Familia tem de ser Careta- Lya Luft
Hoje em dia se lê muito. Tão rápido que é quase absurdo. As palavras voam diante dos olhos, e a mente mal as registra, já está em outro parágrafo, com pressa como se fosse uma corrida, mas a leitura é uma conversa, com a sabedoria contida.
O que é a leitura sem meditação? Apenas uma sucessão de letras, sem sentido ou reflexão. É como saborear um prato sem mastigar, perde-se a essência do que se queria apreciar. É deixar levar pelo vento, sem entender o que se vê.
É preferível ler menos, e se demorar no que se lê. Mergulhar na beleza e na sabedoria que se escondem nas páginas de um livro. Refletir sobre cada linha, desvendar seus mistérios, e, assim, enriquecer o espírito. Refletir sobre a beleza da linguagem e enxergar na página uma paisagem. A pressa nos rouba a capacidade de sentir as emoções da palavra com cumplicidade.
Afinal, onde está a essência da leitura, se não na contemplação da sua altura? Em cada página, em cada verso, é preciso mergulhar na leitura como em um universo.
A pressa é inimiga da contemplação. Não há sabedoria sem pausa. Apenas na calma e na reflexão, é que a verdadeira compreensão se causa.
Que importa se lemos mil livros, se não podemos saborear a beleza de cada palavra? Que importa se acumulamos conhecimento, se não somos capazes de transformá-lo em ação?
A verdadeira sabedoria não está no número de páginas que se leu, mas sim na capacidade de reflexão que em cada palavra floresceu. A beleza da escrita é um convite para um mergulho profundo.
Que possamos, então, desacelerar um pouco, que possamos ler com olhos de poeta, e encontrar na leitura a mais bela meta.
Será que vale a pena correr tanto, se no final não sobra tempo para refletir e saborear?
Eu quero mergulhar nas palavras e deixar que elas me inspirem, pois a verdadeira sabedoria não está em acumular, mas em compreender e internalizar o que aprendemos, de forma que a sabedoria guardada no livro se torne parte da nossa identidade.
Falar e escrever seriam inúteis? Efêmero falar, que nada exprime. Embalo-me na angústia da comunicação. Palavras são como cascas que se desfazem, nada mais que vãos rastros da emoção. Prisioneiras do sentido, as palavras se perdem no mar da insuficiência, a trama da linguagem é sempre tecida em ilusões, aprisiona a verdade em suas limitações.
A boca que se abre, a caneta que desliza, são meros instrumentos de uma busca indecisa, entre o dizer e o calar. O silêncio, em sua vastidão indomável, transcende a palavra e o ego. Não se prende a conceitos, não se aprisiona, é a pausa significante, a verdade que sussurra além do verso e do grito.
Encontro a liberdade de ser, de simplesmente ser, no silêncio, no vácuo, na ausência do dizer. Apenas existir, além do verbo, é o meu querer.
Escrever é apenas um exorcismo das ideias que perpetuam aqui dentro. O papel, meu confessionário mudo, testemunha fria, onde vou destilando mágoas, desvendando traumas. As letras que emergem são pedaços da minha solidão, uma ponte entre o caos e o desejo de renascer, e, ao revelá-la, sinto-me mais perto do amor. Encontro-me em cada verso, escrever é libertar-me também, é o alimento da alma em turbulência.
Contudo, és tu, ó silêncio, a língua que mais compreendo, no vazio de tuas pausas, meu ser se estende. Palavras são fumaça, que se dissipam no ar, enquanto o silêncio, no âmago, faz-se morar.
Ah, inútil é falar, inútil é escrever, quando a verdade se oculta no não dizer. A eloquência dos gestos, a dança do olhar, a palavra que se cala, é o que há de mais raro habitar.
Nas sombras do silêncio, encontro meu personagem. Em cada pausa, um mundo vasto se revela, onde o ser e o nada se fundem.
No abismo das reflexões, o pensamento vagueia, sutilmente capturado pelo desespero. Entre a razão e o caos, a alma se incendeia.
É nas noites escuras que se revela o sentido, aos homens que sofrem, um vislumbre atrevido. Em meio ao caos, encontram uma clareza intensa, um despertar que transcende, uma visão imensa. Em suas dores, descobrem a essência da existência, a fragilidade humana e sua plena resistência. Caminham entre as ruínas de sonhos desfeitos, e encontram, na ruína, a sabedoria de feitos, pois os homens que sofrem têm olhos mais atentos, percebem nuances ocultas, sutilezas em tormentos. Em seu desamparo, aprendem a contemplação, e se conectam ao universo, em profunda reflexão.
É na dor que se desvela a força interior, homens quebrados, mas com um brilho superior, seus corações dilacerados são oráculos, que recebem revelações que os outros não compreendem, uma luz que se acende nos abismos que ascende.
Vossas almas atormentadas, revelam-se como faróis na noite escura, pois somente aqueles que conhecem a aflição podem vislumbrar a essência da existência pura. Enquanto os outros se perdem em trivialidades, vocês desvendam os segredos do universo. Em cada lágrima derramada, uma epifania, uma compreensão que transcende o perverso.
Vossas dores são tesouros ocultos a desvelar, abraçai vossas feridas como guias preciosas, pois nelas reside a sabedoria a nos ensinar.
A dor, qual mestra cruel e implacável, desperta a mente adormecida pelo prazer, e revela, com amargura, a realidade crua, que muitas vezes preferimos não ver.
Não é a dor que traz lucidez, por si só, mas o caminhar árduo pela estrada espinhosa. É na luta contra o sofrimento infindável que o ser humano se revela em sua grandiosa prosa, foi assim que o ser humano a alcançou, a duras penas.
No âmago das trevas, onde a lucidez vagueia, surge o clarão da revelação, pesada âncora que nos rodeia. Não é o mais feliz dos homens aquele que a carrega, pois a luz que ilumina, sua alma sombria devasta.
Desvelam-se verdades cruas, impiedosas e frias, despindo a ilusão e a esperança que outrora as possuía. A consciência aguda consome, como um fogo voraz, e nas entranhas da existência, sinto-me um farrapo incapaz.
O despertar não é fértil, é infértil, e só o sofrimento é real.
A lucidez, dupla face de um destino traiçoeiro, revela-se como maldição, um fardo derradeiro, pois essa verdade crua não traz consolo algum, e o despertar da mente traz consigo o vácuo e o jejum. Emaranhado em questões sem respostas, em dúvidas sem fim, sinto-me esmagado pela clareza, na penumbra do jardim. Só tendo como companhia a angústia que me cativa, pois aquele que conhece demais, encontra-se amargurado, emaranhado em um labirinto onde não há escapado, e assim, proclamo novamente que não há vantagens, pois esse não é o mais feliz dos homens.
A equidade, almejada por corações sinceros, é um labirinto traiçoeiro, cheio de mistérios, pois não é só o passado que demanda redenção, mas o presente também requer nossa atenção, pois como um eco que se faz ouvir, o presente também carrega o seu peso, e a justiça não se constrói com réplica.
É preciso lembrar de não nos cegarmos ao reparar, pois o peso das injustiças já vividas, não pode ser aliviado com novas feridas.
E que ao corrigir uma dor, outra pode nascer, um ciclo vicioso que nos faz estremecer, a história se repete, o futuro se desfaz, se a justiça do presente não for capaz.
Não se trata de apagar os erros outrora cometidos, mas de construir um presente onde todos sejam ouvidos.
Esse presente é onde plantamos as sementes. Não perpetuemos as dores em velhos aniversários, mas, sim, unidos, trilhemos juntos por um mundo mais decente.
Ponderemos, com sabedoria em mãos, o que é justo e correto em nossas ações? Será que uma injustiça é remediada pelo igual, ou simplesmente adiciona-se um peso descomunal?
Não é pelo peso da culpa que avançamos, e sim, pela busca de um futuro onde prosperamos.
Reconhecer o passado é nossa obrigação, aprender com as injustiças é a direção, mas não se pode usar o presente como arma para perpetuar um ciclo que só nos desarma. A justiça não se faz com mais sofrimento, não podemos cair na armadilha de trocar injustiças antigas por novas dores em fila. Esse caminho só nos leva a um destino decadente, devolvamos a esperança e a crença na humanidade, construindo um futuro livre de opressão e iniquidade.
A luta por justiça requer empatia e discernimento, um olhar atento, de profundo entendimento.
Injustiças no presente não são solução, a vingança apenas alimenta um ciclo perverso. É na compreensão que encontramos a redenção, no diálogo honesto, com respeito, o universo.
A reparação não se mede em sofrimento alheio, mas no encontro sincero de mãos estendidas, no combate à desigualdade, sem dar ao ódio ensejo, em construir pontes, reconstruir vidas.
Sigamos adiante, aprendendo com o passado, construindo pontes onde antes havia muros, pois, no coração da justiça, há um chamado, para reparar o presente sem semear futuros obscuros.
E juntos, façamos do presente um presente, um futuro em que a justiça seja realmente latente.
O respeito mútuo é o alicerce a erguer, a empatia, a ferramenta que devemos ter, escutar atentamente o que o outro tem a dizer, sem perpetuar ciclos de ódio, é o que nos cabe fazer.
Reconheçamos as dores e as desigualdades, mas não as aliviem com mais hostilidades. Em vez disso, busquemos pontes de entendimento, cultivando a justiça com amor e discernimento.
Erguem-se torres de vaidades e ilusões, enredados em buscas de reconhecimento, mas no âmago, somos meros fracassos, poeiras no vento, buscando em vão um sentido eterno, enquanto a vida escorre entre suas mãos. A quimera que embala o sono noturno, e a certeza efêmera de ser único, num universo frio e taciturno. Na miragem da vã perpetuidade, buscando esse fútil espaço, nos tornando vítimas da nossa própria agonia.
A vaidade nos cega, nos engana, nos faz acreditar em grandezas fugazes, enquanto a verdadeira grandeza reside na aceitação de nossa efemeridade.
O ser humano é um ser frágil e inconstante, deseja ser um deus mesmo preso em sua própria insignificância, tenta então erguer-se sobre os ombros de outros mortais, para alcançar um trono imaginário de grandiosidade.
Em cada palavra eloquente e cada feito glorioso, em cada busca incessante por reconhecimento, o homem demonstra sua ânsia desesperada de encontrar um sentido em um mundo sem sentido. É uma fantasia criada pela mente para suprir a falta de significado e valor em si mesmo.
Na busca desesperada por validação, perdemos a essência, nos iludimos, desperdiçamos a vida em devaneios vãos, erguemos torres de areia em fundamentos frágeis. Uma busca incessante por uma efêmera grandeza.
Que libertação seria abandonar essa vaidade insana, encontrar paz na aceitação de nossa condição, transcender além dessa busca mesquinha, aceitar a finitude como uma dádiva genuína. Em vez de buscar aplausos efêmeros e divindades imaginárias, encontrar a coragem de encarar a realidade com olhos lúcidos, reconhecendo a insignificância de nossas vaidades passageiras, e abraçando a verdadeira liberdade: a aceitação de nossa finitude.
Pois só quando abandonamos a busca por validação externa, seja terrena ou superior, descobrimos que a grandeza está na humildade, no reconhecimento da beleza oculta da insignificância humana.
Ó, ser humano, preso em sua vã arrogância, que te torna prisioneiro de tua própria ilusão, que te faz esquecer de ti mesmo, que nesse eterno devir da tormenta da humanidade, cegado pela ânsia de um olhar aprovador, esquece a própria essência, sucumbe à superficialidade. Ergue-se como gigante, a procura de um ser supremo e eterno, para preencher seu vazio. Arrogante em sua essência, busca afirmação, anseia por um eco, uma voz de aceitação. À sombra de um olhar exterior, anseia por um juízo absoluto, enredado em ilusões de louvor, busca no outro o seu tributo. Ó, ser humano, desperta para a verdade, enxerga a fragrância da libertação que reside nessa outra aceitação.
Abandona a arrogância, cessa a busca vã, encontra a sabedoria na humildade e aceitação. A verdadeira paz está dentro de ti mesmo, quando te libertas da busca incessante. Em cada suspiro, na finitude que te envolve, está a beleza efêmera da existência, não busque ser eterno nem superior, mas abrace a efemeridade como uma bênção, descobre a beleza do momento presente, não busques fora o que já está em ti, encontra a plenitude na tua própria jornada.
Que tormento! Que maldição atroz, buscar a validação em olhares efêmeros, quando a grandeza reside em si mesmo, na aceitação de ser o que é, ser inteiro, e que no silêncio interior, está a verdade.
Deixe de buscar validação externa, encontre a coragem de ser quem és, aceita tua essência e tua fragilidade, e então, encontrarás a verdadeira liberdade, transcendendo para além das sombras da própria vaidade.
Os supostos eleitos, na sua busca infinda, dissipam-se em miragens, confundem-se no abismo, o paraíso que buscam, nas sombras se esconde, pois são eles, os humanos, os desprovidos de destino. Possuem explicações que nada explicam. A verdade está além da busca obsessiva, nas entrelinhas do vazio, no pulsar do abismo, os seres humanos, eternos náufragos da vida, perdidos em si mesmos, presos num labirinto sombrio.
Ó seres tão frágeis, que almejam o infinito, mas não compreendem a essência do seu próprio ser, no caminho à procura de um paraíso bendito, esquecem-se do agora, do presente a florescer.
O paraíso não é uma terra distante, não é um tesouro oculto em algum além, está em cada instante, em cada esquina, no sopro constante, na aceitação serena do que se é, além do vai e vem.
Desapeguem-se do fardo das buscas vazias, aceitem o caos e encontrem a paz no ser, pois são vocês, ó humanos, os verdadeiros desprovidos, os seres que buscam o paraíso, mas o têm sob seus pés.
São seres sedentos, em desespero, almejam o paraíso, esse sonho cintilante, acreditando, equivocados, ser o verdadeiro.
Aspiram a um refúgio, um abrigo etéreo, mas na busca, se distanciam da essência humana. Deixam de apreciar o mundo, o efêmero mistério, caminhando na senda que nada mais alcança.
A verdadeira beleza está nas incertezas, nos caminhos tortuosos que a vida nos reserva, afinal, são nas imperfeições que encontramos riquezas, e na aceitação de nossa condição, paz se observa.
Então, ó ser humano, renuncia ao paraíso utópico, encontra em ti mesmo o propósito almejado. Nos desvãos da existência, aprecia o caótico, e assim, enfim, viverás plenamente acordado.
O paraíso, como um véu que encobre a realidade, faz dos seres humanos meros reféns da vaidade, pois se esquecem de construir aqui e agora um mundo melhor, onde a vida aflora.
A busca pelo paraíso, um engano profundo, pois nos afasta da existência, do ser fecundo. É no caminhar, na jornada em si, que encontramos propósito, a verdade a sorrir.
Não há um paraíso a ser alcançado, pois a vida é uma eterna obra, um legado. Somos nós, humanos imperfeitos e finitos que devemos encontrar em nós os infinitos.
O além, é o que está em nós, pois o verdadeiro propósito está na própria voz.
Versarei minha pena, com véu das verdades perdidas.
No entanto, em suas mãos trêmulas, ilusões apodrecem, e o propósito genuíno se esvai, enquanto perecem, desprovidos de um sentido autêntico, que buscam nos céus um êxtase hermético, cegos para a grandiosidade da própria existência, tornam-se marionetes sem esperança, sem consistência.
Paraíso é aqui, é o viver, o desafio constante, o propósito emerge na luta, no fardo vibrante.
O verdadeiro significado reside na superação, na criação de valores, no confronto com a própria solidão. Os desprovidos de propósito se perdem nas ilusões, enquanto alguns outros se erguem enfrentando suas aflições.
Os seres que buscam o reino dos céus, acreditam encontrar propósito nos véus, fácil desvendar a ilusão que encobre a sua paz.
Julgais ter encontrado o sentido preciso, no entanto, é vossa busca vazia e perdida, pois é na procura que a verdade é escondida.
Aqueles que clamam por um propósito divino, são apenas desprovidos de um sentido genuíno e autêntico, pois em suas mentes há um vazio profundo, que os leva a buscar além do mundo.
O verdadeiro propósito reside na criação, no encontro com a vida, na própria ação. Não em utopias celestiais ou transcendentes, mas na imanência dos momentos presentes.
Então, deixemos de lado o véu da fantasia, e encaremos a existência com alguma clareza e valia, porque é na busca por um paraíso ilusório, que nos tornamos os verdadeiros desprovidos de propósito.
Os deuses que criamos em nossas mentes ansiosas são projeções vazias de nossas carências imprecisas. Eles nos seduzem com promessas tão preciosas, mas no fim, apenas nos tornam almas indecisas.
Em nossa busca incessante por um refúgio, acreditamos encontrar a paz nos sonhos inalcançáveis. No entanto, afundamos nas profundezas inescapáveis.
Tu, portador da cruz, carregas o fardo do niilismo, em teu peito pulsante, a morte eterna se enreda, e em teus dogmas, a negação sutil do mundo se ergue. Pois em tua fé, o Deus morto proclamas, enquanto buscas no além o sentido a flutuar. Negando o aqui e agora, que em ti se chama, esquecendo-te do mundo, a negação a se manifestar. O além, qual artifício criado por tua dor, foi engendrado para ocultar o ímpeto vital, afogando o presente no vazio de um clamor, que te faz esquecer o prazer terreno, o carnaval.
O aquém, ah, crente, é onde a vida resplandece, na existência plena, no abraço do instante, mas tu, aflito, escolhes uma fuga que esmorece, e ignoras a verdade na busca do distante.
Em tua devoção vejo o trágico esplendor do niilismo latente que te consome a alma. A negação do mundo, a angústia do trovador, e o além, mera cortina que esconde a calma.
Tu que não abraças a dor, e renuncias ao aqui, ergues o olhar ao céu negando a existência, e em tua busca infinda, afastas-te do real sentir.
Oh, crente, olha para o mundo em sua essência. Descobre no presente o sagrado a florescer, deixa o além ser apenas uma vã aparência,
Encontre no aquém o sentido que há de se eternizar.
Nietzsche já vislumbrava no cristão um paradoxo, o verdadeiro niilista, desafiante, que nega o mundo e a si mesmo. O aquém, tão vasto e efêmero, onde a vida pulsa com ardor, é desprezado pelo crente solene, que busca no além a sua redenção, mas que além é esse, tão distante, criado para negar o aqui e agora? É uma miragem, uma ilusão devorante, que sufoca a existência, qual lenta chama.
E o cristão, na sua busca incessante, afirma ser o portador da verdade, apegado às certezas que lhe consolam, enquanto o mundo lhe escapa entre os dedos.
A negação do mundo é seu lema, o desprezo à vida é sua prece, mas é na negação que se encontra o vazio, a ausência de sentido, a noite emudece.
Ó, cristão, tu que és o verdadeiro niilista, em tua busca por uma redenção que não existe, enquanto negas o aquém, esvazias a existência, e a verdade se esconde, na sombra tu persiste.
O além é uma fuga, um engodo, para ocultar a realidade pulsante, é no aqui, no agora, que encontramos a verdadeira essência do existir constante.
Um dia me perguntaram sobre a transcendência, se eu acredito em alguma parte de sua suposta sagrada essência. Minha resposta, uma questão em contraparte, com simplicidade respondi, lançando outra pergunta no ar; Descobriste aquilo pelo qual morrerias? Se a resposta for não, ó alma inquirida, ainda não encontraste a luz que te conduzida.
Se por nada morrerias, meu amigo, significa que és teu próprio abrigo. Em ti reside o valor mais precioso, tu és o âmago, sublime e grandioso.
Porém, se há algo pelo qual ousarias tudo, então encontraste o bem que te conduz, pois aquilo que em ti suscita tal paixão, é a maior noção de sublime elevação.
Pode ser algo ou alguém; como a verdade, a justiça ou o amor. A causa pela qual te entregas com fervor. Qual causa te faz voar além do aqui? Transcender é lançar-se além do comum.
Para Sócrates, a justiça; para Giordano Bruno e Hipátia, a verdade; para Jesus, o amor.
A verdadeira transcendência reside na imanência, naquilo que em ti ousar e te guiar.
Isto é, se tua resposta é negativa, uma inquietude ainda habita em teu ser, pois a transcendência ainda tens que conhecer, porque somente quando encontras o propósito que te arrebata o coração, desvelas a verdadeira face da transcendência, a sublime conexão.
Se nada encontrar que te mova a sacrificar-te sem hesitar. Então és, em ti mesmo, o valor supremo a contemplar; aquele que não morreria por nada é o seu próprio cume, em seu ser reside a grandiosidade que transcende o costume.
A contrário sensu, aquele algo pelo qual ousarias enfrentar qualquer desafio, é vislumbrar a maior noção de transcendência que a alma traga. Na busca do que te eleva além, encontra-se a tua chama, a única conexão com um sagrado, a essência que te chama.
Nos arrependemos de quase tudo, das tentativas e das renúncias. De agir, de pensar em agir, de apenas pensar em pensar em agir. Tudo nos tortura, nos consome, numa dança de incertezas e angústias.
Nossos cérebros são máquinas de tormenta, que refletem sobre o controle e a perda dele. Buscamos dominar o destino, mas percebemos que não controlamos nada, boa parte dos rumos da vida ocorrem a nossa revelia.
A vida dos que nunca existiram é uma honra enigmática e esquecida. Que maravilha nunca ter sido jogado ao vazio, e que bênção não possuir uma consciência. Somos joguetes nas mãos do destino, marionetes em um palco invisível. A única certeza é que não há resposta certa, e que todos os caminhos levam à morte.
Mas abra-se, coração, à descoberta, perca-se na reinvenção. A sabedoria é eterna aprendiz. Cada encontro, um livro novo a ser lido. Cada lágrima, uma lição, não um cicatriz. A vida é um eterno renascer. Recomece quantas vezes for necessário, pois cada renascimento é um ato de coragem, e em cada novo começo reside a oportunidade de novamente se encontrar.
Que a minha existência seja uma canção inacabada, repleta de versos entrelaçados com o divino, encontrando a eternidade em cada momento fugaz. Assim, lanço-me ao infinito, mergulhando no desconhecido, em busca da verdade que se esconde nas entrelinhas, e encontro a paz na aceitação de que nunca saberemos tudo.
Num mundo repleto de contradições, o maior erro inato nos invade, pensamos que nascemos para a felicidade, e assim, de decepção, enchemos a estrada.
Desde cedo nos dizem que o mundo é generoso, que há muito a nos oferecer, a conquistar, e acreditamos mesmo que há tanto a ser encontrado em um mundo cheio de encantos, ingerimos ingenuamente a ilusão de que o mundo nos preenche, mas descobrimos, desiludidos, o vazio, onde a promessa de alegria não se mantém. Não atoa trazem os idosos em seu olhar, expressões de desapontamento, tão sombrias assim, pois sabem que o mundo não traz consolo, e a felicidade não está nos planos. Eles carregam consigo a expressão da desilusão, o peso do sentimento de acreditar que a felicidade era o destino a nos encontrar.
A vida, que não possui valor intrínseco, segue adiante pelas necessidades que temos, e pelas ilusões que nos mantêm em movimento, sempre em busca de algo que nem sabemos bem o quê.
A felicidade, ilusão dos planos traçados, não está contida no nosso percurso comum. Buscar ser feliz soa como ambição vazia, pois a felicidade é dádiva, é presente do além, que o cosmos nos brinda com momentos de pura sorte. Ditadura da alegria, busca incessante pela felicidade ideal, enquanto descobrimos que é no aprendizado que está o real.
E a dor? Ah, a dor é companheira fiel, realidade fundamental, verdadeira. Por vir, há dores e mortes, inevitáveis passagens, e em face desses desafios, quem seremos nós? A jornada revela nossa verdadeira natureza, revela a força que abrigamos em nossos seres, exige respostas que não temos, nos faz questionar o que somos de verdade.
Nas contradições, encontramos lições, as acolho como sábios e íntimos irmãos.
O mais cômico é que em meio a esses paradoxos enxergo a beleza do viver, e surge outro grande paradoxo, o de sorrir diante da dor.
Não é difícil perceber que a dor em si não nos arrasta ao abismo do niilismo, pelo contrário, revela sua função vital, ao confrontar-nos com o que é mais profundo. A dor nos impele a questionar e buscar respostas, e é a arte que converte lágrimas em pensamentos grandiosos, sofrimentos em ensinamentos, e esse em sabedoria.
Em tempos antigos, as tradições se erguiam altas. Gerações passadas, a linhagem se fazia, sem falhas, mas você? Audacioso, não segue o mesmo trilho, quebra os grilhões do passado, lança um novo brilho. Sou o fulgor da linhagem, o novo a brilhar. Somentr a ousadia a me guiar, pois minha história não segue o mesmo mar.
Em meio à noite escura e densa, você é a luz imensa que a linhagem ansiava. Não desista, persista, não pare, quebre os laços do passado, ouse sonhar. Nas páginas do passado, não se confina. Quebre o ciclo, trilhe a própria estrada.
As "verdades" herdadas, é preciso questionar. Para o destino moldar, é preciso ousar. Para o porvir, sem amarras, sem correntes, desbrave o desconhecido, siga em frente. Nas páginas do tempo, sua história é escrita. A história da família? Sim, é importante, mas não é destino, não é tudo que é relevante. Seu passado, não seja sua sentença, quebre o ciclo, busque sua essência.
Não me prendo a destinos que outros traçaram. Sou o vento que a si mesmo pertence. Trago a minha própria solução. Desvendo as "verdades" que limitam a razão, reescrevo o conto, sou minha própria ação. Questionar é o caminho para a transformação, mover "verdades" de lugar, é a verdadeira revolução.
Os padrões ancestrais não são sua prisão, a história da família não define sua visão.
A inteligência individual chega primeiro, à frente da massa, que segue sem questionar. Por isso, buscar a verdade é se aventurar a ousar. Digo isso com razão, a massa segue, em sua marcha, na contramão.
Quem anseia pela aceitação da multidão, nesse caminho, encontrará desilusão, pois a verdade vem com seu próprio ritmo nesse compasso, e a massa a entenderá com atraso.
A solidão não brota da ausência de rostos, mas das opiniões que são como desgostos, da posse de ideias inadmissíveis e raras. Não existe a falta de companhia, mas sim de ouvidos que aceitam ideais que desafiam a norma vazia, ideias que detém àqueles que ousam de normas discordar, e na busca do saber, ousam se arriscar. Aqueles que ousam pensar de forma inaudível, encontram-se sozinhos. Buscar a verdade é aceitar ser sozinho. O conhecimento eleva o homem, é verdade, mas também o isola, sem dó nem piedade.
Eu mergulho, sozinho, é o meu caminho. Aceitar a solidão, o preço, eu escolho sem remorsos.
A aceitação da massa, a popularidade efêmera, para mim, não tem valor, nem atrativo algum, pois aquele que busca o conhecimento sincero, sabe que a verdade é rara, exige dedicação.
Quem olha lá fora, sonha e se perde, mas quem olha pra dentro, a alma se aquece. Numa jornada onde o conhecimento se oferece, aos que têm a coragem de ser quem merece.
Mergulho na minha mente, no silêncio do pensamento, encontro o que realmente é urgente, sinto-me verdadeiramente vivo, sinto que é minha maior herança. A luz da compreensão tem sua liberdade, a verdadeira redenção.
O Direito é uma ciência que nos rege, mas quem são seus donos, quem decide o que ele protege?
Direito e poder, um jogo sutil, onde a lei é o véu que encobre a realidade, e as classes dominantes, em seu controle habilidoso, usam o sistema jurídico para manter sua supremacia.
O Direito é um instrumento de dominação. As classes dominantes o utilizam como escudo para manter o status quo, o poder, o escuro.
Fruto de um embate histórico e social, o direito é o campo onde isso se esconde. É um espelho da sociedade, onde as ideologias se manifestam. A história do direito é a história da luta, das classes em disputa pelo poder e pela definição do que é justo. Portanto, não há como negar, que o direito é um reflexo, de quem domina e quem vai lutar. Não é uma entidade neutra, é claro, mas sim um instrumento de controle, onde os dominantes estabelecem a norma, e definem quem pode, quando e onde; em última instância, pelo direito impõem sua vontade, enquanto os oprimidos lutam pelo seu espaço e sua liberdade. É na dialética do conflito que o direito se transforma, e a justiça surge como um ideal a ser alcançado.
A história do direito uma vez entendida como tal, também pode ser vista como uma história de resistência, como uma luta que continua, sempre renovada e atual, para que a justiça seja o horizonte da nossa emancipação.
A justiça parece cega, mas enxerga muito bem quem tem o poder, quem tem a força, quem tem o bem. E assim, as desigualdades se perpetuam enquanto o direito é usado para que elas fluam.
O Direito pode ser esse instrumento de dominação, mas também pode ser um caminho para a transformação. Cabe a nós delimitar qual será o seu destino.
A justiça, que deveria ser imparcial, na prática é influenciada pelos mais poderosos, que moldam as leis e regulamentos para favorecerem seus próprios interesses.
A estrutura legal é como um muro, que separa os que têm e os que não têm, onde os ricos e poderosos se protegem, e os pobres e desfavorecidos são condenados. Contudo, a resistência não está morta, há aqueles que lutam por mudanças, que buscam uma sociedade justa e igualitária.
Por isso, devemos olhar para além das leis, e questionar a natureza do poder para construir uma sociedade onde a justiça seja real, e o direito seja um instrumento para o bem comum.
É nesse embate que o direito transforma-se, de instrumento de dominação, a arma da libertação, para aqueles que ousam lutar, que se revoltam, e fazem da justiça uma questão de afirmação, um meio para a emancipação. Uma afirmação do direito, em essência, como um bem social, e não um braço de uma sociedade desigual, que antes usado para manter a desigualdade e os privilégios preservados.
O que é preciso? Despir o direito de toda a sua ideologia, e enxergá-lo como uma prática histórica e social que pode promover a autonomia. Deve-se voltar para a análise crítica, sem despeito, e entender como as leis se originam e se aplicam, e como os interesses das classes dominantes as influenciam. Enxergando o direito como ele é, uma construção que reflete as relações de poder e as lutas políticas de cada época, que moldam a sociedade e o seu viver. Nãocomo um conjunto de regras abstratas e universais, como um dado da natureza, mas sim um produto social que define o que é justo ou desigual.
A estratégia do STF e amiguinhos é estrangular o povo até que ele não aguente mais e parta para a violência. Então as gloriosas Forças Armadas entrarão em cena para esmagar de vez a rebelião e criar, sobre o cadáver da vontade popular, o mais lindo Estado democrático de direito que já se viu desde os tempos de Mao Zedong.
Sigo positivamente
Cortei alguns arames farpados, mesmo sem enxergar um palmo a frente atravessei a neblina,
Agora, vejo o Sol brilhar forte novamente, um mundo que era vazio e quase sem vida, insisti em receber esta luz,
Pode soar estranho, mas não á padrões para surpreender a escuridão, talvez o segredo esteja presente no agir com naturalidade e espontaneidade,
Existem muitas questões, escolhas e desejos embutidos nas leis das decisões do "Eu posso, Eu quero, Eu terei".
E você chegou devagarzinho,
O que era pouco, começou a transbordar,
Um sentimento se multiplicou e se transformou em vários,
Uma luz forte vinda de você não queima, ela apenas brilha de um jeito como nenhuma outra,
Quero viajar, quero voar em pensamentos, quero abraçar alegremente tudo que imagino conquistar ao teu lado.
Vá entender!
Entre o medo e os desejos,
O tempo e os passa tempos,
A euforia e a paz,
O recordar, e o viver,
Parte de mim, ou dentro de mim, existi um amor ou uma necessidade,
Falta uma explicação, reside uma confusão de sentimentos, vá entender!
Na superfície rasa a vírgulas, na profundeza do azul do mar não quero pontos finais.
Reiniciar
Sair da casinha e tentar, será a melhor solução,
Depois do terremoto passar, fiquei em silêncio e me achei,
Sentir um beijo molhado foi a minha primeira descoberta sobre os novos caminhos à traçar,
Ninguém passa intacto por um abalo sísmico no coração, posso dizer apenas que a minha alma se encontra crua e nua para reiniciar uma relação.
Tempos atrás
Hoje nessa tarde ensolarada de domingo, veio a tona lembranças de quando você estava aqui tempos atrás fazendo aquele almoço,
Era tão bom ficar apreciando os teus olhos, era tão bom fazer carinho no teu belo rosto,
Tenho você gravada nas minhas memorias e as vezes encaro o nosso passado como a melhor passagem da minha vida.
Compreensões
A melhor solução é resolver o problema.
As rosas choram quando não são bem cuidadas, mais interesse,
Os morangos perdem a graça de viver quando muito expostos ao sol, mais atenção,
As mascaras escondem por um tempo, quando caem machucam demais, mais respeito,
Dependendo do ângulo as estrelas perdem o brilho e por vezes deixam de serem vistas, mais força de vontade,
Caminhar sem direção, cansa e não leva a lugar nenhum, mais sentido,
Buscar momentos únicos, colecionar sentimentos bons, mais criatividade,
Ser incansável na realização dos sonhos, saber compartilhar, mais coragem,
Aprender com a vida e ensinar outros a viver, mais amor.
Proprietária
Tornastes propriedade do que eu tinha mais cuidados,
Em dias ensolarados ou em dias chuvosos, abastecestes o meu coração com os maiores presentes, os teus carinhos, agora tu és proprietária dele,
Nenhuma queimada, tempestade ou nevasca, será capaz de devastar o que cultivamos com tanto amor,
Te amarei reflorescendo, te amarei com calor intenso, te amarei com equilíbrio entre o dia e a noite, sim te amarei até quando a temperatura estiver fria e darei um jeito de aquece-la novamente,
Em todas as estações, o meu coração encontrará sua moradia em você.
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