre cotidiano disfarçado de rotina.
Se o mundo parece violento, a pergunta mais importante não é o que os outros estão fazendo. A pergunta é: estou me tornando parte do problema ou da solução?
“Não podemos tirar conclusões apenas pelo que vivemos. Compreender fazendo uso da razão nos traz domínio da situação.”
"As vezes me pego fazendo as mesmas coisas que disse que faria mais, geralmente coisas que me feriram ou de alguma forma tiraram minha paz, mas observo muito que é mais sobre pessoas e não sobre mim, então fico chateado mas volto a me posicionar em minha cabeça onde penso "o erro não é você" e sigo enfrente, quando o silêncio entra não é aceitação e sim a forma de dizer: Eu me importei demais por que achei que seria diferente e que entenderia o que me dói, mas a minha dor só cabe a mim! Ninguém se importa com o que te magoa, então vou embora! Não por que não estou feliz, mas sim porque minha paz é prioridade!"
Estamos todos no mesmo trem fazendo a mesma viagem. Uns se conhecem outros não. Uns descem antes outros continuam.
Há pessoas que chegam fazendo barulho. Outras vão ocupando espaço em silêncio, até que, um dia, a ausência delas faz mais barulho do que qualquer despedida.
Você me disse que nunca encontrou uma linha minha. Por um instante, eu também procurei. Não porque elas existissem escondidas, mas porque percebi que nunca as havia escrito.
Talvez eu tenha cometido o erro de acreditar que o tempo sempre nos daria mais tempo: mais uma conversa, mais uma oportunidade, mais um passo. Enquanto eu acreditava nisso, os dias seguiram. E, quando percebi, você e o tempo já haviam escolhido por nós.
Engraçado... Passei anos sem escrever. As palavras voltaram justamente quando você foi embora. Não porque a sua ausência valha mais do que a sua presença, mas porque algumas perdas obrigam o coração a dizer aquilo que o silêncio nunca teve coragem.
Você nunca foi falta de inspiração. Pelo contrário. Você foi a calma que me fez acreditar que sempre existiria um amanhã para recomeçar sorrindo.
Hoje eu entendo que, às vezes, o amanhã acaba. E, com ele, também vai o amor e as palavras que nunca foram ditas.
Se um dia alguém encontrar estas linhas, talvez pense que elas nasceram da saudade.
Mas elas nasceram do atraso.
Porque há sentimentos que chegam no tempo certo.
E há palavras que chegam quando já não se podem mudar mais nada.
Te amo...
Às vezes, o amor não chega fazendo promessas.
Ele chega trazendo paz.
Daquelas que fazem o coração entender, bem devagar, que encontrou um lugar onde pode ser inteiro.
Um amor bonito não pede que alguém esconda partes de si para permanecer.
Ele acolhe as diferenças, respeita os silêncios, espera o tempo do outro e segue caminhando sem transformar o afeto em disputa.
Há dias em que um segura a mão.
Em outros, apenas permanece por perto.
E, curiosamente, isso basta.
Porque quando dois corações escolhem caminhar na mesma direção, o caminho deixa de ser sobre quem vai na frente.
Passa a ser sobre nunca deixar o outro caminhar sozinho.
– Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
Tanto a mulher quanto o homem, fazendo coisas erradas contra sua moral, reputação ou fidelidade, se arma de desculpas falsas e mentirosas.
Recomece o seu dia, acreditando e fazendo o melhor que puder para recompensar mais tarde os seus esforços com novas expectativas e experiências.
Uma pena...
Eu ouvi tua voz e chorei,
Eu senti as tuas mãos fazendo carinhos no meu rosto e vibrei,
Eu vi você fazendo o nosso café e sorri,
Uma pena que eu acordei.
