Falar de Alguém Especial
Se você não procura clientes, a inteligência artificial vai encontrar alguém para fazer seu trabalho.
Se não somos mais capazes de agasalhar alguém que sente frio, que sejamos um pouco mais sensíveis para mostrar-lhe o caminho do sol.
Lucro Selvagem
Alguém na esquina ainda rir,
apesar do espanto e desconsolo
na selva, onde o leão ruge faminto
com sua enorme boca aberta e com seus dentes afiados almejando tudo
em torno de si,
no solo sufocado sob
os pés de uma criança talvez ainda esconda a mais bela planta, que não
germina diante de olhos perversos,
do olhar obscuro da fera eclodiu a
violência à velocidade do caos,
e da pureza do pulso puro e inocente
entre os dentes dos leões e dos vampiros sedentos, pinga a mancha vermelha no asfalto quente dos dias de confusão,
na selva o silêncio é aspecto fúnebre, apesar do luto triste de outros bichos na cidade, à hora seguinte o que conta é o menosprezo à vida, diante do famigerado lucro a qualquer custo,
ao ínfimo luto à morte.
Assim como a matemática não muda seus resultados para agradar a alguém, a verdade não deve ser distorcida para favorecer os interesses de quem a apresenta.
O INVENTÁRIO DE NÓS
Por Marco Arawak
Há períodos da vida em que parece que alguém entrou em nossa casa enquanto dormíamos e mudou algumas coisas de lugar. Tudo continua reconhecível, mas já não encontramos facilmente aquilo que procuramos. Uma lembrança surge onde não deveria estar. Uma ausência ocupa um espaço antes insignificante. Uma antiga certeza perde a posição que tinha dentro de nós.
Talvez o desencanto comece assim: não como uma ruptura, mas como a percepção de que aquilo que sustentava nossa maneira de compreender o mundo já não permanece intacto.
A casa continua de pé.
Somos nós que já não sabemos exatamente como habitá-la.
Carregamos conversas, escolhas, desilusões, expectativas frustradas e vínculos que mudaram de forma. Nem sempre sabemos imediatamente o que fazer com tudo isso. Algumas lembranças permanecem próximas; outras tentamos esconder. Mas aquilo que não nomeamos continua participando de nós, às vezes de maneiras que só percebemos muito tempo depois.
A memória também tem seus quartos sem luz.
Por isso, chega um momento em que precisamos examinar o que carregamos. Não para transformar cada experiência em ensinamento, nem para encontrar uma explicação para tudo, mas para distinguir o que ainda nos pertence daquilo que mantemos apenas porque nunca paramos para escolher.
Há coisas que permanecem conosco sem jamais terem sido escolhidas.
Aceitar que certas relações se afastaram, que alguns projetos terminaram e que nem tudo pode ser corrigido pela nossa vontade não significa considerar justo o que aconteceu. Significa reconhecer os limites do nosso controle e começar a fazer as pazes com aquilo que não podemos modificar.
Nem toda ausência pede preenchimento.
Algumas pedem apenas reconhecimento.
Talvez escrever seja uma maneira de realizar esse inventário. A palavra aproxima o que estava confuso, dá contorno ao que permanecia sem nome e nos permite olhar para uma experiência sem aumentá-la nem diminuí-la. Escrever não muda o que aconteceu. Muda, às vezes, o lugar de onde conseguimos olhar para o que aconteceu.
E há coisas que só se tornam compreensíveis quando encontram linguagem.
Reorganizar não é apagar. É escolher o que merece permanecer perto, o que pode ser guardado mais longe e o que já não precisa ocupar nossa atenção.
Algumas lembranças permanecem.
Outras perdem a centralidade.
Não porque tenham deixado de existir, mas porque deixaram de governar.
Há sentimentos que precisam ser compreendidos antes de serem deixados para trás. Há vínculos que encontram outra forma de existir. Há portas que, depois de algum tempo, já não precisamos manter abertas.
Nem tudo o que se fecha precisa ser lamentado como perda.
Às vezes, fechar também é uma forma de cuidado.
Maturidade talvez tenha menos relação com esquecer do que com aprender a distribuir o peso do que vivemos. O desencanto pode permanecer na história sem determinar quem somos. Uma ausência pode ser reconhecida sem transformar-se em vazio permanente. O passado pode continuar verdadeiro sem ocupar sozinho o presente.
O que aconteceu não precisa desaparecer para deixar de ocupar o centro.
Também precisamos, às vezes, do silêncio. Não necessariamente para encontrar respostas, mas para escutar aquilo que o ruído costuma encobrir. Quando diminuímos a pressa de corresponder às expectativas alheias, algumas perguntas começam a aparecer.
É curioso como, quando tudo silencia, certas verdades fazem menos barulho e dizem mais.
O que ainda faz sentido?
O que mantenho apenas por receio de perder?
O que realmente pertence à minha história?
Nem sempre encontramos respostas. Algumas perguntas permanecem conosco durante anos, mudando de significado à medida que nós também mudamos. Mas perguntar já altera alguma coisa. Devolve à consciência aquilo que o hábito havia decidido por nós.
Há perguntas que não querem uma resposta imediata.
Querem tempo.
Talvez coragem seja justamente isso: não viver sem receio, mas não permitir que ele escolha sozinho o que permanece.
O receio pode bater à porta.
Não precisa receber as chaves.
Não somos obrigados a transformar toda despedida em explicação, nem todo encerramento em começo. Algumas coisas simplesmente terminam. E talvez precisemos apenas reconhecer que existiram.
Nem todo fim precisa de uma última palavra.
Às vezes, o silêncio é a única forma honesta de encerrá-lo.
No fim, continuar não significa reconstruir quem éramos antes. Há experiências que mudam nossa maneira de olhar, de escolher, de permanecer e de partir. Depois delas, a antiga disposição das coisas já não volta exatamente ao lugar.
Então aprendemos a viver de outra maneira.
Não necessariamente mais fácil.
Apenas mais nossa.
Talvez seja essa a parte mais silenciosa do amadurecimento: compreender que também somos feitos das escolhas que fazemos diante do que nos aconteceu.
O passado nos oferece matéria.
Mas não deveria escrever sozinho o que somos.
Esse é o verdadeiro inventário de nós: o que recebemos, o que nos atravessou, o que deixamos partir e o que, conscientemente, decidimos conservar.
Nem tudo merece permanecer.
Nem tudo precisa ser esquecido.
Há uma diferença entre carregar uma lembrança e continuar vivendo dentro dela.
No fim, não somos apenas o conjunto do que nos aconteceu. Somos também a maneira como damos destino ao que aconteceu.
E talvez seja justamente aí que alguma coisa se abre.
Não uma resposta.
Não uma promessa.
Apenas a possibilidade de continuar, levando conosco aquilo que ainda reconhecemos como nosso e deixando para trás, sem culpa, aquilo que já cumpriu o seu tempo.
Porque, às vezes, amadurecer não é acrescentar mais alguma coisa àquilo que somos.
É finalmente saber o que podemos deixar de carregar.
Uma simples faísca, é capaz de destruir sua visão sobre alguém. Se torna poder para reverter sentimentos suáveis em tons amargos.
Entenda: às vezes, você vai precisar amar como nunca, até encontrar alguém e descobrir o “nunca mais!”.
Quando preparar um jantar para alguém, não se preocupe apenas com a quantidade de comida que vai colocar à mesa. Uma mesa pode estar cheia de pratos e, ainda assim, faltar aquilo que realmente alimenta.
"É a metamorfose definitiva de quem trabalha pelo dinheiro em alguém cujo dinheiro trabalha para si."
Laerson Endrigo Ely em Método R.E.N.D.A. de Investimentos
A felicidade, ao contrário da alegria, só pode ser encontrada ao lado de alguém com quem você queira estar até a consumação.
Plantar amor em alguém é como plantar uma flor no deserto. Nem todas crescem, algumas morrem sem florescer.
Coxe Motivacional 👑
frases autorais
Para entender as dores de alguém é preciso se colocar no lugar dela. Então não pense que ninguém te entende, porque antes de você nascer, Jesus sabia de tudo o que iria acontecer e para te poupar, Ele se colocou em seu lugar.
— Jucelya McAllister
"O poder pode conferir autoridade a alguém, mas somente a maneira como é exercido pode conferir-lhe grandeza e respeitabilidade."
Metanoia
Sobre a estranha beleza de se tornar alguém que ainda não conhecemos.
Há momentos em que a vida muda silenciosamente, sem anunciar despedidas ou preparar caminhos. O tempo, que antes parecia caminhar lentamente, de repente se torna implacável. Em poucos instantes, aquilo que levamos anos para construir se transforma, e o que parecia distante encontra uma maneira inexplicável de chegar até nós.
Metanoia talvez seja isso: a transformação inevitável de uma existência que já não cabe em sua antiga forma.
É curioso como certas pessoas atravessam nossa história sem que percebamos sua presença. Estão próximas, habitando os mesmos lugares, respirando os mesmos ares, até que, em um instante aparentemente comum, tornam-se extraordinárias. Como se a vida guardasse encontros para momentos em que sequer saberíamos procurá-los.
Mas toda transformação carrega suas contradições.
Enquanto algumas presenças chegam para revelar sentimentos até então desconhecidos, outras se despedem, deixando espaços que nenhuma novidade consegue preencher. E, entre aquilo que se perde e aquilo que se encontra, algo dentro de nós também se modifica.
Há uma espécie de solidão que não nasce da ausência de pessoas, mas do desconhecimento de si mesmo. Um silêncio que permanece mesmo quando existe amor, mesmo quando há felicidade. Não é necessariamente tristeza, tampouco ingratidão pela beleza do presente. É apenas a estranha sensação de olhar para dentro e não reconhecer completamente quem habita ali.
Talvez crescer seja, em parte, testemunhar o desaparecimento silencioso de algumas versões de nós mesmos. A espontaneidade dá lugar à cautela, os sonhos ganham o peso das responsabilidades e aquilo que antes parecia essencial passa a ocupar um espaço distante na memória.
Ainda assim, nem toda mudança representa uma perda. Existem transformações que nos aproximam de possibilidades que jamais imaginamos viver. Há amores que não nos devolvem ao que éramos, mas nos apresentam sentimentos que a nossa antiga existência sequer conhecia.
E talvez essa seja a maior contradição da metanoia: sentir uma felicidade extraordinária enquanto se tenta compreender a própria transformação.
Porque nem sempre a vida muda para melhor ou para pior. Às vezes, ela simplesmente muda de maneira tão profunda que essas definições deixam de ser suficientes.
O passado permanece como uma casa onde um dia fomos felizes, mas cujas portas já não sabemos abrir. O futuro, por sua vez, surge como um território desconhecido, repleto de promessas, responsabilidades e possibilidades.
E nós permanecemos entre os dois, aprendendo a existir novamente.
Talvez nunca exista um instante exato em que compreendamos tudo o que aconteceu. Talvez algumas respostas só apareçam quando deixamos de procurar explicações para cada mudança.
No fim, metanoia não é necessariamente abandonar quem fomos, tampouco encontrar uma versão definitiva de quem seremos. É compreender que a existência não permanece imóvel, que o amor e a perda podem habitar o mesmo coração e que até as transformações mais belas podem carregar uma silenciosa melancolia.
Pois há acontecimentos que não apenas mudam a nossa vida. Mudam a própria maneira como entendemos o que significa estar vivo.
E, depois deles, não é que seja impossível voltar ao que éramos.
É que já não sabemos como.
Imagine alguém entrar dentro da sua casa, se apossar de tudo o quê você tem e depois declarar a sua incapacidade civil durante séculos, foi o quê aconteceu com a população indígena. Preciso desenhar?!
“Quando meu amigo e eu vemos alguém mimando quem gosta, sem saber que ela troca ideia com outro.”
Mac Jhogo
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