Faz de Conta Qu eu Acredito
Os únicos princípios que eu aceito, ou necessito, na Física são os da Geometria e da Matemática pura; estes princípios explicam todos os fenômenos naturais, e nos permitirem fazer demonstrações bastante acertadas a respeito deles.
Ela pediu para eu vir aqui e dizer que ela foi embora. Que não aguentou a sua indecisão e falta de atitude. Logo ela meu companheiro, que era tão apaixonada e decidida por você.
Ela pediu a conta da vida de vocês, e pode ser que ela tenha pagado caro quanto a isso, mas nada se compara ao preço da liberdade sem sofrimento, e foi o que ela quis. Ela também pediu para eu entregar essa caixinha que significava algo muito importante para ela. Pode ser algumas lembranças de momentos que hoje não faz nenhum sentido para ela.
Ela disse que nunca mais voltaria atrás, que esta deixando de mão tudo que levou ela para trás esse tempo todo. E se você esta ouvindo dizer isso tudo e não esta demonstrando nenhum tipo de reação é porque ela estava certa em relação a você.
Como se eu fosse deixar alguém como você fazer o que quer com os meus companheiros e o mar.
(Monkey D. Luffy)
Na verdade, eu só queria matar uma parte de mim: a parte que queria se matar, que me arrastava para o dilema do suicídio e transformava cada janela, cada utensílio de cozinha e cada estação de metrô no ensaio de uma tragédia.
Eu quero usar um pouco do seu vazio pra eu me fazer inteira. Eu quero o som do seu oco pra fazer música até amanhecer.
Quero mudar minha vida. Tenho 19 anos, é tempo de fazer alguma coisa. Talvez eu tenha medo demais, e isso chama-se covardia. Fico me perdendo em páginas de diários, em pensamentos e temores, e o tempo vai passando. Covardia é uma palavra feia. Receio de enfrentar a vida cara a cara. Descobri que não me busco ou, se me busco, é sem vontade nenhuma de me achar, mudando de caminho cada vez que percebo a luz. Fuga, o tempo todo fuga, intercalada por períodos de reconhecimento. Suavizada às vezes, mas sempre fuga.
No fundo eu sou de mentira, assim como você. E não é uma identidade que nos tornará real. Falta em você algum brilho, alguma individualidade, algo que te faça especial. Em mim esse brilho sobra e eu saio por aí espalhando, como se fosse bonito se perder em todo mundo só porque meu corpo não é suficiente pra me abrigar. E nós seguimos sendo nada, sendo só rosto marcante e nome fictício, enquanto você não descobre que eu leio sua insegurança e me disponho a curá-la e eu tenho preguiça de dizer.
E eu decidi que deveria dar uma chance ao meu coração. Seguir o teu conselho tão bem dado: gostar de quem gosta de mim.
Eu não posso ser comprado, mas posso ser roubado com um só olhar. Eu sou inútil para um, mas inestimável para dois. O que sou eu?
E eu caio fácil nessas armadilhas. Fazer o que se eu fico fraco quando o olho brilha ? E ele não mente. Por mais que a mente se negue, enganar o que o coração sente, quem consegue ?
E se eu fosse um marinheiro,
eu iria navegar pelos sete mares
para te dizer: "Baby, eu não quero que vá embora".
Dou colo para quem precisa, dou a mão para os amigos, seguro a onda de quem eu amo. E quem segura a minha? Olho para os lados, para baixo, para o alto (talvez procurando um sinal) e encontro o quê? Nada. Ninguém, a não ser aquele desconforto de saber que no final das contas nós temos somente nós mesmos.
Mesmo não tendo forças e enxergando a verdade que me separa do meu verdadeiro amor, eu continuo a lutar mesmo sem armas.
Tenho acompanhado certas mudanças, e por um momento, não me reconheci. Aí eu lembrei que o ser humano é bizarro mesmo, e que na vida passa por suas milhares de fases.
